quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020


                Ongaeshi
     Ongaeshi é uma palavra de suma importância para os antigos japoneses. Ela é composta de duas palavras: ON que significa favor, ajuda, gentileza; e GAESHI ou KAESHI que significa devolução, pagamento, reconhecimento. Significa reconhecer o favor recebido e fazer algo em troca. E se não puder, pelo menos ser grato para sempre.
     Não sei se ainda esse costume é válido hoje no Japão, mas foi bastante cultivado entre os imigrantes que vieram de lá para cá. Um favor recebido jamais deveria ser esquecido, E a pessoa que ajudava a outra era chamada de Onjin ou Benfeitor.
     Os primeiros imigrantes que vieram se radicar aqui no Brasil a partir de 1908 sofreram muito, porque além de virem para uma terra estranha, sem conhecer ninguém, sem entender o Português, foram mandados para lugares distantes, cercados de mata virgem, cheia de onças e outros bichos perigosos. Tiveram que derrubar árvores seculares para plantarem o café, que era a base da economia da época. E para sobreviver se juntaram em colônias de japoneses e procuraram manter os costumes orientais, como a fala, a Religião, a comida e as tradições. É evidente que houve muito desentendimento com os brasileiros, por falta de comunicação adequada. Com o passar do tempo, tudo foi se acomodando pouco a pouco e acabou ocorrendo essa aculturação que hoje existe, que faz os anciãos japoneses comerem uma boa feijoada e os brasileiros não dispensarem um bom sashimi.
     Um hábito muito bonito que os japoneses trouxeram foi esse ongaeshi, que consiste em nunca esquecer um favor recebido. A cultura ocidental trata isso como uma coisa trivial, sem dar muito valor. Os japoneses não.
     Aprendi desde cedo que devemos ser gratos para sempre com as pessoas, que nos socorreram em momentos difíceis. E assisti a uma cena que ficou marcada para sempre.
     Na década de 50, um irmão meu estava se casando e havia uma pequena comemoração no terreiro da nossa casa, que era num sítio distante da cidade. Japoneses amigos da vizinhança e parentes presentes... De repente, apareceu um carro preto que era a novidade da época, pois ninguém possuía carro. A festa parou e todo mundo ficou intrigado com a súbita visita. Do carro alugado desceu uma família inteira de japoneses. Quando papai reconheceu a família, foi logo recebê-los, e conduziu à barraca da festa, apresentando–os aos presentes. E então, o recém chegado disse que soube, através de um programa japonês numa Emissora de Rádio que, o filho de papai estava se casando, e que não poderia deixar de vir cumprimentá-lo numa data tão especial. E chorando copiosamente, disse que devia um favor imenso ao papai, que nunca poderia lhe pagar. E explicou que tempos atrás esteve numa situação crítica, precisando ir embora de mudança com a família para uma cidade distante, mas que não tinha como pagar um caminhão para fazer isso. E o nosso pai que era tão pobre como ele, arrumou um caminhão de um amigo e fez a mudança... E ao finalizar a fala, os dois amigos se abraçaram e choraram e muitos dos presentes também se emocionaram. Eu era uma adolescente, que mal entendia a língua japonesa, mas não sei porquê entendi toda a cena, que ficou para sempre em minha memória. Daquele dia, só me lembro desse fato.
     Muitos anos depois ao estudar a língua de meus pais, descobri a palavra Ongaeshi e como num sonho voltei aquele sítio, àquela casa, àquela festa e revivi toda a cena... Os protagonistas já estavam no céu, mas a lembrança ficara... Então, percebi a força dessa palavrinha ongaeshi - Jamais esquecer um favor recebido.
     E, ao longo desses anos como cronista, não me canso de repetir essa história, para que todos aprendam a cultivar esse hábito, que é muito bonito.
     Se todos nós cultivássemos esse hábito de pagar a graça com outra graça, a vida seria uma bênção, e não haveria tantos desentendimentos, tantas separações, tantas tragédias.
E aí amigos, vamos adotar o Ongaeshi?

