quinta-feira, 25 de abril de 2019


                     Tieza
        “É graça divina começar bem. Mas a graça das graças é persistir na caminhada.”
        Foi Tieza que me repetiu essa frase. Acho que é de Dom Hélder Câmara.
        Tieza é amiga de Maria Luiza minha filha.  É Assistente Social e mora em Araçatuba. É casada com Lupercinho, sobrinho de minha mulher.
        Tieza diz sempre frases curtas e profundas. Por isso quando penso nela, lembro das “mineiras”, que  são expressões dos mineiros, como “deixa a paina voar”, que se diz quando a situação  está complicada e não sabemos como agir.
        Tiez me inspira  para escrever.
        (Mario Varela)
                                                             


quarta-feira, 24 de abril de 2019


                  Alda Ribeiro
       A Professora Alda Ribeiro ministrava Saúde Inteligente na Universidade  Aberta à Maturidade da PUC.
        Ela praticamente mudou minha vida. Descobriu em mim a criança que existe em cada um de nós. E mais ainda, me ensinou a ser essa verdadeira criança sem receio e sem vergonha.
        Aprendi ainda, a cuidar da saúde. Passei a eliminar o açúcar da alimentação e hoje sou outra pessoa.
        E ela fez uma referência a mim no seu livro  “Mulheres danadas”
        (Mario Varela)

terça-feira, 23 de abril de 2019


          Em nome de Deus

        José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura publicou certa vez um ensaio na Folha de São Paulo, intitulado “Em nome de Deus”.  Foi a propósito dos ataques de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas de Nova Iorque.

       O texto era tão comovente, que num impulso escrevi uma carta para o autor. Não sabia onde morava, nem nada. Mas a enderecei à Redação do Jornal, que a enviou ao destinatário em Lanzarote, nas Ilhas Canárias a Oeste do Continente Africano.

       No texto ele declarava a sua indignação contra ações executadas em nome de Deus, destruindo vidas inocentes. Dizia que Deus está inocente desses atos terroristas, que  pecador é o homem que usa o nome de Deus para justificar suas barbáries. Ele citou várias ações perpetradas pelo homem em nome da Religião. Na África e em várias partes do mundo. Sempre usando o nome de Alá, de um deus especial para matar suas criaturas...

       As palavras eram tão fortes que me passaram a impressão que o escritor falava em nome de Deus mesmo. Não o deus Jesus Cristo, não o deus  Alá, não o deus Buda, não o deus Jeová... Mas, o único Deus que realmente existe e leva diversos nomes nas diversas religiões.

       Eu me lembrei desse fato nesta semana por causa dos ataques terroristas nas Igrejas e nos Hotéis em Sri Lanka, que vitimou centenas de inocentes. Gente que morreu sem saber a razão do ataque.

       O que será que está acontecendo com a humanidade? Já não bastam a fome, as doenças, as guerras, os tornados, os terremotos, os maremotos? É preciso o homem se tornar inimigo do próprio homem? Por quê tanto ódio, tanto rancor?

       O fato que mais me tocou no ensaio de Saramago foi o seu declarado amor à humanidade. Ele escrevera aquele texto movido por imensa piedade pela humanidade, que não sente a dor do outro. Ele declarou a inocência de Deus nessas tragédias armadas pelo homem.

        E ele era ateu! Na resposta que ele me escreveu de próprio punho, disse que Deus foi uma invenção dos homens...

       Se foi ou não, chego à conclusão que os homens usam  e abusam do nome de Deus para perpetrar as maiores atrocidades. Isso não é Religião.

       Deus nunca está presente nesses ataques.

 

Mirandópolis, abril de 2019.

kimie oku in

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        Universidade Aberta  à Maturidade
        Com 73 anos de idade, passei a frequentar a Universidade Aberta da Maturidade na PUC de São Paulo.
        Minha primeira Professora foi a Alda Ribeiro, que orientava sobre Saúde Inteligente.
        Assisti à primeira aula e fiquei encantado com a gentileza e sabedoria dela. Daí, quando a Administração houve por bem dividir a classe em duas  turmas, porque havia mais de 80  alunos, não queria ir para outra sala. E inventei um estratagema.
        Até aí eu era conhecido como Mario. Para permanecer nessa classe, disse que me chamava Dias. E assim fiquei com a Professora Alda.
        Hoje todos me chamam de Varela.
Meu nome completo é Mário Dias Varela.
        (Mario Varela)

segunda-feira, 22 de abril de 2019


                  Professora Antônia
        Minha querida Professora Antônia que mora nas Perdizes, lecionava Português na Universidade Aberta da PUC de São Paulo.
        Certa vez, apesar dos seus 70 anos de idade, foi enganada ao comprar um cachimbo de espuma do mar. Isso ocorreu na Turquia, onde lhe entregaram uma falsificação em pedra sabão.
        Ao ouvir essa história fiquei muito penalizado, porque ela é uma respeitosa senhora, e não mereceria passar por isso. E intimamente prometi a mim mesmo, que um dia lhe arrumaria um verdadeiro cachimbo de espuma do mar.
        (Mario Varela)

