sexta-feira, 13 de novembro de 2015

     Perdoar é preciso

Uma das coisas mais difíceis nesta vida é perdoar.
Já fui jovem como todo mundo, e fui muito impulsiva, e revidei a todos os ataques que julguei não merecer... Mas, nunca me senti confortável com essas atitudes. O rancor continuava em mim a ferver, toda vez que me deparava com o agressor. Era indomável.
Sofri durante décadas com mágoas guardadas, que me corroíam por dentro. E não conseguia me libertar. E o pior é que fui acumulando mágoas novas sobre as antigas, e o peso delas era demais. Fui ficando azeda, amarga, mal humorada. Sufocava.
Um dia resolvi parar com isso. Percebi que eu mesma estava me matando com um sentimento, que só eu conhecia, e que não interferia na vida de meus ofensores. Eles levavam suas vidas numa boa, completamente ignorantes das raivas que moravam no meu coração. Então, resolvi esquecer as ofensas e as mágoas que eles me causaram. De que jeito? Procurei ignorar essas pessoas, mandando-as todas para uma caixinha de esquecimento. Passei a conviver com elas socialmente, apenas saudando-as. (Sem alegria, é claro! Ainda não cheguei ao patamar de oferecer a outra face, não sou santa, sou dolorosamente humana). Não preciso ser amiga dessas pessoas, pois existem outros amigos bem melhores, e que não me causam dissabores.
E isso me ajudou muito, porque o rancor se dissipou e o coração ficou leve. Hoje cruzo nas ruas com essas pessoas, e rezo para que elas não me magoem mais... E rezo para não me tornar uma delas...
O ódio e o rancor são causas das maiores desgraças neste mundo de Deus. Até as grandes guerras começam com pequenos desentendimentos, que vão crescendo e envolvendo grupos, associações, Estados e Nações. Até as Religiões que dizem conduzir a Deus estão contaminadas com ódios profundos... Como prova, eis as guerras que devastam o mundo atualmente. O mundo contra a Jihad Islâmica e vice versa. E a esteira de inocentes ceifados pelos ódios de ambas as partes... É o lado animal do homem prevalecendo sobre o lado espiritual. E Deus não aprova isso. Até a Igreja já praticou barbáries e barbáries. Basta lembrar os anos obscuros da Inquisição. As pessoas eram queimadas vivas, apenas com uma leve suspeita de feitiçaria. E ninguém tinha defesa diante dos “doutores” da Lei da Santa Igreja. E a gente sabe que há milhares de inocentes enterrados nas masmorras dos milenares mosteiros... A Igreja de Deus condenava e matava inocentes, só para manter o poder sobre a humanidade. A gente chama de Igreja de Deus, mas era Igreja de Homens. Homens sem alma, que se arrogavam direitos que Deus jamais lhes outorgara.
Mas, todo rancor e mágoa tem uma origem. E geralmente a origem é apenas uma palavra mal colocada, mal interpretada, mal absorvida. Se o diálogo acontecesse nesse instante para esclarecer as dúvidas, não haveria consequências... Mas, o diálogo se torna impossível pela radicalização de uma das partes ou de ambas... E aí inicia-se a inimizade. Para sempre.
Aprendi ao longo de minha vida que, não adianta perder tempo em discutir quando o interlocutor se fecha no orgulho ferido, e se acha o dono da verdade. Nessas circunstâncias, bater boca é malhar em ferro frio e perder tempo. Geralmente, a pessoa apela gritando, gritando e ofendendo, o que só tende a magoar mais. Quando isso acontece eu me retiro, sem retrucar, para me preservar.
Já vivi uma situação tão vexatória, mas tão vexatória de uma pessoa me ofendendo aos berros, ao longo de uma viagem, diante de dezenas de companheiros. Nem sei como consegui me manter calada. Tive é verdade, vontade de socar-lhe a boca para se calar, mas rezei para não partir para a ignorância, porque a baixaria seria devastadora... Desventurada mulher, que gritou como louca, para tentar provar que os seus direitos eram superiores aos direitos dos outros. E que eu não tinha direito nenhum. E ela fazia o Curso de Direito! Parece piada, mas ocorreu de fato! Hoje tenho muita pena, por ela ter revelado esse lado feio de sua personalidade. Diante de tantas testemunhas...