Mirandópolis, fevereiro de 2020.
kimie oku in

    

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020


                Destino...
      Uma amiga me perguntou se eu acredito em destino. Sim, acredito, piamente. Estranhas coisas já me aconteceram para provar isso. Coisas inesperadas que ocorrem repentinamente, sem explicação.
      Há mais de dez anos, um jovem que frequentava a minha casa percebeu que, eu estava sempre estudando a Língua Japonesa. Mas, ele nunca comentou nada, e só ficava observando...
Um dia, me apareceu em casa com uma porção de livros e revistas japonesas, perguntando se seriam úteis para mim... Fiquei surpresa porque o moço era totalmente brasileiro, sem nada a ver com a literatura oriental. Nem a ocidental.
Ele contou que o pai de seu patrão havia falecido e o filho resolveu fazer uma faxina no quarto. Achou os livros, fez um monte no chão e foi queimá-los. Quando o meu amigo viu aquilo, lembrou-se de meu empenho em copiar textos japoneses, e resolver pegar alguma coisa para mim... Aleatoriamente.
E dentre eles havia um Dicionário Japonês antigo, amarelado, de capa verde de couro, que deve ter sido bastante folheado pelo seu dono. Num cantinho da contra capa estava a assinatura dele Kubo em português.
Peguei o livro com cuidado e percebi que fora editado no Japão em 1963 e em 1967. E fiquei imaginando como viera parar aqui. De navio? Na mala de quem? Quando? Percebi que eu nada sabia desse objeto cultural, que eu ganhara por um feliz acaso. Ia ser incinerado e era uma relíquia! Por quê viera ter às minhas mãos? Fiquei tão gratificada que, pensei em ir até ao cemitério numa cidade da região, onde está enterrado o senhor Kubo que nunca conheci, para lhe agradecer. E, sobretudo pedir licença para usar o presente que viera dele, sem nenhum merecimento meu. Mas o meu amigo foi embora e perdi o contato... Então, fiz uma oração para o senhor Kubo diante do Dicionário, lhe agradecendo o presente. E fiz uma anotação para que quem o herdar um dia, saiba de quem era...
E desde então, nas minhas consultas recorro a esse pequeno Dicionário, que tem me salvado em várias dificuldades.
Estranhos caminhos percorreu esse pequeno livro, que tem folhas finas, quase de papel bíblia, que contém também palavras que já caíram em desuso e que é essencialmente escrito em japonês.
Inicialmente fiquei meio receosa de folheá-lo, por não me pertencer de direito... Mas, ao me lembrar que seria incinerado pensei que realmente fora destinado a mim. E o uso sem remorsos.
E desde então, tenho usado com cuidado, com reverência até porque deve ter sido com certeza, uma preciosidade para o antigo dono.  
Às vezes penso que teve um vento soprado por meu pai, para que eu continuasse a estudar os kanjis que ele tanto amou...
Faz mais de dez anos que o uso e sempre carrego um sentimento de dívida para com o senhor Kubo, por ter me apossado de algo que não deveria ser meu...
Então, hoje resolvi contar essa história que prova que existe Destino, sim!
Arigatougozaimashita, Kubosama!
Taisetsuni shimasu!
Mirandópolis fevereiro de 2020.
kimie oku in
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sábado, 1 de fevereiro de 2020


