sexta-feira, 11 de janeiro de 2019





            Juro que não entendo!
       
       Durante a última Campanha eleitoral, o meu Professor de Piano Gustavo Ordine me perguntou: Como foi viver na Ditadura Militar?
       O Gustavo é um jovem que nasceu pós Ditadura e, como gosta de ler sobre a História do Mundo e mais ainda sobre o Brasil estava realmente interessado em saber se, durante a Ditadura que durou 21 anos (de 1964 a 1985) nós os cidadãos comuns havíamos sofrido repressão por parte do Governo, se fomos proibidos de exercer nosso direito de ir e vir e de falar.
       A pergunta me pegou de surpresa e até hoje não consegui respondê-la direito. E hoje já passados alguns meses vou tentar responder, Gustavo.
       Naquela época eu havia passado no primeiro Concurso para o Magistério do Estado de São Paulo. E fui nomeada para trabalhar efetivamente no Grupo Escolar de Tabajara, no Município de Lavínia. Naqueles tempos bravios, só havia rádio e costumávamos ouvir novelas mexicanas (O Direito de Nascer) e o Repórter Esso, que dava as últimas notícias do Brasil e do mundo. E à noitinha era transmitida A Voz do Brasil, que era o noticiário oficial.
       Televisão não havia, e só o vozerio grave dos locutores ao som do Guarani de Carlos Gomes não atraia os nossos jovens ouvidos. Nem sabíamos o que se passava nos bastidores do Governo, por ignorância pura. Nem seria ignorância, seria mais alienação, porque morávamos no sítio e tínhamos poucas informações. No mais, ia à escola cumprir minha tarefa de segunda a sábado, recebia o pagamento no mês seguinte, tinha férias e era só. Nunca alguém me impediu de trabalhar, nem de ir e vir onde quisesse.
       Um dia, um esquadrão da Polícia Federal baixou na casa de um japonês em Lavínia, atrás de um moça universitária. Foi o maior fuzuê, pois estavam atrás de uma terrorista, que diziam ter assaltado Bancos usando fuzis metralhadoras. Foi um imenso choque para a família de granjeiros, que mandara a filha estudar em São Paulo. Mais tarde, soubemos que seria a atual esposa do político José Genoíno, que também era estudante e também participava do grupo de assaltos. Em termos de repressão foi só o que eu soube na época. Mas, ninguém entendeu nada... eu menos ainda.
       Havia sim, canções que foram censuradas como Proibido proibir de  Caetano Veloso; Aquele abraço de Gilberto Gil, que foi escrito no camburão quando foi preso; O bêbado e o equilibrista de Aldir Blanc e João Bosco; Cálice de Chico Buarque e Gilberto Gil; Mosca na sopa de Raul Seixas e Pra não dizer que não falei das flores de Geraldo Vandré que se tornaria o Hino da Resistência ao Regime Militar, e foi por muito tempo proibida de ser entoada pelo Exército Brasileiro.
       A perseguição a esses músicos e cantores aconteceu porque eles inseriam suas críticas ao Regime Militar, com versos para despertar o povo. Assim, “Pai, afasta de mim esse cálice/ pai, afasta de mim esse cálice/ pai, afasta de mim esse cálice/ De vinho tinto de sangue!” a palavra cálice foi interpretada pela sua homófona Cale-se, que o Regime gritava aos poetas e jornalistas que protestavam...
       Raul Seixas que era um crítico sátiro por natureza cantava: “Eu sou a mosca/ Que pousou na sua sopa/ Eu sou a mosca / Que pintou /Pra lhe abusar/ Eu sou a mosca que caiu na sua sopa/ E não adianta vir me dedetizar/ Pois nem o DDT pode assim me exterminar/ Porque você mata uma/ E vem outra em meu lugar!” era pura provocação aos policiais que o perseguiam.
       Elis Regina cantou O bêbado e o equilibrista de Aldir Blanc e João Bosco: ...” Que sonha com a volta do irmão de Henfil/ Com tanta gente que partiu num rabo de foguete/ Chora! A nossa Pátria mãe gentil/ Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil!”  Irmão de Henfil, o sociólogo Herbert de Sousa que se exilou no México para fugir da prisão... Maria e Clarisse eram as mulheres do metalúrgico Manoel Fiel Filho e do jornalista Vladimir Herzog torturados e mortos no DOI CODI, São Paulo.
       Mas o que pegou mesmo foi Pra não dizer que não falei das flores ou Caminhando, de Geraldo Vandré: “Há soldados armados/ amados ou não/ quase todos perdidos/ de armas na mão/ Nos quartéis lhes ensinam/ uma antiga lição/ de morrer pela Pátria/ E viver sem razão.”
       Todas essas interpretações ficamos conhecendo bem depois dos acontecimentos, porque nada disso era noticiado. Não havia tevê nos primeiros anos, e o noticiário era publicado em jornais de papel, inacessíveis para a maioria do povo.
Essas canções utilizando metáforas ou não, eram um claro protesto contra os desmandos dos militares que perseguiam os jovens artistas, cantores, poetas e jornalistas... milhares de intelectuais foram presos e exilados. Muitos se mandaram para outros países para fugirem da Repressão. Políticos famosos que aí estão agora no cenário brasileiro tiveram que se refugiar no Chile, nos Estados Unidos, na Argentina, no México, para fugir da perseguição da Polícia Militar do Brasil. Dentre eles, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, José Dirceu e tantos outros que mais tarde foram anistiados com a Abertura política para a Democracia, no final do Governo Militar.
Houve repressão, sim! Só que a maioria das pessoas nem ficou sabendo. Nós estávamos ocupados demais trabalhando, tentando melhorar nossas condições de vida. As revoltas, as críticas à opressão ficaram por conta de intelectuais, jornalistas e políticos que assistiam a tudo e viam o DOPS –Departamento de Ordem Política e Social e o DOI-CODI –Destacamento de Operações de Informação e Centro de Operações de Defesa Interna do Exército cometendo excessos sobre os ditos subversivos (cidadãos que denunciavam os abusos das autoridades). E os militares exerceram sua prepotência com excessivo rigor, escudados numa ordem de punição sem limite jurídico, ético e moral. Mais de seis mil pessoas foram torturadas e 434 civis mortos... Página mais negra de nossa História, após a Escravidão.
Pois bem, nesse período de rigorosa repressão do governo, nossos artistas mais famosos produziram peças lindas como as canções acima citadas, que cantavam a Liberdade e o desejo de ser feliz... Políticos inconformados com a situação de sua Pátria, sendo governada por militares duros e tacanhos se opuseram com vigor contra as medidas do governo Militar. E para fugirem da perseguição e da prisão se auto exilaram em outros países. Como o Chico Buarque, o Gil, o Betinho irmão do Henfil, o FHC, o José Serra, o Dirceu, o Genoíno, o Caetano e tantos outros menos conhecidos.
Quando a tevê se popularizou, Dias Gomes mandou para os lares a novela O Bem Amado, que era uma sátira aos governantes sempre tão poderosos. Paulo Gracindo encarnou bem a figura de Odorico Paraguassu, que celebrizou a expressão “imprensa marronzista” se referindo ao noticiário verdadeiro publicado pelos jornais contrários ao Governo...
Durante os anos duros de Ditadura, os chamados “anos de chumbo” os intelectuais brasileiros criaram peças lindas, canções que ficaram para fazer história. E todos os brasileiros passaram a idolatrar o Chico Buarque, o Caetano, o Henfil, o jornalista Vladimir Herzog, o músico e compositor Geraldo Vandré, a Elis Regina, a Rita Lee... E a paixão por eles foi fortalecida quando foram anistiados. Fizeram carreira, ficaram ricos porque venderam muitos CDs e shows.
Pois bem, mas o que eu não entendo é isso!
Como essa gente que produziu tanta coisa linda, que um dia amamos de verdade pode nos trair e se bandear para o outro lado?
Estavam anistiados, circulando felizes, vendendo a rodo...
Por quê tiveram que meter as mãos nos tesouros da Nação, dilapidando as nossas mais caras Instituições? Por conta do que sofreram na Ditadura se julgaram no direito de roubar a própria Pátria? Nunca tiveram empatia pelo povo, que madruga todos os dias por um mísero salário, e labuta o dia todo para fazer esse país funcionar? Nunca pensaram como é dura a vida de quem depende dos Hospitais Públicos? Hospitais que se transformaram em depósitos de doentes sem tratamento, sem esperança por falta de recursos que foram desviados? Nunca pensaram que a juventude se perderia irremediavelmente sem uma boa escola, sem uma boa Educação? E esses jovens zumbis que vagam pelas ruas sem destino, não são o resultado direto de suas roubalheiras? Que roubaram o que era destinado para melhorar a qualidade de nossas Escolas, de nossa Educação? Que roubaram todo o dinheiro destinado para combater o tráfico de drogas? Vocês beneficiários da Lei Rouanet e vocês políticos corruptos, que se apossaram de milhões e milhões que não lhes pertenciam, não percebem como vocês são mais perdidos que esses zumbis? Por que vocês estudaram nas melhores Escolas, tiveram a glória do sucesso, lutaram contra a opressão e tiveram a chance de dar a volta por cima.
Mas se perderam totalmente e irremediavelmente por uma única razão:
Ganância.
       E isso eu não entendo!
Decididamente não consigo entender...
Mirandópolis, janeiro de 2019.
kimie oku in