As famílias são o reduto onde mais ocorrem esses desencontros, que levam a mágoas profundas, que causam separações definitivas. Isso acontece porque as gerações de pais, de filhos e netos estão em diferentes estágios de vida, onde os mais velhos já aprenderam a relevar, os novos estão a revidar às críticas e os mais novos só sabem reivindicar. Diálogo impossível. Se todos cedessem um pouco, o diálogo seria possível. E o entendimento também. E é nas famílias que se acumulam raivas guardadas ao longo dos tempos. Muitas vezes, evitamos discutir porque o outro não aceita críticas, e vamos carregando um saco de frustrações, tristezas e ressentimentos. Seria tão bom esclarecer os fatos numa conversa franca, sem gritos e sem apelações... Na maioria das vezes, isso é impossível. Os gritos me deixam atordoada.
E no local de trabalho ocorrem todos os dias, confusões geradas por fuxicos e má interpretação de atitudes de outros. E isso é muito triste. Tive um colega de trabalho que, quando escutava alguém tecendo comentários maldosos só dizia: “Olha, o macaco senta-se sobre o próprio rabo e puxa o rabo alheio...” Isso bastava. Todos se calavam e riam e a sessão de fuxico morria aí. Atitude admirável que jamais esquecerei.
Por que o homem interpreta tudo errado?
Primeiro porque quer preservar o seu ego. Ego vaidoso, que acha ser o Detentor da verdade única. E não pensa que toda moeda tem duas faces. Que é preciso olhar a outra face, para entender e conhecer a verdade na íntegra. Mas o orgulho o impede de se posicionar assim.
Segundo, que ele só interpreta como lhe convém. Uma palavra não bem definida pode ser usada como arma contra quem falou, porque é a oportunidade para o fuxiquento plantar suas maldades. E aí ao propagar essas maldades vai tecendo uma teia de mentiras, que depõem contra a pessoa que fez o comentário. E isso se propaga em proporção aritmética num instante. E muitas vezes acabam destruindo pessoas honestas, sobre quem sempre irá pairar uma dúvida... Muito triste.
E em terceiro lugar, porque tem gente que gosta de ser  repórter. Gosta de divulgar novidades, não se importando se são verdadeiras ou não. Até nos serviços de telecomunicação já ocorreram fatos assim. O iniciante na área de comunicação propaga notícias como furos, para se destacar, sem passá-las pelo filtro da verdade. E acabam dando vexames. E acabam perdendo o emprego...
E em quarto lugar, porque as pessoas gostam de derrubar outras que se destacam. Tem um ditado tão popular que diz: “Não é preciso apagar a minha estrela para a sua brilhar!” Quem faz isso é uma pessoa mesquinha, pequena, incapaz de lutar e vencer. Então vai no encalço de companheiros vencedores se mordendo de inveja. E procura derrubá-los. Desventurados perdedores!
Hoje em dia há tantos provérbios que orientam as pessoas para se conterem, para pensarem melhor antes de se manifestarem, mas quem liga para provérbios?
De qualquer forma, vou deixar aqui um provérbio que resume tudo que tentei passar: “Não digas tudo que sabes, não faças tudo que podes, não creias em tudo que ouves, não gastes tudo que tens. Porque quem diz tudo que sabe, quem faz tudo que pode, quem crê em tudo que ouve, quem gasta tudo que tem, muitas vezes diz o que não convém, faz o que não deve, julga o que não vê e gasta o que não pode.”
E vamos seguir o Papa Francisco na sua pregação de fé na humanidade, esquecendo as ofensas e mágoas dos que nos feriram, e praticando a gentileza do perdão todos os dias.