     Wabi Sabi
    Wabi Sabi é uma expressão japonesa que sintetiza a aceitação da brevidade e da imperfeição de tudo. Porque neste mundo tudo nasce, vive e morre tão depressa como nasceu. E isso é um fato inexorável, que ninguém pode evitar.
      Tenho carregado esse sentimento ultimamente e só descobri o nome disso agora através de um post no Grupo Caligrafia Japonesa e Kanji.
      Fui durante muito tempo uma pessoa exigente, e que não permitia falhas minhas e alheias... Acredito que deve ter sido difícil para os meus familiares me aguentarem... E os meus alunos, então?
      Mas, ao longo dos anos, conforme fui levando tombos pela vida afora e envelhecendo, acabei aprendendo a ser mais tolerante, mesmo porque nem todo mundo pensa igual a gente.
Tem um provérbio japonês que define de maneira perfeita o crescimento de um ser humano: “ Quanto mais amadurece a espiga de arroz mais pende para o chão.”  É sobre a humildade, que começa com a arrogância do jovem que imagina dominar o mundo, e aos poucos vai percebendo que nada sabe, e se rende às experiências e aos conhecimentos dos mais velhos. Também fui jovem, também acreditava saber tanto, também desprezava quem não procurava o conhecimento...
Hoje já perto de oito décadas de existência e tendo passado por momentos muito difíceis, aprendi a olhar o outro lado da moeda. Não pensem que não tive sonhos grandiosos, como morar num palacete e ser tratada como uma princesa... Sonhos tolos e tão vazios...
Mas, olhando para trás, percebi que há tanta gente que luta todos os dias só pra sobreviver, e leva a vida numa boa sem se queixar, sem imprecar contra o destino, sem culpar ninguém por sua vida tão limitada. Então, aprendi a respeitar esses heróis anônimos, que passam pela vida sem ter realizado um único sonho sequer, mas  cumprem sua humilde missão de servir, servir até morrer. E foi então que, passei a prestar atenção nas pequeninas coisas que fazem a diferença de cada momento. Um beija-flor que entra na minha sala por engano (ou por Deus!) e abençoa a minha casa... Uma flor que desabrocha esplendidamente e alegra o meu despertar... Um ex aluno que aparece em casa depois de trinta anos, para me dar um abraço... Uma amiga que me convida para um cafezinho... Lá fora há uma guerra sendo travada entre pessoas disputando o poder. Mas, aqui no cantinho, na vizinhança reina a paz de trocar figurinhas e demonstrar o bem querer...
A vida é tão breve, apenas um instante e perdemos tanto tempo nos magoando por coisas miúdas que nem valem a pena. Dinheiro? Riqueza? Glória? Fama? Todos que tiveram isso estão mortos e esquecidos, só restando uma lápide em alguma campa com seu nome. Apenas um nome. Mesmo os heróis da Pátria, os santos do pedaço, os gênios da Medicina, os cantores mais badalados são apenas uns nomes no final da história. Que serão esquecidos... Então, pra quê correr tanto atrás de glórias? De sucesso? De fortunas?
Tudo passa. As tristezas, as alegrias, as paixões, os grandes amores, as traições... São como punhados de areia que escorrem por entre os dedos, deixando apenas uma pequena lembrança.
Aceitar a transitoriedade da vida é também aceitar a partida dos pais, irmãos e até dos filhos. Aceitar a imperfeição da vida é compreender o incompreensível, como os rancores, as palavras mal faladas, os ciúmes gratuitos, a inveja que corrói.
Mas, como somos feitos de sangue quente, não é fácil chegar a esse nível de aceitação. Teríamos que nos anular para perdoar certas rasteiras e certas traições... Porém, não há outro caminho. O caminho do olho por olho e dente por dente é devastador. Ele apodrece a alma. E só traz mais sofrimento.
Então, melhor mesmo é cultivar o Wabi Sabi e aceitar a vida como ela é: cheia de surpresas, de contratempos, de ilusões e raros momentos de alegria.
Então brindemos o momento que estamos passando!
Aproveitemos tudo que está acontecendo à nossa volta. Não importa se é feio ou bonito, se é alegre ou triste, tudo é uma lição.
Vamos saborear o vinho da vida até a última gota!
Wabi Sabi!
Carpe Diem amigos!