terça-feira, 8 de janeiro de 2019




 Casa de Música   
             
             
            Sempre sentia muita tristeza quando via as casas vazias de seus moradores, que haviam partido para sempre...


     Durante muito tempo passei diante da casa da minha primeira Professora de Piano Dona Maria das Dores Kamla Bruzadin, com um misto de tristeza, reverência e saudade. Também diante da casa dos Braga, dos Abud, dos Conrado, dos Bonadio... As pessoas são recolhidas por Deus, mas suas casas continuam aqui na terra, vazias de suas presenças... E para mim, era inevitável pensar nessas pessoas e relembrar seus rostos amigos.
     E tantos amigos já partiram, e deixaram suas moradias recheadas de seus pertences, de suas coisas mais preciosas, porque nada se leva desta vida. Dinheiro, joias, livros, coleções de objetos raros, trajes de luxo, calçados finos acabam empilhados sem que seus donos voltem a usá-los. Só terão serventia se doados a alguém, que possa usufrui-los...
   Um amigo comprou uma casa recentemente, com todos os pertences do antigo morador. Como era Médico, havia uma Biblioteca inteira de livros de Medicina... Ao consultar os herdeiros sobre o que fazer com eles, disseram: “Queime-os!” E ele não teve coragem de fazer isso. Doou-os a um jovem estudante, para que possa aproveitá-los. E havia um carro na garagem também, que ele vendeu porque a família não o queria mais... Não era um carro muito novo mas funcionava perfeitamente. Estou contando isso, porque ele ficou muito indignado com a indiferença da esposa e dos filhos em relação às coisas do falecido. Mas, o pior ainda estava por vir. Como havia muitas fotografias da família, ele pediu para que fossem buscá-las. Mas a resposta foi: “Pode queimá-las!”
     Estranho mundo, onde sentimentos morrem junto com as pessoas que falecem. Enterram junto e se esquecem de tudo que foi vivido, compartilhado, chorado e festejado. Mundo cruel demais.
     Um dia conheci uma amiga de mamãe, dona Maria Ito que faleceu há uns anos. Eu a conheci num Cursinho de Japonês, que um Professor resolveu dar uma vez por semana no Clube Nipo. Éramos em seis mulheres interessadas em aprender a Língua Japonesa. Eu era a mais analfabeta de todas, mas aprendi muito nesse curso. Durou pouco, mas me deu a iniciação para estudar sozinha em casa. Dona Maria era a senhora mais simpática, sempre sorrindo, sempre disposta em me ajudar nas dificuldades, porque eu não entendia absolutamente nada do que o Professor falava. Às vezes, ele contava algo engraçado e todas riam e eu abobada...
     Pois bem, dona Maria morava numa casa grande cercada de flores e era uma mulher feliz. Seu marido havia falecido há um tempo, mas ela continuou na mesma casa, com a mesma alegria de sempre. Era participante ativa de todos os eventos do Clube Nipo. Mas, um dia, ela faleceu...
 E a casa ficou vazia.
    