Mirandópolis, outubro de 2015.
kimie oku in

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

                               Café da manhã
    Antigamente no café da manhã tinha um bule de café quentinho, uma jarra de leite, pão e manteiga. Hoje, não! Tudo mudou.
O café da manhã ou breakfast atual tem presunto, mussarella, queijo fresco, mamão e suco de frutas além do pão, café e leite.
Como sou muito simples, contento-me com um copo de leite acrescido de um sachê de colágeno hidrolisado e uma colher de mel, e um pãozinho com requeijão light. Não tomo café e evito presuntos... Às vezes, um pedaço de mamão... O colágeno é para ajudar as articulações que estão meio desgastadas, em especial dos joelhos. O requeijão é para repor o cálcio, que o meu corpo preguiçoso agora necessita mais. E o pãozinho é para me abastecer depois da caminhada e dos exercícios matinais.
E essa refeição eu tomo   numa mureta que tem na porta da minha cozinha, enquanto o sol vem mostrando a sua cara toda vermelha e quente. Aproveito a brisa matutina.
E há um ano mais ou menos que, tenho convivas para essa minha primeira refeição do dia. São os pardais. Inicialmente, eram uns dois ou três que vinham beliscar os farelos de pão, que eu jogava no quintal... Hoje são mais de dez, que já amanhecem gritando, pedindo a comida. Ficam esvoaçando pra lá, pra cá, piando que estou atrasada. Se demoro muito, eles vêm até a mureta e alguns mais atrevidos e famintos aterrissam na mesa da cozinha. Não tem como recuar diante de tão convincentes pedidos. Antes de começar a comer, todo dia tenho um ritual: pego nacos do pãozinho e jogo no chão do quintal, onde chegam num voo rasante os gulosos bichinhos. Como gostam de pão! Pode ser doce, salgado, seco, úmido, novo, velho, recheado, sem nada... Em instantes, eles consomem tudo.  E gostam de bolos, panetones... As mães depois de se abastecerem, levam pedaços para os filhotes que esperam no ninho. E esses pipilam docemente, pedindo a refeição da manhã.
Observando esses bichinhos alados, notei num pequenininho sem cauda, que voava desajeitadamente. Achei que, por um acidente na boca de algum gato faminto, tivesse perdido as penas mais longas... E que voltariam a nascer. Mas, até agora passados meses e meses, o rabicozinho continua tal qual o conheci. Não sei se por causa da falha de cauda, sempre tive pena dele e ficava esperando a sua chegada para lhe alimentar. Pensei que deveria ter uma vida mais difícil que os outros, que voam rápidos e seguros. Acredito que as penas longas da cauda é que dão o equilíbrio para planar. No início ele voava meio desajeitadamente, sem a ajuda da cauda. Mas, qual não foi minha alegria, quando o vi descer acompanhado de um pardalzinho pequenino, pra quem ofertava as migalhas de pão. E regularmente, ele vem e leva pedaços de pão para o ninho, que deve ser no pé de sibipiruna que está na frente de minha casa. Hoje ele está gordo e voa tão desembaraçadamente como os outros. Está rechonchudo e parece mais redondo pela ausência do rabicho. Acho que de alguma forma o ajudei a criar os filhotes...
De vez em quando desce também um bem te vi, que espanta os pardaizinhos, que saem em debandada à sua chegada. Já vi pombas rondando a comida também. E andorinhas...
Tenho um prazer imenso de compartilhar meu café da manhã com os passarinhos. E as galinhas poedeiras lá do sítio que já deixaram de pôr ovos, adoravam pão.  Elas ficavam loucas quando eu lhes oferecia pão seco...
Observei também que os pardais não comem frutas. Já lhes ofereci mamão, banana, melão e maçã... Foi desperdício. Eles nem experimentaram. Estranhei, porque sempre pensei que os bichinhos se alimentavam de frutas... Ledo engano. Arroz cru também não comem. Arroz cozido é um manjar para eles, feijão cozido, tortas, bolachas... E eles nem beliscam folhas de alface e almeirão. E eu tão ignorante achava que, eram herbívoros e frugívoros. Só que no Google informam que os pardais se alimentam de grãos e frutas...
Acho que os pardais da cidade ficaram mal habituados e, como encontram facilmente restos de comida nas lixeiras, adotaram o cardápio dos humanos. Penso que isso não é correto, porque estamos desvirtuando a sua cadeia alimentar. Assim como os criadores de cães e gatos os alimentam somente com ração balanceada. Os bichos tinham a vocação de caçar seu próprio alimento, quando foram trazidos para dentro das casas dos humanos e adestrados... De repente, passaram a se alimentar da comida que os homens comem: arroz, feijão, polenta... Conheço alguém que dá fatias de queijo fresco toda manhã para o seu cão.  E até sorvete! Será isso correto?
O amor aos bichos está levando as pessoas a cometerem excessos, que podem causar mal a eles. Gostar de bicho é legal, mas transformá-los em humanos é paranóia! Bicho é bicho e humano  é humano. Quem tem essas ideias deve adotar crianças. E há tantas precisando de ajuda, de assistência. Visitem as Casas de Abrigo, que guardam crianças, cujos pais estão presos. Nem é preciso adotá-las. Visitar e dar uma assistência fará muito bem ao coração. Além do benefício de oferecer um pouco de conforto das palavras, de um abraço, de um lanche, de uma brincadeira... Essas crianças se sentem perdidas em casas estranhas, e sofrem o medo de não reencontrar mais os pais... E o número delas está crescendo, com os pais perdidos que se multiplicam em proporção aritmética, com a disseminação de drogas no mundo...
Mas, voltando aos pardais, percebi que nos sítios há tantos pássaros, mas pardais não. Tem pombas rolas, periquitos, anus, tico ticos, canários da terra, sabiás, beija flores, quero quero, pássaros pretos, fogo apagou, peixe frito, bem te vis, maritacas, gralhas, corujas... Mas, nunca vi pardais. Será que esses pássaros não gostam de campo? De vez em quando recebemos visitas de tucanos, de araras, de garças, de patos do brejo... Mas, de pardais nunca.
Gosto de ver os pardais brincando. Eles brincam nas poças de água em dias muito quentes... E brincam na areia, como se banhassem nela. E fazem seus ninhos nos forros das casas. No forro de minha biblioteca moram umas famílias de pardais. Eles não incomodam e eu os deixo lá. A salvo dos gatos famintos, que rondam pelos telhados...
Enquanto houver pardais em minha árvore, não precisarei de despertadores, pois eles começam a gritaria bem cedinho. E no forro da minha biblioteca, há sempre filhotinhos pipilando...
Sinfonia de pardais!
E isso é Vida! 
Mirandópolis, setembro de 2015.
kimie oku in