Mirandópolis, fevereiro de 2020.
kimie oku in



quarta-feira, 22 de janeiro de 2020


Fukuzawa Yukichi

Houve um tempo no Japão em que os trabalhadores eram meros escravos de seus patrões. Era a época do Xogunato ou Bakufu, cujos representantes eram os Daimyos... Esses Daimyos eram senhores poderosos que possuíam vastas terras e viviam em constante guerra com seus vizinhos, para lhes tomar suas propriedades e aumentar os próprios domínios. Esses domínios eram fortemente defendidos por um exército de samurais ou espadachins. E os Daimyos ou Tonosamas tinham o poder de vida e morte sobre seus vassalos... O povo humilde vivia entre a cruz e a espada...

O pai de Fukuzawa Yukichi era um samurai. Mesmo sendo um homem culto servia ao Tonosama como um trabalhador braçal, porque era um samurai de categoria inferior. Naquela época, as famílias estavam restringidas às castas da pirâmide de classes sociais. E não podiam mudar de categoria. Quem nascia numa família de sapateiros assim deveria continuar pelos séculos afora...

Quando criança, Yukichi detestava Escola e estudos e proclamava isso para a família. Mas era uma criança inteligente e o pai desejava um futuro melhor que o seu para o filho. Então decidiu que o garoto seria um monge, ou bonsan. É que um monge poderia estudar e revelar suas habilidades. Era o único caminho de estudos para a gente plebeia. Mas, o pai faleceu quando Yukichi tinha apenas três anos de idade...

Seu irmão mais velho Sannosuke tomou as rédeas da casa e passou a servir ao Tonosama. E decidiu que Yukichi deveria ir à escola para iniciar sua educação, mas o garoto revoltou-se e não aceitou. Então sua mãe lhe contou o desejo do falecido pai para fazer dele um monge. Yukichi ficou bastante abalado e disse que nunca, jamais seria um monge. A mãe muito sábia então fez um acordo com ele: Não o mandaria para um Templo como futuro monge, desde que ele passasse a estudar. E foi assim que o caminho se abriu para o jovem, que um dia mudaria a História do Japão.

Na Escola se revelou um aluno aplicado e sobressaiu logo na classe. Era muito dedicado e nunca aceitava como verdades o que outros lhe diziam. Um dia, ele foi espiar o oratório que havia nas proximidades e, percebeu que todos os crentes estavam apenas orando para uma pedra! Uma pedra como as dezenas que havia no caminho. Depressa, sem que ninguém visse, ele trocou a pedra por outra. Queria saber se seria castigado pelos céus pela má ação. Uma mulher veio e juntou as mãos e orou. E nada aconteceu. Ele ficou pasmo, porque diziam que ali era sagrado e ninguém nem podia tocar no interior do altarzinho (Batiga ataru! O castigo viria!).

Fukuzawa percebeu que as verdades sempiternas eram um monte de mentiras para uns dominarem outros. E desse dia em diante, ele passaria a conferir in loco tudo que ouvia falar.

Nessa época, o Japão era um país fechado, só se relacionando comercialmente com a China e a Holanda. Olhava com desprezo os demais países do mundo e vivia em completo ostracismo, ignorando o que se passava fora do seu território. Eles temiam o Cristianismo, que derrubaria suas crenças sobre a divindade do Imperador. Acreditavam que era no Japão que o Sol nascia e, o Imperador descendia diretamente do Rei Sol (daí o sol na bandeira japonesa). A família imperial era venerada como se realmente tivesse descido dos céus! A nós parece conto de carochinha!

E justamente nessa época ali chegou o Comandante Peri, trazendo uma intimação do Presidente americano para abrir os portos do Japão ao comércio exterior Se se recusasse, os americanos atacariam o Japão com forte artilharia. E demonstraram isso atirando com o canhão em alto mar. Foi um Deus nos acuda! Os poderosos Daimyos tremeram na base e perceberam que, seus milhares de espadachins não seriam páreo para armas de fogo. Os japoneses só guerreavam com espadas. E os americanos disseram que voltariam em um ano para receber a resposta. Foi um Deus nos acuda! O Japão precisava se armar e de repente, formaram-se duas correntes: uma pela abertura dos portos e outra contra. A Casa Imperial era fortemente contra.