Seus filhos moram em São Paulo e não quiseram se desfazer da casa. Passaram a alugá-la.
E por um feliz acaso para lá se mudou o Conservatório Musical de Gustavo Ordine. E com ele, lá fui eu tocar piano.
E ontem ao retornar às aulas, percebi que o pé de ixora vermelha está toda florida. ixora que ela deve ter plantado um dia. Já virou quase uma árvore, e está deslumbrante coberta de flores. Não resisti e tirei umas fotos!
Mas, o mais interessante é que a sua casa, dona Maria virou uma casa de Música! Lá tocamos valsas e sonatas ao piano, e canções ao teclado; os meninos tocam guitarra, violão, bateria... Enfim virou a casa do barulho!
Tenho certeza dona Maria que, deve estar encantada porque a sua casa virou uma casa feliz! Uma casa recheada de sons, do, re, mi, fa, sol... de sustenidos de bemóis, de staccatos. Todos os dias, é um desfilar de alunos que querem encher de som seus aposentos... E as canções vão vibrando de sala em sala, e se derramam pelas portas e janelas. E invadem as ruas e deliciam alguns passantes... A felicidade se derramando para alegrar o mundo.
Dona Maria, a sua casa é a única vazia que me deixou feliz!

Mirandópolis, janeiro de 2019.
kimie oku in

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018




              Pets Não!
      