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

                                A mão de Deus

Há exatamente um ano que ocorreu uma tragédia que abalou a cidade. O amigo Sadao, sua esposa Kazuko e o filho Ricardo partiram pra sempre.
Estávamos tão acostumados com o Sadao na Relojoaria Kawasaki, servindo aos clientes com a seriedade e honestidade de sempre, que jamais imaginaríamos uma partida tão repentina levando toda a família. E a Kazuko, a mulher que fez de sua vida a missão para cuidar do filho Ricardo, que não enxergava. Lembro que ele conseguiu enxergar até os dois anos de idade mais ou menos, mas o nervo ótico apresentava uma deficiência, que não teve cura. E não permitia nem transplante de córnea. Quando ele estava perdendo a visão chorava muito, e eu tive oportunidade de ouvi-lo algumas vezes, lá da loja. O coração chegava a doer...
Cercado pelo amor dos pais e pelo carinho inabalável da avó dona Kimiko, Ricardo conseguiu viver quase quarenta anos. E marcou pela paixão à música. Aprendeu a tocar piano, e conseguia tocar os clássicos... Para isso, a mãe o ajudara vertendo as partituras escritas tradicionalmente para o Braille. Ela estudou o Braille para ajudar o filho não só nas partituras musicais, mas também nos trabalhos escolares. Dona Kazuko viveu a vida para o filho exclusivamente, deixando praticamente de viver a própria... Missão.
O temor desses pais e da avó era deixar o Ricardo neste mundo, sem alguém que pudesse ser seu arrimo. E a avó resistiu, vivendo até mais de noventa anos, preocupada com o futuro do neto. Quando o menino era mais novo, essa avó o conduzia pelas calçadas para fazer a caminhada diária. E todas as pessoas viam o cuidado com que o conduzia.
Nós, pais de filhos sem deficiência física, emocional ou mental não conseguimos imaginar como deve ser dificílimo cuidar de uma criança, que não enxerga... Só podemos supor. Mas, conviver todos os dias, todas as horas... E o medo do filho não se tornar autossuficiente, isso estava presente no coração da dona Kazuko dia e noite, sem parar.
Apesar da deficiência, Ricardo conseguiu viver uma vida tranquila, participando das missas na Igreja católica, onde tocava piano volta e meia. Quando partiu, estava ensaiando para tocar na Missa do Galo... E no Clube Nipo ele ouvia as sessões de Nodojiman e Karaokê, onde se encantava com os enkas ou baladas japonesas.  Conseguia memorizar facilmente as músicas que ouvia tocar. E cada enka que tocava ele relacionava com os amigos do Nipo, que as cantavam. Seu avô senhor Toshio Kawasaki foi um dos fundadores da Banda Aiko Kai, que tocava nos concursos de canto japonês no Nipo. Assim, os filhos Sadao, Tomie e Satiko juntamente com outros jovens locais, aprenderam música e tocaram na Banda nos Obon Odori, por um bom tempo.
Mesmo carregando uma grande preocupação com o futuro do filho sem acuidade visual, Sadao e Kazuko cumpriram seu destino na Terra como cidadãos comuns, trabalhando com afinco, cumprindo seus deveres religiosos, indo à missa semanalmente e participando das atividades sociais, sem nenhum problema. Deram conta de sua vida, sem se tornarem um peso para a comunidade. E conseguiram o respeito e a admiração de todos.
Acredito que assim como a batian Kimiko, os pais Kazuko e Sadao passaram boa parte de suas vidas orando a Deus e, pedindo proteção para o jovem Ricardo, que não poderia viver sozinho nesse mundo. Tanto a batian como a senhora Kazuko confessaram para mim que, a grande preocupação era o futuro do Ricardo, quando elas já tivessem partido. Porque ele dependia muito delas.
Mas, Deus que tudo vê, que tudo provê, mostrou para toda a população de Mirandópolis que, Ricardo não ficaria sozinho, quando seus pais tivessem partido. E assim, numa noite de outubro do ano passado, Deus os levou de uma vez. Foi, é verdade, uma coisa assustadora que deixou a cidade estarrecida. O choque para a família foi muito grande.  Todos se preocuparam com a batian Kimiko, que estava fraca de saúde e com noventa e um anos... Mas, passado o choque inicial, ela mesma aceitou bravamente a partida dos três e agradeceu a Deus, porque como me disse nenhum deles poderia sobreviver sem os outros. Porque o Ricardo era a razão da vida dos pais e estes eram o seu verdadeiro arrimo.
E assim, passados apenas uns cinco meses, a avó Kimiko Kawasaki também conseguiu partir em paz, certa de que o neto e a família estão sob a guarda de Deus. Partiu suavemente, com a certeza de ter cumprido sua missão na Terra.
Tudo isso provou que a mão de Deus é poderosa. Ninguém em sã consciência pensaria que, aconteceria o que realmente aconteceu. Ninguém desejaria a partida dos três de uma vez e tão subitamente.
Deus tudo vê, Deus sabe das dores de seus filhos, das ansiedades de uma mãe, de um pai, de uma avó. Só Deus pode ler o que se passa na mente de cada um de nós...
Deus tem solução para tudo. Basta ter fé.
Por isso, vamos confiar na Providência Divina e aguardar que se cumpra o nosso destino.
Na mão de Deus.
Mirandópolis, outubro de 2015.
kimie oku in

terça-feira, 20 de outubro de 2015

                      Cinco anos cirandando...

 No dia 15 de outubro de 2010, começamos uma brincadeira chamada Ciranda. Para isso reunimos os amigos Ana Maria Abranches Jacomelli, Egídio Vicente de Souza, Mary Magro, Ikuko Kazi, Milton Lima, Poliana Ventura, Mário Dias Varela e eu Kimie Oku. Depois tivemos a adesão de Floripes Marchi Forte.
     Ensaiamos a primeira brincadeira lá na Cozinha Caipira, com meia dúzia de convidados idosos. O objetivo era proporcionar uma tarde de lazer a idosos solitários, que gostariam de estar junto de amigos.
 E nessa tarde, brincamos de ciranda, rodopiando, cantando e rindo, e todos ficaram felizes pela tarde diferente. E no mês seguinte fizemos outra cirandada, com mais convidados... E então, apareceram os sanfoneiros e os violeiros para animar a festa.

Inicialmente era o sanfoneiro Albertino Prando, que ofereceu a sua linda Chácara Prando para sediar os encontros. Depois foram chegando o seu Gerval e o Jovaninho, o seu Zeferino Coqueiro, o Toninho, e recentemente o Agnaldo no pandeiro.
Graças à música desses amigos, as tardes de Ciranda ficaram animadas, mais ainda com a cantoria de todos os cirandeiros. E a Ciranda se firmou de vez.
Para evitar problemas, estabelecemos três requisitos importantes: não falar de política, não discutir religião e não cobrar nada. Tudo funciona à base de doação. Doação de refrigerantes, de salgadinhos, de doces, doação de tempo para levar e trazer de volta os idosos, doação de atenção para com os convidados.