Foi então que o Sannosuke Fukuzawa teve a ideia de encaminhar o irmão Yukichi para estudar holandês. O objetivo era traduzir os livros holandeses que ensinavam a produzir armas de fogo. O Japão precisava formar sua defesa, seu exército e sua artilharia.

Yukichi se dedicou totalmente a essa tarefa e aprendeu a ler holandês em cem dias! E passou uns cinco anos estudando essa língua estrangeira e chegou a traduzir Dicionários Holandeses para o Japonês.  E foi Professor de Holandês...

No ano seguinte, conforme promessa, os americanos voltaram e mesmo não tendo autorização da Casa Imperial, diante da ameaça americana de um ataque, o Representante mor do Xogunato Ii Naosuke assinou o Acordo, abrindo os portos para o Comércio com os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Rússia, além da Holanda.

Foi uma abertura e tanto! De repente, estrangeiros invadiram os portos e os japoneses ficaram pasmos ao perceber a diferença física, além da língua inglesa tão difícil de compreender...

E foi aí que Yukichi percebeu decepcionado que o Holandês não mais servia. E teve que começar do zero, estudando Inglês...

Quando o Japão mandou uma missão aos Estados Unidos para acertar os termos do Acordo Comercial, Fukuzawa fez parte da Delegação. E chegando lá, todos os japoneses ficaram maravilhados com o progresso ocidental em termos de conforto nas casas, de transporte, de urbanização... E Yukichi constatou com pesar que, a sua terra natal estava muito aquém da cultura ocidental. Que era preciso retomar o tempo perdido e levar essa cultura para o Japão. E comprou o Dicionário Webster, que seria o primeiro a entrar no Japão.

Quando o Japão mandou uma missão diplomática para a Europa, Fukuzawa foi como intérprete do grupo. Foram recepcionados com muita festa e tudo indicava sucesso da missão. Mas... Ao retornarem da Rússia para a França perceberam que o clima havia mudado, todos foram tratados com muita frieza.

É que enquanto estavam percorrendo a Europa, houve um incidente grave em Kagoshima ken. Um Daimyo e seu séquito estava se dirigindo para Edo (Tóquio) e no meio do caminho, um turista inglês a cavalo tentou passar ao lado do palanquim. Isso foi considerado uma agressão inominável e, os samurais do Daimyo derrubaram o cidadão estrangeiro e lhe cortaram a cabeça! Naquela época, os vassalos e todos os cidadãos deveriam se ajoelhar e postar suas cabeças no chão, para a passagem de autoridades e até para os samurais. Quem ousasse levantar a cabeça, tê-la-ia decepada... O costume era esse. Mas o cidadão inglês não sabia de nada...

E Fukuzawa percebeu todo o atraso do Japão nesse incidente e no fato de nos países ocidentais haver Democracia, que permitia aos cidadãos escolherem livremente seus governantes. E então, resolveu contar para os jovens japoneses o que estava ocorrendo no mundo.

Passou a escrever livros e mais livros em linguagem acessível, e fazia palestras, tentando despertar a consciência da juventude, uma vez que os adultos não botavam fé em suas premissas.

Felizmente, seus livros tiveram sucesso e foram muito procurados. A Escola que abriu ensinava inglês e era bem frequentada. E pouco a pouco, a juventude japonesa, que nunca aceitou a servidão dos vassalos aos senhores feudais, acabou despertando. É verdade que os conservadores não aceitavam as ideias inovadoras e até um amigo do Fukuzawa foi assassinado, por pregar a ocidentalização de costumes.  Naosuke que assinou o Tratado de Abertura dos Portos também foi assassinado numa emboscada. Pelo grupo que não aceitava estrangeiros no Japão. Atraso grande, ideias medievais, difíceis de superar...

Fukuzawa Yukichi foi o homem que modernizou o Japão anacrônico, combatendo velhas ideias de domínio e servidão. Foi ele quem disse a um pai que lamentava o nascimento de mais uma filha: “E que mal tem em ser uma menina? Desde que seja forte e saudável, fique feliz!” Naquela época o machismo imperava e todos queriam só filhos homens...