     De uns tempos para cá, todo mundo adotou um bichinho como se adotasse um filho de verdade. E isso virou uma febre.
      Difícil é descobrir famílias sem um gato, um cachorro, uma tartaruga, uma lebre... Eu sou uma dessa raridades e, as pessoas apaixonadas pelos pets me olham desconfiadas por não tem um bichinho em casa.
      Fui criada no sítio, e os cães com quem convivi eram cães de guarda, viviam no quintal e comiam restos que sobravam de nossas refeições... Não me lembro de ter carregado cães e gatos no colo, porque eram filhotes de seus pais e a eles competia cuidar deles.
    Quando me tornei adulta e já era professora, alguém me deu um cachorrinho preto, peludinho, que parecia uma bola de lã. Veludo... Era um filhotinho e chorava a ausência da mãe, dia e noite. Dei-lhe leite e carinho para que parasse de chorar, e aos poucos acabou se acostumando sem a mãe. Mas, essa experiência foi truncada um dia, porque o bichinho foi atropelado por um caminhão e ficou horas gemendo de dor... Só morreu quando cheguei da fazenda onde lecionava, e alisei o corpo machucado, arrasada por nada poder fazer. Naquela época não havia Clínicas Veterinárias...
      Essa experiência foi muito traumática.
E um dia conheci o Jackson, um cachorro alto, de pelos longos e pretos que brilhava demais ao sol. Parecia ser da raça Setter, mas era negro como carvão e parece que os Setter são de cor marrom. O dono era um fazendeiro que fora para sua terra de origem nas Arábias rever parentes, e por um infortúnio acabara falecendo por lá... E como o homem não voltava, o bichinho chorava e gania o dia todo, e atacava os bezerros da fazenda, causando grandes transtornos. Ele não aceitava ficar preso. E o Administrador da Fazenda, um cearense arretado chamado José João me pediu que ficasse com ele. Levei a carga preciosa para um sítio perto de Tabajara, que distava uns 40 quilômetros de distância. Foi sobre uma camioneta e lá ficou com meu irmão e sua família. Para que não fugisse, amarraram-no e cuidaram dele com comida e água. Após uma semana, quando ele estava mais calmo, tiraram-lhe a coleira. No mesmo instante, ele saiu como uma flecha e desapareceu. Quando cheguei no final de semana lá, soube do ocorrido e fiquei com muita pena do Jackson, imaginando por onde andaria... Ao retornar à Escola na segunda feira, soube que o Jackson havia voltado para a Fazenda... Chorei muito por ter lhe causado tanto sofrimento, percorrendo 40 quilômetros para voltar para casa... E prometi a mim mesma que nunca mais teria um cachorro.
Anos mais tarde, um filho meu apareceu com um filhote de boxer, de cor marrom e branco. Era lindinho. E mesmo não querendo mais me apegar a bicho nenhum, acabei cuidando dele porque os filhos trazem esses bichos, mas quem acaba cuidando sempre é a mãe. Quer queira ou não. E o Fred era um cachorro muito dócil apesar de enorme e pesado. Cresceu rápido e gostava muito de brincar com crianças. Eu me lembro que certa vez, ele foi comigo ao Bosque Municipal e estava tranquilo andando comigo. De repente, apareceu um bando de crianças da APAE local. Fred foi lhes dar as boas vindas, mas as crianças não entenderam e gritaram e choraram! Fui lá e acalmei as crianças. Daí a pouco, ele estava no meio de uma roda saltando e aparando a bola, que os meninos jogavam para ele. Foi uma festa! A meninada foi embora  dando chau para ele...
Mas o que o Fred gostava mesmo era ir pro nosso sítio. Logo que lá chegava, ia no meio do pasto e escolhia uma vaca, a quem atormentava por horas e horas latindo na sua cara... A vaca avançava nele, ele corria e depois voltava à carga. Quando estava cansadíssimo de tanto latir, pulava no açude e se refrescava. Depois, voltava novamente para a missão de atormentar a dita vaca... Isso era pela tarde inteira...
Quando ele estava com mais de dez anos, teve a doença da moda Leishmaniose, que o deixou magro, triste e esquelético. Na época não havia remédio para sua cura. Por orientação do Veterinário Tom, tivemos que sacrificá-lo... Ele não queria morrer, e resistiu à droga por duas horas no meu colo. Chorei como louca e o Tom também sofreu muito. Nós o enterramos no barranco lá do sítio, que tanto amava. Pertinho da porteira, para dar as boas vindas a todos que lá vão...
Então jurei que não mais aceitaria um pet em casa.
E desde então, nunca mais tive um cão, um gato.
Mas, de coração respeito os bichos e morro de pena dos cães e dos gatos tão indefesos, que gente da cidade descarta jogando-os lá no sítio. O caseiro que lá mora faz o que pode, mas não consegue cuidar de todos. Toda semana há novos cães e gatos. E ninguém lhes leva ração. Uns morrem atropelados na Vicinal que passa pertinho, outros desaparecem... E eu não pretendo ter um canil nunca. Cada dono que se responsabilize por suas ações.
Por tudo isso, adotei os pássaros como meus pets. Em especial os pardais da cidade. Eles não se deixam aprisionar, vivem cantando soltos, procriando no forro da minha Biblioteca e não atormentam ninguém. Gosto de vê-los tão livres, brincando em poças de areia ou de água, brigando por uma migalha de pão, que lhes ofereço todas as manhãs ao tomar o meu café. E como cantam!
Dentre eles, havia um rabicó, que voava desajeitado, acho que por falta de equilíbrio, mas desapareceu. Talvez na boca de um gato, que aqui há aos montes... Os pardais são os meus despertadores. Toda manhã, os filhotinhos pipilam pedindo comida para os pais... Depois são as maritacas barulhentas e escandalosas que ajudam na Sinfonia. Também há os pombos. os fogo apagou, os peixe frito, as rolinhas, a pomba Juriti que chora como uma criança... E também vejo muitas gralhas cruzando os céus, além das araras que parecem conversar enquanto voam aos pares...
E lá no sítio, aparecem tucanos, bem te vis, sabiás, tico ticos, melros, joões de barro tão mansinhos, canários da terra, chupins... Uma infinidade. Até siriemas e garças.
E nunca pretendo aprisionar essas aves, porque elas foram feitas para voar, e não para ficarem limitadas a espaços. A vocação do homem e dos bichos é andar, pra isso Deus nos deu duas pernas ou quatro patas... Imaginem se nos prendessem numa árvore para nunca mais andar! É exatamente assim que devem sentir os pássaros presos em gaiolas...
Por isso, os meus pets estão soltos no espaço e muito felizes.
Mirandópolis, dezembro de 2018.
kimie oku in






 [U1] Meninada foi


 [U2]

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018


   Ainda a Lei Rouanet

Quando um cidadão precisa sustentar a família e fica desempregado, parte quase sempre para montar um barzinho, um carrinho de churrasquinho, uma lavanderia ou uma pizzaria.
E tem que ir ao Banco pegar um empréstimo.
      Taxas pesadas. Mas não tem opção.
Com o coração apertado acaba jogando na sorte.
Ele estará por conta própria e sem apoio de ninguém.
Ninguém garantirá que terá sucesso!
Mas a dívida no Banco estará correndo todos os meses, exigindo o pagamento de juros, que irão se acumulando.
E o cidadão passará meses sem dormir, inventando mil artifícios para chamar a clientela.
      Uma promoção no fim de semana.
Sorteio de um prêmio.
Anúncio nas ruas...
E a família faz o que pode para ajudar e não deixá-lo desistir.
Dependendo da falta de experiência e do bom senso, poderá vencer ou ser derrotado.
Em seis meses.
E isso ocorre todos os dias.
Todos os dias nesse imenso Brasil.
E ninguém se importa...
E a maioria é composta de gente honrada, que só quer uma oportunidade. Para vencer.
Porque precisa urgentemente de uma renda.
Para sustentar a família.
Para não sair roubando por aí...
Mas ninguém se importa.
Porque não é um artista,
Não é um cantor.
Não é um apresentador de shows.
Não é um ator de teatro.
Não é um jornalista de renome...
Por isso ele não terá uma Lei Rouanet para ampará-lo.
Dirão que lavanderia, pizzaria, barzinho não são culturas.
E sobrevivência não importa?
      Mirandópolis, dezembro de 2018.
kimie oku in