E assim chegamos aos cinco anos de cirandadas sem nenhum incidente. É verdade que perdemos os cirandeiros Egídio Vicente de Souza, Luizinha Cury, Jorge Cury, Aristides Florindo, Walther Víctor Sperandio, Lourdinha Codonho, Maria Menegatti, Toninho do pandeiro e dona Onofra... Depois de curtir uns encontros com a turma, esses amigos foram cirandar no céu.
Aproveito esse espaço para comunicar que, não convidamos tanta gente que gostaria de participar, porque priorizamos os mais necessitados. E os mais necessitados são os idosos solitários, que não têm vida social e precisam de muita atenção. Além do mais, não há espaço para um grupo muito grande. Mesmo porque, volta e meia temos os internos da AMAI participando de nossas tardes. Que vibram de felicidade quando comparecem. E mais que ninguém eles precisam de lazer.
O grupo inicial de apoio foi se desfazendo aos poucos, porque a Ana Jacomelli e o Milton Lima foram embora de mudança; a Poliana por força de estudos também foi embora, e o senhor Varela se afastou por problemas de saúde. Felizmente, conseguimos a adesão de Gabriel Tarcizzo Carbello, de José Maria de Carvalho, de José Antonio Lima, Etelvina Ramires, Jandira Morales e, mais recentemente  Maria José Braga Candil, Jacira, Euclídia, Dimar Martin Meneggazzi e Leonor Rezeke.


E assim viemos até aqui. Cirandando, cantando, brincando e rindo muito. Vivendo com alegria.
E no dia 16 último comemoramos com um almoço na Cozinha Caipira. Após a cantoria, fizemos uma avaliação da Ciranda. Pelos depoimentos ouvidos em painel aberto, constatamos que a Ciranda só trouxe benefícios. Os participantes disseram que agora são mais felizes, que anseiam todo mês pelo encontro, que a amizade com algumas pessoas se consolidou de vez, que o encontro é a única diversão para alguns, que remoçaram e recuperaram a alegria de viver. Saldo positivo.
Aproveitamos o momento para agradecer ao senhor Varela, pelo apoio que nos deu para formar o grupo de fato e pô-lo em prática. Não fosse a firme vontade dele, a Ciranda não teria saído do papel. E o Jorge Chain falou da força de uma ideia que foi concretizada e trouxe alegria para muita gente. E todos desejaram que a Ciranda continue por muitos anos.
Como acontece sempre, o seu Orlandinho declamou um poema de sua autoria e a Nair fez uma apresentação cômica do poema “O guarda chuva”. Ambos foram bem aplaudidos.
No final foi servido um sorvete, que agradou muito pelo calor que estava fazendo.
E todos voltaram para suas casas com o coração repleto de felicidade.



Mirandópolis, outubro de 2015.
kimie oku in


sábado, 10 de outubro de 2015

       Metamorfose
  

   Aninha é uma adolescente de 15 anos, plena de vida, cheia de curiosidade diante da natureza.
    Já se interessou por várias atividades, às quais se entregou de corpo e alma, para obter o máximo de realização. Aos poucos porém, foi descobrindo que, nem tudo é possível  fazer com perfeição, devido às limitações próprias de cada um.
    Ultimamente, tem se dedicado à fotografia.
    Tudo é motivo para registrar com a sua câmera,   especialmente  flores e bichinhos miúdos como  borboletas, beija-flores, joaninhas, louva a deuses, moscas, lagartas...  E outros, não tão miúdos como tatus, morcegos, bezerros, cachorros, cavalos......Nada escapa de sua inseparável câmera.
     Há uns dias atrás, ela viu uma lagarta amarelinha se enrodilhando para se tornar crisálida, ou hibernando para virar borboleta.
O interessante é que a lagarta se  fixa  num galho, numa folha ou mesmo num varal através de uns fios quase invisíveis, que ela própria fabrica e fica pendurada, aguardando a metamorfose.
Aquela estava pendurada na parede externa de um velho vaso, presa por dois fios muito finos.
Quando a garota descobriu o que estava acontecendo, ficou muito empolgada, porque queria conhecer toda a evolução da metamorfose.
E todos os dias, fascinada com as alterações de aparência, foi fotografando as mutações do bichinho. Cada dia era uma surpresa.
