terça-feira, 12 de maio de 2026

 

                   Fermina Moreno Rodrigues

 

         Todos nós viemos a esse mundo para cumprir uma missão. Missão de trabalhar em prol da humanidade, sendo médicos, nutricionistas, comerciantes, ambulantes, professores, trabalhadores braçais, políticos...

         A senhorinha de hoje não foi nada disso. Não foi professora, nem enfermeira, nem comerciante... Ela foi apenas uma doméstica que cuidou de sua família, e de toda a meninada dos vizinhos e amigos. Tem uma dezena de senhoras  e senhores que, ontem tiveram o privilégio de conviver e serem cuidados por ela, como se fossem filhos seus. E todos a chamam de tia Fermina.

Fermina Moreno Rodrigues hoje com 95 anos, filha de mãe italiana  e pai espanhol, nasceu em Colina, na região Norte do nosso Estado.  Sua família  se mudou para Mirandópolis quando ainda era criança, mais precisamente lá no Bairro Monte Serrat, onde trabalhou colhendo café e algodão. Mais tarde, eles se mudaram para a cidade, onde dona Fermina e suas irmãs Nair, Helena e Santina passaram a trabalhar nas casas de famílias, como pajens de crianças e domésticas, para ajudar nas despesas da casa.

Dona Fermina casou-se com Francisco Moreno Raduik de origem russa. Com ele, teve o filho Luís que trabalha como Tecnólogo no Gasoduto em Araçatuba, e a filha Jane Meire que é  a companheira e protetora de toda hora.

O marido era lavrador e trabalhou muito tempo, como Administrador da Fazenda Cachoeira e da Fazenda Acácia. A relação com os patrões  Dr. Alípio Marques  e dona Lila e com a dona Zilda e seu Mário Dias Varella se desenvolveu, como se fosse uma relação consanguínea. Até hoje, dona Fermina e seus filhos têm contato com os  descendentes dos antigos patrões. Ela cuidou de todos os filhos deles. Nessas fazendas, dona Fermina trabalhou como doméstica, cozinhando, lavando e costurando para as senhoras.

        Em 1985, após longos anos doente com problemas no coração, seu Francisco faleceu deixando-a sozinha. Dona Fermina morou sozinha por anos e anos aqui em Mirandópolis. Quando morava sozinha, dona Fermina alugava os quartos da casa para moças que trabalhavam, e assim conseguia melhorar os rendimentos. Mas os antigos patrões Dona Lila, Doutor Alípio, dona Zilda e seu Mário  sempre estiveram presentes em sua vida, cuidando dela, e a levando para passeios na capital.

 Jane Meire e o esposo Francisco Ernesto Chossani  moravam em Foz do Iguaçu, onde  como Técnico Especialista em Desenho, ajudou  a partir de 1975 nos projetos da construção da Usina de Itaipu. Após longos anos na Usina, seu Francisco aposentou-se e vieram morar em Mirandópolis.

        Dona Fermina trabalhou muito em sua vida. Cozinhava para os patrões num dia, e no outro muitas vezes precisava cozinhar para vinte, trinta convidados. Sua especialidade era fazer carneiro recheado, macarronada, feijoada. E fez muitos doces, como o doce de leite que derretia na boca.  E tudo isso ela fazia enquanto  cuidava de seus dois filhos e do bem estar dos filhos dos patrões.

         Um dia, conduzidas por seu Mário Varella e sua filha Jane conheceram a Ciranda, que hoje tem dezesseis anos de existência. Esse grupo reúne idosos, para  conversar e cantar com outros idosos solitários. O objetivo é espantar a solidão de quem vive sozinho. E dona Fermina se identificou tanto com o grupo que, nunca mais parou de participar.

         Além disso, dona Fermina participa do grupo de  Folia dos Reis, com quem viaja para vários encontros em outras cidades.

        Dona Fermina gosta muito de gente. Gosta de estar rodeada de amigos, e de contar causos ocorridos ao longo de sua vida. Vive cercada de pessoas, que ela cuidou quando crianças, que têm por ela verdadeira  paixão. É muito respeitada e admirada na Ciranda e na Folia de Reis.      Dona Fermina não estudou, não tem diplomas, não se tornou médica, professora, vereadora, comerciante nem uma especialista em nada. Mas foi uma mulher que veio ao mundo para servir. Serviu como esposa, como mãe,  como avó, bisavó e tataravó. Mas o que a destaca mais que tudo é que, ela foi um pouco mãe, professora, médica, administradora, cuidadora e enfermeira de muitas crianças que viveram ao seu redor.

Hoje com 95 anos, mora com a filha Jane e o genro Francisco e vive uma vida tranquila, sempre rodeada de pessoas que a amam de verdade.

        Por uma vida recheada de trabalho,  por tudo que ensinou, por todas as pessoas que cuidou, por uma longa vida servindo ao próximo, podemos afirmar que dona Fermina Moreno Rodrigues é gente de fibra!

       Mirandópolis, 12 de maio de 2026.

      Kimie Oku in

      http://cronicasdekimie.blogspot.com