sábado, 8 de dezembro de 2018



            Solo Sagrado
        
       Estive hoje de manhã conversando com a minha irmãzinha Akemi, que partiu tão jovem... Sete meses já.
Como sempre levei uns kalanchoês de cor laranja, que era a sua cor predileta... E retirei as folhas e as flores secas dos vasos que lá estavam, mas cheios de botões prometendo novas flores. Enquanto fazia isso pedi a Deus que lhe dê paz e descanso, porque mesmo sendo uma mulher pequenina, batalhou muito para dar conta de sua missão. Viúva com 54 anos, teve que se desdobrar para encaminhar os filhos nos estudos, além de cuidar dos sogros idosos...
Hoje os meninos estão pelejando para dar conta de suas famílias, dos filhos e do trabalho tão necessário. Pelejando muito. Então, pedi a ela que não descuide deles e dos netinhos, que ela não conseguiu curtir quase nada, por ter ficado enferma.
E lá diante da armação escura onde está descansando, diante das flores e das chamas das velas que ameaçavam apagar-se,  sentindo o vento sul nos cabelos e no rosto, percebi que ela entendeu tudo que orei, que lhe pedi. Porque éramos tão ligadas e sentíamos na mesma medida, as emoções dessa vida.
Quem pode explicar a morte? Por mais que se reflita, é um mistério inexplicável, que só poderemos entender quando ela nos atingir. Até então, devemos seguir o caminho e cumprir a missão  a que fomos destinados.
Muita gente não cultua os mortos, porque dizem que lá só está a matéria a dissolver-se definitivamente. Mas, a imagem da pessoa amada, as palavras trocadas, o carinho, as confidências, as alegrias compartilhadas, as lágrimas derramadas não se dissolvem assim. Tudo isso fica guardado para sempre na alma, confortando todos que ficaram para trás... Lembranças, doces e tristes lembranças...
Então, sinto necessidade de visitá-la, de conversar com ela, de lhe contar coisas boas, que aconteceram para os seus e para os meus filhos... Mesmo que o mundo inteiro a esqueça, os familiares continuarão visitando-a, levando flores frescas, acendendo velas e incensos. É verdade que não passa de uma visita espiritual, mas como consola a alma! Volto sempre mais confortada das saudades. E não fico pensando em como seria bom vê-la e tocá-la, porque tudo isso é um sonho impossível. Após a partida definitiva, só podemos sentir e pensar nas lembranças que ficaram. E eu sou muito grata pelas lembranças maravilhosas que ficaram.

Conheço pessoas cuja religião renega o culto aos mortos, e não visitam cemitérios, porque dizem lá está apenas a matéria de alguém que um dia viveu. Tenho muito dó dessas pessoas, porque mesmo a matéria representava alguém muito querido, e preenchia um espaço na vida dessas mesmas pessoas, na casa dessas mesmas pessoas, no convívio dessas mesmas pessoas... Negar a matéria é como se renegasse a importância de todos os que partiram...
Em todas as Civilizações sempre houve o culto aos mortos, aos antepassados. Porque sem eles, nós não estaríamos aqui. Os ancestrais estabelecem a ligação do primeiro homem até a humanidade dos dias de hoje. Mesmo nas Civilizações antigas, sempre houve uma destinação respeitosa para os corpos dos que morriam. Entre os primeiros habitantes da América, os índios também reservavam espaço em seus territórios, onde depositavam os mortos das tribos. E para eles ali era um solo sagrado, inviolável.
E eu também considero sagrado o solo onde repousam meus antepassados. Certo ou errado, tenho uma reverência especial por todos os mortos que lá descansam.
É onde irei descansar meus ossos também.
Enquanto isso, vou orando e reverenciando os que já partiram...

Mirandópolis, dezembro de 2018.
kimie oku in
http://cronicasdekimie.blogspot.com.br/