domingo, 21 de abril de 2019


            Honestidade
        Em Londres me lembrei da história da Professora Antônia, que foi lesada quando comprou um cachimbo na Turquia.
        Entrei numa Tabacaria muito chique, onde havia um mundo de isqueiros, fumos, cigarrilhas, cigarros e cachimbos. Mas nenhum deles de espuma do mar.
        Mesmo assim, comprei um que não era barato e disse ao vendedor que o embrulhasse de presente, que o daria a uma Professora no Brasil, para onde me retornaria no dia seguinte.
        Quando cheguei em São Paulo e abri o embrulho, constatei que  era o mesmo que eu havia comprado.
        E constatei que ainda havia gente honesta neste mundo.
(Mario Varela)

sábado, 20 de abril de 2019


          
      Os cães herdarão a Terra?
Já há algum tempo, venho percebendo a preferência das pessoas pelos cães e gatos, em detrimento das crianças.
A cada dia, o número de pessoas que adota animais de estimação está crescendo. E não querem mais ter filhos. Isso é declarado e levam a sério a tarefa de cuidar dos bichinhos.
Fui criada com cães no sítio. Eram apenas animais de guarda, que dormiam ao relento e ao menor barulho ou movimento suspeito, alertavam os donos da casa. Comiam restos de comida, caçavam lagartixas e outros pequenos animais. Eram treinados para pegar os frangos que iam para a panela. Não deixavam nenhum animal suspeito se acercar da casa, menos ainda gente estranha. Enfim, eram os guardiães das casas. Banhos? Tomavam no açude, e não havia ração especial para eles. Nem eram vacinados. Ninguém se preocupava em lhes tosar o pelo. Como diziam eram cães vira latas, porque assim faziam procurando restos de comida.
Mas os tempos mudaram...
As pessoas passaram a ter cães, gatos, papagaios e outros passarinhos de estimação, para cuidar como membros da família. E na esteira dessa moda, apareceram os Cursos de Veterinária e as Clínicas, com as mil variedades de alimentos, vitaminas, roupas e brinquedos. Os bichos ocuparam o lugar dos bebês humanos.
E a moda pegou de vez. Passou a ser chique a madame ter um cãozinho todo escovado e enfeitado ocupando seu colo como se fosse um neném.
Não sou contra os animais. Cada ser vivente deve ter seu espaço. Mas, os cães e os gatos a princípio eram bichos selvagens, que viviam nas matas e comiam da caça que empreendiam para saciar a fome. Foram trazidos para casa para serem amansados, domesticados e servirem às famílias, protegendo-as.
Hoje existem cães guias de pessoas que não enxergam, cães farejadores que localizam malfeitores, cães que detectam drogas para os homens da Lei... E ainda existem os cães de guarda em número mais reduzido. A maioria dos cães de hoje são considerados filhos de pais humanos, e tomaram definitivamente o lugar de filhos e dos netos. A alimentação é cara e especial. Tem um regime diferente para cada raça, e periodicamente recebem vacinas, tosas e banhos.  Muitos têm tratamento médico, dentário e até psicológico. Definitivamente, eles recebem o tratamento que milhões de crianças no mundo nunca receberam...
Os animais são fiéis? São, sim! Mas gente também é. Quantos filhos bem criados  cuidam de seus pais velhinhos, com Alzheimer, mesmo que eles se tornem um peso, pela perda da memória, pela fraqueza do corpo e mesmo pela teimosia. Sim, há os ingratos também, é verdade. Mas, o homem não deve investir no homem? Quando no fim da vida, o homem estiver só, sem um filho ou neto, o que o cão amado e idolatrado poderá fazer por ele?  Acabará terminando seus dias numa Casa de repouso, com certeza...
Acredito que em menos de um século, a Terra será o reino dos gatos e dos cachorros. Haverá gente ainda? Sim! Gente para inventar alimentos miraculosos para manter seus pets saudáveis e felizes a vida toda. Nesse mundo não haverá crianças, porque estas dão trabalho, a educação está cada vez mais complicada, e os jovens são voluntariosos demais. Então, muita gente vai optar por um, dois cães ou meia dúzia de gatos, que não precisam estudar em Cursos caríssimos, que obedecem prontamente ao chamado dos donos, que não os abandona nunca... São fiéis e não traem a quem lhes dá carinho...
Mundo só de cães e gatos... Sem humanos.
Mas se o homem for extinto, eles voltarão para a selva e viverão como selvagens que eram no princípio dos tempos. E não haverá nenhum indivíduo para mudar o curso de sua história...
Em que curva do caminho, o homem deixou de amar a humanidade?
Acredito que nossa geração é a última que teve filhos, os criou e encaminhou na vida, fazendo o melhor por eles. Porque nossos filhos não querem mais ter filhos. Querem gatos e cachorros.
Onde foi que erramos?
Os pets herdarão o Planeta Terra?
Mirandópolis, abril de 2019.
kimie oku in