Também ele pregava a igualdade entre os homens: “Deus não colocou ninguém acima de uma pessoa, nem abaixo dela”

“A melhor forma de ser livre é através do estudo”

E ele provou isso não só libertando a si mesmo, como ao próprio país natal através do estudo. Estudo que durou a vida toda!

Ele é considerado a luz que incandesceu para tornar o Japão um país moderno, libertando-o dos grilhões do anacronismo.

Mirandópolis, janeiro de 2020.

Revisado em abril de 2022.

kimie oku in

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sábado, 11 de janeiro de 2020


               Estranhos caminhos!
Descobri recentemente, um grupo aqui no face que me encanta todos os dias.
É o Grupo "Caligrafia Japonesa e Kanji".
Entrei no grupo como quem não quer nada, só pra espiar...
E descobri que o grupo é sério, tem centenas de participantes e, todos estão empenhados em aprender a Língua Japonesa.
Gostei do nível cultural das pessoas. Gente que fala e escreve muito bem, inclusive em kanji. Estão muito além de mim, porque ainda estou engatinhando.
Agora sim, estou no caminho certo!
Vou me empenhar mais.
E quem sabe, um dia escreverei minhas crônicas em japonês?
Se der tempo...
Mirandópolis, janeiro de 2020.
kimie oku in
http://cronicasdekimie.blogspot.com.br/

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020


            Estudando a língua materna
     
      De repente me deu uma vontade imensa de voltar a estudar a Língua Japonesa.
      E me inscrevi num grupo de estudos de pessoas que pesquisam, estudam e trocam ideias sobre o alfabeto e a cultura japonesa. O grupo é de “Caligrafia Japonesa e Kanji” no face e é muito interessante. Tem gente afiada que ensina os iniciantes e tem gente que estuda pra caramba. Estou tentando me localizar no grupo, mas estou bastante animada, porque não estou sozinha nesse aprendizado.
      E ao longo dos anos que venho estudando, percebo que quanto mais estudo, mais quero saber e mais kanjis são criados no dia a dia. Então, em Japonês, você nunca saberá tudo, como no Português, que se resume no alfabeto com vinte e seis letras ou sinais.
      O alfabeto japonês é originário do antigo chinês, mas bem simplificado. Muitos ideogramas lembram as figuras que representam. Inicialmente, eram usados ícones, que foram simplificados para facilitar a escrita. A palavra RIO é representada por três traços, que escorrem de cima para baixo. MAMÃE é representada por um quadrado (bolsa ou útero) amarrado onde há duas gotas (leite). E por aí vai...
       Saber o significado dos traços facilita a memorização. A questão é que existem muitos ideogramas e decorar todos eles é uma barra. A lembrança mais singular e comovente que tenho é de meu pai traçando com o dedo, os ideogramas na mesa da cozinha. Ele usava as gotas d’água que caiam das tampas de panelas, quando mamãe punha a mesa para a gente almoçar ou jantar. Éramos tão pobres que nem usávamos toalhas na mesa. E na tábua crua e lisa, papai desenhava os ideogramas, que só ele sabia ler. Sempre ele fazia assim e por respeito à sua concentração, nunca perguntamos o que significavam aqueles símbolos. Mais tarde descobri algumas anotações suas e constatei que ele tinha uma letra muito bonita.
      Nunca frequentei uma Escola Japonesa quando criança. Getúlio Vargas proibiu o funcionamento de Escolas japonesas, porque o Brasil estava ao lado dos Aliados e contra o Japão na Segunda Guerra. O governo brasileiro temia uma rebelião dos japoneses aqui radicados com a derrota do Japão. E com isso, perdi a oportunidade de estudar a língua materna na infância. Só depois de adulta e já me aposentando como Professora é que passei a estudar o Japonês. E descobri que estudar a Língua japonesa é um grande desafio.
      Já li muitos livros japoneses sobre alguns heróis do Japão e copiei textos e mais textos com o pincel e tinta a carvão. Aprendi muitos ideogramas, mas estudar sozinha é desanimador.
      Mas, agora bola pra frente! Achei um grupo no face que também estuda. E estou muito animada.
      Gambarimashou ou vamos pelejar!
      Mirandópolis, janeiro de 2020.
      kimie oku in