domingo, 2 de dezembro de 2018


         Expressões idiomáticas
    Uma expressão idiomática é um conjunto de palavras que tem um significado à parte do sentido literal. Por exemplo “engolir sapos” não significa que alguém vá engolir esses batráquios, mas que está passando por um momento difícil de superar...
      Conhecemos centenas de expressões que usamos no dia a dia sem nos dar conta disso. Por exemplo: “lobo em pele de cordeiro!”, “aquilo é um pedra no sapato", “é bom pôr a barba de molho“, “estou com a corda no pescoço”, e por aí vai...
      As expressões surgem e de repente são adotadas pelas pessoas, porque definem exatamente aquilo que pretendem expressar. Algumas pessoas têm uma percepção rápida do momento que vivenciam, e na mesma velocidade conseguem a definição usando duas ou três palavras. A criatividade do homem é fantástica!
Na campanha eleitoral recente, muitas expressões foram criadas e usadas até a exaustão, por conta da competição acirrada. Como a Língua é viva, ela vai acrescentando expressões que marcam momentos ou definem fatos, pessoas e movimentos, enriquecendo sempre o vocabulário.
A última expressão #indultonao tem um significado profundo, porque expressa a vontade popular de não perdoar os bandidos e criminosos que estão presos. Porque a Constituição estabelece o indulto de Natal para os presidiários que se comportarem bem durante o ano, possibilitando sua saída para comemorar os festejos de final do ano, com seus familiares. Mas, no caso presente, está implícito o desejo do Supremo Tribunal de Justiça perdoar algumas falcatruas, para liberar definitivamente certos bandidos e políticos. É exatamente contra isso que todos digitam #indultonao. Mas, eles alegam superlotação dos presídios que é uma realidade, mas percebe-se a intenção de liberar políticos corruptos.
Outras expressões nunca serão esquecidas como “Lula livre”, que expressou o desejo de seus eleitores libertarem o presidiário mais famoso do momento – um Presidente condenado e encarcerado para cumprir pena por crimes comprovados de corrupção. E tudo começou há muito tempo com o slogan “Lula lá”, que pegou e o levou a ocupar o cargo máximo, e que resultou na maior roubalheira da história contra a Nação.
“Ele não” se referia ao candidato Bolsonaro, condenando-o por ser machista, militar e duro na queda. E por ser militar acrescentaram que era nazista, fascista e outras definições que nada têm a ver com o Presidente eleito. As pessoas contrárias ao candidato usaram e abusaram das expressões Nazista e Fascista, sem conhecerem o significado literal dessas palavras, que marcaram uma das páginas mais sangrentas da história da humanidade.
O “Ele não” deu abertura para “Ela não” se referindo à vice comunista declarada do PT; e de repente a mesma fórmula foi usada e abusada contra os candidatos a Deputados e Senadores da esquerda, que caíram no desagrado popular.
Uma expressão que incomodou muito e continua incomodando é sem dúvida: “Escola sem ideologia” atendendo aos anseios de pais preocupados com a doutrinação política de esquerda nas Escolas, especialmente nas Universidades... A doutrinação intensa está ocorrendo nas salas de aula, e os jovens adolescentes que naturalmente se opõem às regras da sociedade porque não gostam de imposições, de repente começaram a se opôr aos próprios pais, se posicionando contra as regras das famílias e mudando totalmente seu comportamento. Muitas atitudes estranhas foram adotadas, e passaram a questionar os valores da sociedade, mesmo vivendo confortavelmente dentro do regime capitalista. De repente, o Socialismo passou a ser a solução e deixaram a introspecção de lado e adotaram o Comunismo como a melhor forma de governo. Os jovens assim aliciados não percebem que a doutrinação pesada não lhes dá o livre arbítrio, para escolher suas opções políticas. A Escola através de seus professores tem o dever fundamental de abrir as mentes, para pensar. Nunca foi um campo de domesticação de jovens e menos ainda de lavagens cerebrais.
E usando uma das máximas nazistas de Goebbels esses jovens alienados repetiram mil vezes “Lula inocente”, que sua condenação foi injusta por “falta de provas”.  A máxima nazista de Goebbels: “Repita mil vezes uma mentira e ela se tornará verdade!”
Só que, mesmo repetindo um milhão de vezes, Lula não será inocentado porque as provas são quilométricas. A mentira será mentira. Eternamente.
“O Poste”, “o Ventríloquo” se referiam ao candidato petista, que assumiu ser o “laranja do Lula”, porque o homem encarcerado estava impossibilitado por Lei, de candidatar-se à Presidência. Mesmo assim, ele queria ser Presidente e para isso, o Partido fez essa armação, que no final não deu certo, porque o Tribunal  Eleitoral declarou Lula inelegível e o laranja foi derrotado.  E Haddad representou um boneco de ventríloquo, porque ia a Curitiba receber a fala de Lula para repeti-la em suas declarações. Era apenas um fantoche.Triste papel para um Professor universitário e filósofo. Reduzido a um boneco de fantoche...Coisas do P T.