     Quando o corpo da futura borboleta estava quase formado, e a ansiedade da menina estava no auge, o vento e a chuva mais forte derrubaram-na e interromperam o processo.
Borboleta interrompida e imensa decepção da garota.
Seqüência perdida....
     Mas, haverá outras oportunidades para recomeçar tudo de novo... lagartas é que não faltam.
     Enquanto isso, sua mãe, que nunca morou no campo, descobriu de repente um pé de algodão, e ficou pasma ao constatar que o algodão hidrófilo, que é utilizado nos curativos é fruto seco de um arbusto, beneficiado para uso medicinal e para higiene corporal. Pensava que o mesmo era invenção do homem, e nunca um produto de origem vegetal. Ignorância de quem só viveu na cidade......
     E ao constatar que, a flor se abre amarelinha de manhã e, muda para rosa ao entardecer, foi tomada de encantamento. Encantamento, que foi aumentando ao conhecer a maçã, que se transforma numa cápsula com
os flocos de algodão dentro.
     E daí, ao saber como os catadores de algodão faziam a colheita, retirando os flocos e, ferindo os dedos nos espinhos dos capulhos, pensou que havia descoberto um mundo novo, que nunca havia imaginado.
     No estudo das ocorrências naturais do ecossistema,  há nos compêndios, uma parte que trata da metamorfose de alguns bichos, como  das lagartas em borboletas e  dos girinos em sapos.
     Entretanto, como é possível constatar, as plantas também se metamorfoseiam.  Dum caroço pequenino nasce uma planta, que dá frutos e desses frutos saem os chumaços de algodão, que são aproveitados para tecelagem e outros fins.  Assim acontece também com a seringueira que dá o látex, e com outras diversas plantas, que o homem aproveita para seu conforto e bem estar.
     E não são somente os bichos e as plantas que sofrem metamorfoses. O ser humano também se metamorfoseia. Quando nasce é um ser totalmente incompleto e dependente, e começa a se rastejar, depois vai engatinhando de quatro, até conseguir se firmar sobre as duas pernas, ficando ereto para caminhar sozinho, para se tornar autossuficiente, independente.
     Mas, a transformação maior ocorre na ideia, na inteligência. É uma transformação que não se percebe, porque ocorre internamente.
     Assim, enquanto Aninha está descobrindo o mundo e os inumeráveis mistérios, está ocorrendo uma transformação dentro dela. Aos poucos, vai percebendo a complexidade da vida animal, vegetal e mineral.
      E vai captando as diversas informações, que irão ao longo dos anos, formar o seu cabedal de conhecimentos e experiências da vida. Que farão parte de sua personalidade única.
 Enquanto a garota vai descobrindo as ocorrências corriqueiras do dia a dia, sua mãe ainda tem muito que aprender, muito que conhecer.
     E isso não se aprende nas escolas.
     E a metamorfose do ser humano não termina nunca. Sempre há algo novo para conhecer, para absorver.
    Porque o campo do conhecimento é infinito e complexo.
    Como cantava Raul Seixas:  
  “Prefiro ser essa metamorfose ambulante,
  do que ter aquela  velha opinião formada sobre tudo."
   Que sabedoria, hein?
   Porque mesmo quem já viveu mais de um século, não conhece nem a milionésima parte do conhecimento do mundo.
   E por mais sábio e estudioso que seja o cidadão, não consegue absorver tudo que gostaria de saber.
  Há um limite, porque ele é apenas humano.
  Na verdade, somos como as borboletas pairando por aí, tentando conseguir o melhor mel, tentando descobrir os meios de defesa para se viver bem.
  E totalmente alienados, ignorando a existência de outras formas de vida que, também lutam para sobreviver.
  Entretanto, como a vida é um grande mistério, nunca saberemos para que fim nós fomos criados.
  Conforta–nos pensar que, talvez a nossa metamorfose final, seja a mutação para anjos.
  Não é isso que a maioria das religiões prega?
   Que somos apenas espíritos?
     