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019


             Amigos artistas
      Outro dia, a Regina Cheida comentou que talvez ela e o Lázaro seu esposo fossem artistas. Ela no atelier com as telas e os pincéis produzindo obras lindas, já famosas. Ele na sua Oficina forjando peças pesadas de metal, compensadas com filigranas delicadas, personalizando-as. Realmente, eles são artistas, cada um no seu mister. E que artistas!
      E aí andei fazendo uma análise de meus amigos que colocam a alma em tudo que fazem. E descobri que tenho uma porção de amigos artistas. Sim, porque quem se dedica totalmente à produção de algo acaba virando perito, acaba artista mesmo!
      A Cristina Pesci que faz ikebana. Tem que ser artista para chegar ao nível de despojamento e leveza em seus arranjos florais. Cada arranjo seu nos conduz a um mundo de encantamento e beleza.
      O Marinho Guzman que tira fotos de suas modelos para os Biquinis Guarujá. Cada foto maravilhosa, que não só destaca o produto mas realça a beleza das meninas. Com estilo e classe.
      A Rosa Chimoni poeta que fala do luar, da chuva e do Líbano com propriedade inigualável. Versos recheados de saudades... Alma de poeta.
A Ana Caldatto que é fissurada em coisas antigas e belas e está montando um Acervo das incríveis criações do homo faber. Além do número infinito de bonecas de todos os tempos.
      A Maria Célia Sanches Drubi que mora num morro/paraíso e partilha tudo que há de belo no local com os amigos distantes.
       O Ademar Bispo que é um excelente contador de”causos”.
      O Francisco Falcão Moura Moura e o Claudimir Arruda Tramonte que amam a natureza, e fazem mudas de árvores para  distribuir entre amigos. Já fui premiada várias vezes...
      A Hissami Minomi Yoshida e sua equipe que tira as dores dos pacientes com sua massagem terapêutica, e devolve a alegria de viver. Tem que ser excelente artista para tirar as dores dos joelhos, da coluna vertebral...
      A Silvana Osaki minha sobrinha que virou Ceramista. E está produzindo lindas peças, que eu amo e vou conhecer um dia. Ainda vou!
      O César Noriyoshi Oku meu filho que produz escapamentos especiais de motos e já é conhecido em algumas partes da Europa.
      O Emerson Alexandre da Selaria Missioneira, que faz artesanalmente peças lindas de metal, como se fossem verdadeiras jóias. Facas, punhais e peças decorativas para cavalos.
      Marisa Abud que promove recepções de casamentos com luxo, requinte e bom gosto.
      Raquel Moreno arquiteta já conhecida pelo seu trabalho, que faz bombons que derretem na boca. Hummmmm!
      Alexandre Pimentel Gonçalves ortodonto que devolve o sorriso aos pacientes e amigos. Serviço impecável de artista mesmo!
A Toshiko Aoki que borda como ninguém. Já ganhei peças maravilhosas bordadas e crochetadas. Tesouros.
O Gabriel Carbello que sabe sempre ponderar sobre os encaminhamentos na vida. Experiência, bom senso e sabedoria sobre qualquer abordagem tornaram-no respeitado e admirado na sociedade.
E a Neyde Pavesi que, mesmo carregando dores infinitas se tornou um Anjo na terra para consolar os aflitos. Neyde, Neyde, Neyde.
Obrigada, meu Deus por me cercar de tanta gente maravilhosa, peritos em cada ramo e artistas completos na sua maneira de viver. Talentos de sobra me cercam!
Mirandópolis, dezembro de 2019.
kimie oku in

Não preciso de gente famosa. Tenho