Outa expressão muito explorada foi “esquerda caviar” que abrange as pessoas que defendem o proletariado, a classe mais explorada, mas vivem uma vida abastada de burgueses. Como dizia Sartre: “Nós defendemos o proletariado e nunca nos abdicamos dos benefícios da burguesia; somos totalmente incoerentes”. Se refere à farsa da classe rica que sai em defesa dos pobres, mas nada faz para minimizar seu sofrimento...
O “coiso” foi colado ao candidato Bolsonaro, assim como “Homo fóbico”, “Nazista” e “Fascista” somente para aterrorizar os eleitores, que acreditaram nessas ideias e tomaram posições contrárias, acreditando piamente que o homem fosse tudo isso.  Ainda a teoria nazista: “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade”. E muitos acreditaram.
 E agora após as eleições, estamos vendo apenas um homem comum, cuja diferença é ser um militar, que está empenhado em “Passar o Brasil a limpo”, como dizia o comentarista político Bóris Casoy. E a coragem do homem está assustando os velhos caciques da política brasileira, acostumados com a bonança e com a roubalheira, sem punição.
Mais expressões (não tem fim!) bem exploradas nessa campanha foram “kit gay” sobre livros pedagógicos que o Fernando Haddad como Ministro da Educação teria criado para educação sexual das crianças... Embora ele negasse veementemente a existência de tal material, de acordo com a Advogada Damares Alves Assessora do Congresso Nacional para a Defesa da Infância, ele existiu! Fazia parte do Programa “Escola sem Homofobia”. Foi vetado pela Presidente Dilma, o que irritou bastante os homossexuais de plantão. Mesmo sendo vetado, o MEC- Ministério da Educação e Cultura pulverizou a ideia e enviou cartazes, cartilhas, vídeos e peças teatrais sobre o assunto para as escolas. E esse assunto criou uma polêmica nacional, quando o candidato Bolsonaro fez a denúncia. E então seus opositores o apelidaram de “Homo fóbico”. Muita gente achou confortável acreditar nisso para justificar seu voto no PT.  Justificando o injustificável.
Isso no entanto em vez de prejudicá-lo, conquistou o apoio da sociedade, que acabou condenando Haddad... E junto vieram outros temas como o “LGBT” que sintetiza os sexualmente diferentes como Lésbicas, Gays, Bissexuais e os Transexuais. E para irritar Bolsonaro e seus eleitores, a Oposição partiu para medidas extremas, com mulheres peladas desfilando junto com todo esse grupo de Gays... Entretanto isso foi uma grande contra medida, porque causou uma reação contrária, pelas cenas indecentes que escandalizaram a população, tanto de um lado como do outro. Eles queriam mostrar que a homofobia era condenável, que devemos aceitar os diferentes, mas eles exageraram na dose e a corda se arrebentou do seu lado. Eram cenas escandalosas, que assustaram pais de famílias preocupados com a sexualidade dos filhos. Para ser respeitado é preciso antes de tudo, se dar o devido respeito.
Outra expressão condenada por toda a Nação foi a “Flexibilização da Ficha Limpa”, tentativa indecente de um Deputado querendo descobrir desvios para perdoar certos corruptos. Será que ele e seus seguidores não perceberam que estavam sujando a Ficha Limpa? Já imaginaram uma Lei Suja da Ficha Limpa?  Como uma ficha limpa pode ser manchada? Ou é limpa ou é suja, não há meio termo! E onde ficaria a Ficha Policial de Antecedentes Criminais, que tem um peso muito grande na vida do cidadão? Se a Lei tivesse passado, poderíamos afirmar que Dirceu é um ficha limpa meio suja? Só na cabeça de bagre de certos políticos...
“Adelio Bispo, o esfaqueador” vai ficar para a História do Brasil como um mistério? Por que não desvendam essa trama? Será que a Polícia Federal já tem o mandante do crime? E por que não é revelado? Como o pobre diabo pode ter quatro advogados? Por que não rastreiam as ligações, os telefonemas, os contatos, os contatos dos contatos, os pagamentos dos advogados? Será que vai precisar do FBI para desvendar esse mistério?
A grande decepção do povo brasileiro foi em relação ao #vetaTemer, sobre o reajuste de mais de 16% dos salários dos Juízes do Supremo Tribunal. Mesmo sendo unânime o pedido do povo para vetar, Temer aprovou, dando um tapa na cara de toda a Nação. O que mais irritou a todos é que eles já ganham uma fortuna e parece que lá estão apenas para proteger os corruptos.... Políticos presos pela Lava Jato são liberados pelo Supremo, apenas para mostrar que eles mandam mais e são poderosos. Isso apenas prova que o Supremo está a serviço dos maiores bandidos do país. E recebem uma fortuna mensalmente para fazer esse triste papel. E o mais triste de tudo isso é que esse aumento tem efeito cascata, porque em seguida os salários dos Senadores, Deputados e outros funcionários federais serão aumentados, onerando demais a economia do país, que está na corda bamba.
Tem muito mais!
Mas, vou parando por aqui, que já deu pra mostrar como a linguagem é uma arma poderosa para deter certos bandidos. E as redes sociais provaram ser armas únicas de denúncias e alertas para a população.
 Porque os outros meios de comunicação nem sempre são confiáveis.

