Vitrine
de desejos
A televisão é na
atualidade a maior diversão das pessoas. A telinha prende a atenção com suas
chamadas, com notícias trágicas, jogos e novelas.
Quando dá uma folga, todo mundo se
instala num sofá confortável, para ver o que é que está acontecendo no mundo.
As novelas e os jogos de futebol são os campeões de assistência. Tem gente que
não responde às perguntas, nem atende ao telefone e à campainha na hora das
novelas, e dos jogos. Está tão fissurada no que acontece na tela iluminada, que
o resto não tem importância...
Então,
todos ficam condicionados às ordens da pequena telinha, que manipula mentes e
estabelece o estilo de vida da grande maioria. É difícil se libertar...
Felizmente,
os jogos acabam e, as novelas são apresentadas em série, e continuam nos dias
subsequentes.
Entretanto,
esse aparelhinho tem uma coisa insidiosa, que vai entrando na vida das pessoas,
sem que elas se apercebam. São os comerciais, que repetem dezenas ou centenas
de vezes, mensagens para o telespectador comprar isso ou aquilo. E repetem e
repetem tanto que chega a cansar.
Mesmo
que você não queira, a mensagem acaba entrando na cabeça do telespectador, como
está acontecendo comigo agora, com as panelas elétricas de fritar sem gordura.
E eu pouco assisto a tevê. De uns dias pra cá, estou sentindo desejo de comprar
a tal panela, mesmo não precisando dela...
Tenho
consciência da pressão do marketing, que é insistente e quer conquistar boa
fatia dos compradores. Sei que posso viver muito bem sem a tal panela. Para
isso, basta evitar as frituras e fazer mais assados, para cuidar da saúde. Mas,
quando a ideia se instala na cabeça da gente é difícil eliminá-la. Talvez acabe
me rendendo e comprando mais essa panela... Ai de mim!
Ontem
ouvi tanto sobre uma mulher que fez um regime e perdeu cento e quarenta quilos.
Ela pesava mais de duzentos. E o apresentador transformou a corajosa mulher em
heroína, por ter conseguido tal feito. Só que ela comia quatro pães franceses
no café da manhã, tomava sorvetes várias vezes ao dia e, por aí foi...
Enquanto
o programa prendia a atenção de muita gente no país, pensei comigo que a
desgraça da moça deve ter começado pela televisão.
Porque
não é a televisão que sugere o que comer ao café da manhã, com os pães
deliciosos recheados de presuntos, mortadelas e queijos? Não é a mesma tevê que
sugere sorvetes de todos os sabores e cores? Não é ela que empurra os
refrigerantes, que incham mais e mais os consumidores? Não é ela que empurra a
cerveja, que está tão acessível a todo mundo, até para menores? Não há nada
mais sugestivo que, uma imagem de gente famosa tomando uma cerveja super
gelada, em tardes quentes de verão. É tiro e queda, principalmente se for
durante a transmissão de um jogo nervoso, em que o time do coração está
perdendo...
E
as pizzas com queijos derretendo sobre tomates madurinhos? E os lanches do Mac’Donalds? Esses não
perdoam, vendem mesmo! Mesmo sendo só aparência, e nem sendo tão deliciosos.
A
tevê é um instrumento de intimidação, de coerção, que faz o telespectador só
pensar pelo estômago. E o pior é a propaganda subliminar, que aparece durante
as novelas, com as personagens sorvendo um vinho, um refrigerante, vestindo uma
determinada marca de roupa, joias e calçados. E carros e motos, tudo é
propaganda pura...
E
quando o telespectador é meio alienado, incapaz de analisar o que vê e ouve,
acaba consumindo tudo como foi sugerido. E aí estará pesando duzentos quilos ou
mais, em pouco tempo.
E
então, as famosas apresentadoras que ganham a vida através da Mídia, aparecem
com os médicos e terapeutas, para ensinar o povo a controlar o apetite, perder
peso e recuperar a saúde perdida... Para a maioria já é tarde demais. E entre
um terapeuta e outro, traz um cozinheiro para incrementar o almoço de cada dia,
com delícias irresistíveis. E nos intervalos, comerciais de aparelhos para
fazer ginástica em casa, para perder peso. Incoerência flagrante!
E aí, vêm um desses Geraldos da vida, que
descobriu uma mulher que conseguiu o impossível e a transforma em heroína,
garantindo a sua audiência em cima dos pobres coitados, que foram cevados pela mesma tevê, que sugeriu
coma isso, coma aquilo, beba isso e beba aquilo.
Televisão,
vitrine de desejos, de ilusões. Fábrica de consumidores alienados e sem
personalidade. Que produz monstros pesando centenas de quilos, que não cabem em
cadeiras e sofás, que não passam em catracas.
Porque ela quer transformar todo mundo em
consumidor voraz, descontrolado... Porque é preciso vender, não importa se o
mercado apodreça ou morra. O que importa é o money para garantir a existência
da marca...
Propaganda
comercial, a desgraça dos tempos atuais usa o meio mais torpe para vender
produtos.
Ainda
bem que ela não consegue ainda, passar para os telespectadores o cheiro das
comidas deliciosas que vende... O consumo iria triplicar-se.
Mirandópolis,
junho de 2014.
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