   Mirandópolis, 12 de janeiinro de 2012.


 kimie oku in http://cronicasdekimie.blogspot.com.br/                                                                            

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Entrevistar pessoas...

Gosto de entrevistar pessoas.
Pessoas simples do povo que pelejaram todos os dias de sua vida e nunca receberam uma homenagem sequer. Mas, não quero transformá-las em heróis ou modelos de cidadãos. Quero apenas contar suas histórias, tudo que fizeram, que vivenciaram, que aproveitaram, que construíram.
Com esse intuito andei sondando alguns amigos e conhecidos... Uns se sentiram honrados e envergonhados e, alegando que suas vidas não eram excepcionais se recusaram a contá-las... Fiquei decepcionada, porque são belas histórias de labuta, de conquistas e realizações no anonimato. Outros não me deram importância, e simplesmente se negaram... Talvez pensassem que eu teria lucros com a publicação de suas histórias de vida?
Um amigo me disse que aceitaria ser entrevistado quando se transformasse numa pessoa de destaque, de renome. Quando lhe respondi que só entrevistava gente simples do povo, ele concordou, e saiu a linda história de Gerson Possenti, que é uma celebridade aqui.
Outros ainda, se dispõem mas não têm tempo, e vou toureando-os volta e meia para conseguir... Dr. Roberto Yuassa e Dr. Afonso... Ainda vou conseguir, tenho fé!
Já contei dezenas e dezenas de histórias. Desde o vendedor de churrasquinho da esquina, ao último charreteiro, ao último boiadeiro, ao famoso Professor Walter Víctor Sperandio, à senhora Dirce Cury Costa, esposa do célebre Dr. Edgar Raimundo da Costa, um dos grandes construtores de nossa cidade, ao farmacêutico mais antigo, ao barbeiro mais conhecido... Todos, todos cidadãos que com sua arte, seu trabalho e dedicação ajudaram no progresso dessa Mirandópolis.
Gosto demais das histórias de gente do povo. Como começaram suas vidas no campo (a maioria morou na roça e labutou nos cafezais), a  escola que frequentaram,  a descoberta de suas aptidões e a dedicação ao trabalho até se aposentarem. E todas as histórias que contei são muito belas e, servem de exemplo de labor, de persistência e dedicação.
Interessante é que tempos atrás, só eram contadas as histórias de pessoas famosas, que se destacavam em algum campo de atividades. E a televisão brasileira tem o péssimo hábito de apenas contar as biografias de gente que venceu no Cinema, no Futebol, em Show business, na Música... Não se lembram de Professores, que conseguiram realizar coisas grandiosas com jovens que estavam perdidos na vida; com Operários que deram duro, duro na vida e conseguiram estudar meia dúzia de filhos em ótimas Faculdades; de Médicos que nunca faltaram aos plantões e deram sua vida em prol dos enfermos... Pela análise da tevê brasileira, as vidas dessas pessoas não são interessantes. Pensam que não dão IBOPE.
Como gosto de conversar com qualquer pessoa, sempre acabo descobrindo heroísmo na batalha diária de pequenos e anônimos trabalhadores. Que dão duro todos os dias, mesmo com dores nas pernas, nas costas, e apesar do sol inclemente, da chuva fria que gela até os ossos dos catadores de recicláveis... Então, todos são heróis, porque andaram em linha reta para cumprir bem a sua missão, para prover a família com alimentos e outras necessidades, além de deixar o bom exemplo como verdadeira herança. E existem as mulheres provedoras de casa, que ajudaram sempre o chefe no orçamento familiar, entrando com a renda da confecção de bolos, de roupas costuradas para alheios, de faxina em casas de família, de eventuais serviços de garçonetes em festas. Todas também heroínas, porque ajudaram a segurar o casamento e proporcionaram uma vida organizada e confortável para a família. Graças também a elas, os filhos puderam estudar e escolher uma profissão...
Mesmo que viva duzentos anos e conte uma história verdadeira por dia, acredito que nunca vou parar de me surpreender. Há histórias lindíssimas de mulheres, que vieram a esse mundo apenas para cumprir a missão de criar cinco ou seis filhos sozinha... E histórias de filhos tão gratos pelos sacrifícios dos pais para os encaminhar na vida, que se transformaram em modelos de cidadãos da comunidade...
Muitas vezes, nem sabemos das pelejas dos vizinhos do lado, para  encaminhar os filhos, dar-lhes o suporte necessário para iniciarem no mercado de trabalho. Sabe Deus, como suas cabeças estão recheadas de preocupações financeiras, nesses tempos de crise braba. Cada um tem uma história linda que vale a pena ser contada. Todos sem exceção travam os dentes e caminham sempre pra frente, com fé mirando seus objetivos. Força do Ser humano, que não quer desistir nunca.
A nossa sociedade tem o hábito de apenas valorizar gente que venceu e se destacou da massa. Mas, a massa é que faz o mundo girar, que faz o Estado funcionar direitinho, que provê a sociedade com alimentos, remédios, aparelhos, máquinas e livros. Se a massa parar, mil cientistas ou gênios não conseguirão fazer a roda da vida girar, mesmo que seja por um dia apenas. Então, devemos tirar o chapéu para os Josés, as Marias, os Joões e as Aparecidas que garantem que a cidade desperte cedo, que abasteça os lares com alimentos, com remédios, calçados e roupas. E os anônimos Professores que cuidam da Educação para os pais ficarem com a consciência leve. E o médicos incansáveis que cuidam das dores do corpo e da alma...
É verdade que em contraponto, existem os folgados da vida, que se acomodam, que nada fazem além de explorar o outro e comer para viver. E não são poucos. São os mortos vivos da sociedade, que nem sabem a que vieram a este mundo. Exploram os avós, os pais, os filhos, os vizinhos, os cidadãos que passam... E pedem um dinheirinho para passagem para não sei aonde, para comprar o gás para a comida do filhinho que nem sabe onde anda, para comprar um remédio para uma doença que nem tem... E a gente tromba com eles volta e meia, e tem uns bravos, que saem xingando se alguém lhes oferece um pão... E umas espertalhonas que vendem cartelas de bingo para arrecadar dinheiro para si mesmas...
Eu estou cansada de ser ludibriada por gente mal intencionada, que vem com a maior cara de pau choramingar e pedir ajuda... Fico envergonhada de recusar e essas pessoas olham com olho branco... Não trabalham, incomodam quem trabalha, acham que são uns pobres coitados, mas nada fazem para conseguir uma renda própria sem explorar o próximo.
Tenho muita pena dessas pessoas que vivem pela metade, à margem da vida, explorando o próximo e gastando seus dias, seus anos, sua vida na inutilidade. A vida é para ser vivida uma vez só. Nunca soube de alguém que tenha tido oportunidade de retornar e viver de novo. Seria uma experiência e tanto, mas já estamos no ano 2015 e em nenhuma sociedade moderna ocorreu tal fato. A não ser que nós todos estejamos aqui agora, repetindo a vida de outros que não sabemos quem...
De qualquer forma é muito bom viver. E ninguém quer morrer.
Então, por que não viver bem e procurar ser feliz?
E aí, você tem uma bela história pra contar?
Quer ser entrevistado?

Mirandópolis, setembro de 2015.
kimie oku in




domingo, 4 de outubro de 2015

  Brincando com o "X"