Mirandópolis, dezembro de 2018.
kimie oku in




sábado, 1 de dezembro de 2018





            Holocausto
      
       Há mais de cem anos, houve um homem que assumiu ser Deus.
E como tal, decidiu quem merecia viver e quem não. A imensa Terra era o seu domínio, e ele mandava exterminar os que julgava   indignos de habitar este planeta. Como se fosse o todo poderoso Senhor do céu e da terra. Não matou meia dúzia de cidadãos, mas aproximadamente seis milhões de gente inocente...
E a humanidade só assistiu a essa tragédia e nada fez!
      Adolf Hitler nasceu na Áustria em 1889.
Ninguém imaginaria que esse indivíduo seria mais tarde um dos maiores assassinos da História do mundo.
Quando jovem quis entrar na Academia de Belas Artes de Viena, e foi rejeitado. Decepcionado, durante a 1ª Guerra Mundial que aconteceu de 1914 a 1918, ele tentou se engajar no Exército austríaco, mas foi rejeitado também.
Na vizinha Alemanha, os operários estavam organizando o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista). Hitler, mesmo sendo austríaco se filiou ao Partido, e como tinha um forte carisma, conquistou os operários e fortaleceu o Partido tornando-o poderoso. O grupo de jovens que se filiavam foi doutrinado até a exaustão sobre a superioridade da raça alemã. As demais nacionalidades e raças humanas eram consideradas inferiores, em especial os judeus... Na época, havia muitos empresários alemães insatisfeitos com o Acordo Internacional de Paz, que estabelecia uma penalidade para os alemães, por terem iniciado a 1ª Guerra Mundial e devastado a Europa. A multa era: devolver as regiões ocupadas; pagar subsídios para a reconstrução do que destruíram; além de muito carvão (combustível valioso e caro) que a Alemanha deveria fornecer por um determinado tempo aos países destroçados. Então, esses empresários revoltados com os países vizinhos, passaram a financiar esse Partido Nazista, que crescia a olhos vistos.... Mal sabiam que iriam patrocinar o maior genocídio da humanidade...
E com o fortalecimento do Partido, Hitler se tornou um líder venerado por todos. Foi nomeado Chanceler da Alemanha, mesmo sendo austríaco. Quando o Presidente von Hindenburg faleceu, Hitler, forasteiro na Alemanha, tomou as rédeas da Nação com mão de ferro. Sentindo-se muito poderoso, anexou Áustria seu país de origem à Alemanha, atacou a Tchecoslováquia e invadiu a Polônia... Movido por desmedida ambição, pretendia formar um Império que abrangeria toda a Europa. Sonho de um megalomaníaco, que pretendia ser um Imperador.
Mas, a França, a Inglaterra e o Império Russo estavam preocupados com o avanço dos alemães e formaram uma Aliança para detê-los. Foi assim que começou a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha tinha como aliados a Áustria e a Hungria. O lema dos nazistas:
 “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado” Todos os soldados estavam doutrinados para servir unicamente ao Estado, mesmo contra a família e contra a sociedade.
Enquanto a guerra prosseguia, os alemães começaram a perseguir todos os judeus, porque os consideravam uma raça sub humana. O Ministro de Propaganda Nazista Joseph Goebbels passou a produzir filmes idolatrando Hitler, chamando-o de Führer ou Líder; filmes do poderoso Exército Nazista desfilando para intimidar os inimigos. Filmes para colocar a população alemã contra os judeus de toda a Europa. Um dos filmes mostrava judeus pobres vivendo em guetos, e anunciava que se reproduziam na mesma progressão geométrica dos ratos! O filme sombrio era em preto e branco e, mostrava dezenas de ratos se multiplicando entremeados com fotos de numerosas famílias judias. Para criar aversão dos alemães contra os judeus... E criou de fato!!! De repente, todos estavam caçando os judeus! Denunciando onde estavam, desprezando vizinhos de longa data, cortando relações com parentes...
Estava instaurado o Antissemitismo!
Antissemitismo ou movimento terrorista visava a aniquilação dos judeus, que eram um povo normal apenas sem pátria, que vagava pelo mundo à procura da terra prometida. Os judeus não eram bem vindos, mas não causavam problemas, eram pacíficos... Porém, os nazistas conseguiram doutrinar todos os jovens alemães para os evitarem e denunciarem como espiões...
Então, começou uma perseguição nazista sistemática, obrigando os judeus a usar a estrela de Davi na lapela, para identificá-los e facilitar a caça... Essa estrela era de seis pontas e era o símbolo do Judaísmo. E conforme a guerra avançava, os soldados alemães passaram a caçar os judeus como animais peçonhentos, para o governo de Hitler lhes confiscar todos os bens. Muitas famílias possuíam joias e reservas em dinheiro, mas foi tudo confiscado pelos nazistas... O ódio à raça deles tinha também esse objetivo de depená-los. Nenhum respeito humano! Mas, o que fazer com famílias e famílias desalojadas de suas casas, de seus bens? Deixá-los vagar por aí?
A loucura de Hitler e de Goebbels chegou ao paroxismo de construir centenas de Campos de Concentração em toda a Europa, para onde deportaram milhares e milhares dessas famílias. Lá, eram obrigados a trabalhos forçados e mantidos encarcerados. Sem nenhuma assistência médica e sanitária, além da escassa comida, a maioria acabou morrendo de inanição. Parte desses lugares eram campos de extermínio – Homens, mulheres e crianças inocentes, só por serem judeus eram levados às câmaras de gás onde morriam. Os corpos sem vida eram jogados em valas ou queimados... Alguns desse campos ficaram famosos como o de Auschwitz na Polônia, Dachau na Alemanha e Treblinka na Polônia, pelas inconcebíveis torturas infligidas aos prisioneiros... Aproximadamente seis milhões dos nove milhões de judeus existentes na Europa foram exterminados...
Havia outra tortura que só ficou conhecida com o fim da 2ª Guerra – Josef Mengele, médico geneticista nascido na Bavária se aliou aos nazistas, e foi um dos médicos responsáveis pelo Campo de Auschwitz. Ali ele praticou atos inomináveis contra os judeus. Experiências como esterilização de mulheres com drogas, cirurgias e Raio X; experiências injetando substâncias para mudar a cor dos olhos das crianças judias para o verde dos alemães; experiências de injetar vírus de doenças para verificar reações... Fez experiências com gêmeos para tentar entender a genética da formação deles. E todas essas experiências não tinham controle. Não dava certo? A cobaia era descartada. E outras cobaias eram selecionadas. Isso durante todo o período da guerra...
Mais um psicopata comporia esse quadro tenebroso para o Holocausto acontecer. (Holocausto significa supremo sacrifício)
O Holocausto não teria acontecido se o Tenente Coronel nazista Adolf Eichmann não tivesse existido. Foi esse Coronel que comandou a deportação e a matança dos judeus. Ele carimbava os passaportes de suas vítimas para os Campos de Concentração para a “solução final” que era como chamavam a matança dos judeus...
Tanto Mengele como Eichmann após o término da Guerra, começariam uma fuga que duraria anos e anos. Ambos foram protegidos por padres, pela Cruz Vermelha e conseguiram sempre se esconder. Mas, o sobrevivente dos campos de Concentração, Simon Wiesenthal e um grupo de judeus passaram anos e anos caçando esses assassinos, pelo mundo todo. Os dois estavam escondidos na Argentina, que costumava abrigar criminosos de guerra. Mengele conseguiu fugir para o Brasil e morreu em Bertioga. Mas o Eichmann foi pego em Buenos Aires e levado pelo Mossad, a Polícia Secreta de Israel. Foi julgado em Jerusalém e condenado ao enforcamento. Wiesenthal e o seu grupo conseguiu pegar mais de mil desses assassinos, levando-os para serem julgados por crimes contra a humanidade.
Ultimamente, no Brasil o Partido dos Trabalhadores adotou uma das máximas de Goebbels: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” Assim, eles gritam que Lula é inocente, que não há provas... Mas toda a sociedade brasileira sabe que ele é tudo, menos inocente e provas há aos montes, documentadas e confirmadas por testemunhas do próprio Partido. Outra máxima do nazismo é” Este homem é perigoso, ele acredita no que diz”. Tinham medo da verdade...
Como vêm, o Nazismo não foi extirpado. Ainda sobrevive nas mentes perturbadas, que carregam a ilusão de dominar o mundo.
E recentemente, nos Estados Unidos o Antissemitismo renasceu e tem causado muito sofrimento aos hispânicos, aos negros e aos asiáticos. O Antissemitismo na América prega a Supremacia branca e pretende eliminar todos os diferentes, incluindo os deficientes físicos, os homossexuais, os doentes mentais. Acreditam que na terra devem só permanecer os brancos... O Antissemitismo é um movimento que se confunde com o Neonazismo. Ambos são um grande atentado à humanidade.
Como podem constatar, o Antissemitismo não morreu, infelizmente.
E Hitler deixou milhares de herdeiros megalomaníacos.
Que se julgam Deuses, mesmo sendo uns pobres mortais.

Mirandópolis, dezembro de 2018.
kimie oku in