          Nossa língua tem mil artimanhas para nos derrubar.
Vejo todos os dias no face como as pessoas cometem erros crassos, ao tentar comunicar algum fato. São erros notáveis que incomodam, mas como não sou corretora nem revisora de textos, passo batido sobre eles. E o face book não é uma página para se ensinar e nem corrigir a Língua Portuguesa. Para isso existem Escolas, Cursos e o Google tão fácil e acessível. E o mais importante é comunicar-se, mesmo com erros.
Mas, voltando à língua, percebi que o X é uma letra endiabrada, porque confunde sempre, pelas variadas maneiras de usá-lo e lê-lo. Para você ter uma ideia vou tentar escrever essa crônica, usando palavras que se valem do X. Reparem como a sua pronúncia é diversificada.
Comecemos com a palavra da moda Coxinha, que é um substantivo nomeador de um saboroso salgado recheado de coisas gostosas. Hoje virou sinônimo de gente burguesa que tem tudo e não precisa de nada... Isso na cabeça de gente, que defende a situação caótica da atual política  do país... E que não aceita críticas.
E por conta de mil fuxicos, há excessos dos dois lados, uns apelando para a exortação ao Exército Brasileiro, para derrubar esses governantes que aí estão, e se excederam nas maracutaias. Outros garimpando exemplos de políticos da oposição em conexão com a Máfia da Corrupção, como se isso diminuísse a culpa de todos os corruptos que estão no xilindró. Uns e outros são todos exemplos de maus cidadãos e devem morar no xadrez.
E ultimamente, todos se transformaram em xerifes defensores do PT ou xerifes do Brasil. E cada dia que passa, uma caixinha de surpresas sai da Operação Lava Jato, para vexame do Governo, que deve estar sofrendo de enxaqueca braba, com as denúncias que vão asfixiando a senhora Presidente. Exageros à parte, exala um cheiro de podre dos Palácios de Brasília. Falta oxigênio e tudo é reflexo da ingerência dos Governantes, que não souberam enxugar os assessores, que estão saindo direto das residências oficiais para os complexos penitenciários..
E tudo é pretexto para os ataques de ambas as partes, O brasileiro gosta exageradamente de bancar o Juiz em todas as questões. Em se falando de Política, então há uma excitação geral. Embora, a Justiça esteja seguindo os trâmites legais, os justiceiros não têm paciência e vivem exaltando-se, e apelando para medidas excepcionais, para punir os políticos comprovadamente ladrões da Pátria. Acredito na Justiça, e espero que todos os que lesaram a Pátria brasileira, devolvam aos cofres públicos tudo que roubaram até o último centavo. E sejam banidos do convívio social. Lugar de ladrão é no xilindró!
Antigamente, os traidores da Pátria eram punidos com exílio num país distante como a Sibéria, e como o Brasil para os ladrões e malfeitores de Portugal, à época do descobrimento. Hoje, muitos desses maus exemplos de cidadãos nossos são exaltados como heróis e, ainda posam de vítimas... O povo está intoxicado de informações deturpadas. Aliás, o povo acredita só no que lhe convém. É incapaz de enxergar o outro lado da moeda. Isso é o reflexo da sociedade atual, onde os que estão no poder resolveram valorizar demais gentes que não trabalham, que só reivindicam direitos e querem bolsas, e querem casas e querem salário/desempregos, e querem terras... Valorizando mais do que os trabalhadores que pelejam diariamente, sem descanso e não têm nenhum privilégio... Basta verificar a questão do 13º dos aposentados, que será parcelado... Mas, as bolsas serão parceladas? Vale lembrar que os aposentados é que garantiram o funcionamento regular do país até agora.
Examinando a situação caótica do país, com o dólar a níveis nunca alcançados, e o bolso do contribuinte ficando cada vez mais vazio, a Presidente teve a ousadia de aventar a possibilidade da volta do CPMF... Os governantes erram, gastam além do que comportam os cofres públicos, e se voltam para os cidadãos para lhes apertar mais a corda no pescoço... E tem cidadãos aplaudindo! Esses infelizes ainda não descobriram a diferença entre o côncavo e o convexo. Que essas medidas não se destinam a uma faixa da população apenas, mas para todos. Para os côncavos e os convexos sem exceção. Mexer no bolso do contribuinte agora, nessa crise braba, não deixa de ser um exercício idiota e provocador. O povo está exausto de sustentar a gangue de políticos que nada fazem pelo país, e só sabem roubar e roubar. E o assustador disso tudo é que todos eles têm conexão com o Palácio da Alvorada... Sem distinção de raça, de cor, de sexo, de fé religiosa. Conseguiram selecionar os piores elementos em todas as extensões do governo.
Relendo o que escrevi até agora percebo que usei as seguintes palavras com X: Coxinha, fuxico, exortação, Exército, Excessos, excederam, exemplos, conexão, xilindró, xadrez, xerifes, caixinha, vexame, enxaqueca, asfixiando, Exageros, exala, oxigênio, reflexo, enxugar, complexos, pretexto, exageradamente, excitação, exaltando-se, excepcionais, exílio, exemplos, exaltados, intoxicado, Examinando,  convexo, faixa, Mexer, deixa, exercício, exausto, sexo, extensões... Leia em voz alta cada palavra. Verá que a pronúncia delas é tão diversificada.
De tudo isso, ainda volto ao extinto (pelo nosso governo) ensinamento chinês que diz que, é preciso ensinar o cidadão a pescar, para que ele tenha peixe  para saciar a fome. Os Reais e os Dólares estão se extinguindo... E aí eu pergunto: E agora, José?
Xereteando no mundo dos vocábulos, tentei escrever um texto coerente usando palavras com X, que na verdade é uma caixinha de surpresas... Eu me diverti um bocado e espero que o leitor também. Minha paixão é escrever tudo que me vem à ideia, às vezes bem exuberante e outras nem tanto, mas sempre me desintoxica a cabeça e a alma. Porque tenho xodó pela comunicação.
Ops, acrescentei ainda; extinto, peixe, extinguindo, Xereteando, texto, caixinha, paixão, exuberante, desintoxica, xodó e...  Norfloxacino.
50 palavras!
Mas, agora lhe pergunto como é que se lê esse nome do antibiótico NORFLOXACINO?  Honestamente, não sei.
Mirandópolis, agosto de 2015.
kimie oku in