quinta-feira, 21 de abril de 2016

                                Fantoche 
       
    Em 31 de outubro de 2010 escrevi uma crônica intitulada “Temos Presidenta!”
     Ela provocou uns comentários a respeito da palavra Presidenta, que deveria ser Presidente, porque não existem os equivalentes femininos de Presidente assim como de adolescente, estudante, fluente, crente, doente... e que tais. Mas, isso não importou muito para mim, porque sei que cometo erros graves em Português, mas com 74 anos de idade já não consigo aprender essas firulas de linguagem e gramática... E se me preocupasse em escrever sempre corretamente, não conseguiria jamais expor meus pensamentos. E o que me importa de verdade, é passar as ideias que enchem a minha cachola. E acho que tenho tido sucesso, pois muitos leitores me perdoam esses erros e nada me cobram. Eles comentam as ideias.
Mas, o propósito desta lembrança de hoje é sobre o conteúdo da crônica de cinco anos atrás.
Eu não votei na Presidente Dilma, porque sempre desconfiei do Lula e do Partido dos Trabalhadores, pela agressividade com que falavam de direitos... Sempre me deram a impressão que os direitos eram só deles, e que nós os trabalhadores comuns não merecíamos nenhum...

Mesmo assim, ao ver uma mulher eleita Presidente fiquei emocionada e pensei: “Nossa! O Brasil mudou! Temos uma Presidente! Uma Mulher vai comandar o país! Que evolução! Vamos mostrar para o mundo a força de uma Mulher brasileira!”
E naquela ocasião escrevi:

“... Temos uma Presidenta!
Não, não vou fazer uma apologia do P.T. mesmo porque não gosto de partidos políticos.
Mas, me emociona constatar que o nosso país tupiniquim, terceiro mundista mostrou para o mundo que a mulher se equipara ao homem. E que pode ser a Primeira  Mandatária do país. O povo deu o voto de confiança a uma mulher!
O que espero da Presidente?
Que se mantenha forte e firme, mesmo sem o escudo de Lula. Que mostre a que veio. E prove.
A Mulher em geral é mais conciliadora, é capaz de aparar arestas e ser mais diplomática.”

Entre outras coisas escrevi isso que aí está.
E fiquei aguardando as decisões dela para impulsionar o país. No começo até que foi bem. Parecia bem intencionada e se dirigia à classe mais desfavorecida, com aparente preocupação em diminuir seus sofrimentos.
Depois, o que percebemos é que o Lula não saía de Brasília, em todas as ocasiões lá estava ele, palpitando, como uma Eminência Parda.... Ele não perdia uma ocasião para aparecer e aparecia mais que a Chefe de Estado. E isso começou a incomodar... E foi aí que jorrou toda a sujeira do Mensalão, que desde 2005 estava sendo investigado. E que consistia na compra de votos de parlamentares para votarem a favor das medidas do governo, mesmo que fossem contra o povo. Chamado de Mensalão porque os políticos corruptos recebiam uma quantia determinada, mês a mês. As denúncias foram crescendo e envolvendo outras áreas.
Apesar da presidente Dilma escudada pelo Partido, e mais ainda pelo Lula que não queriam uma investigação verdadeira, muita coisa suja foi revelada. Se o Mensalão assustou o povo brasileiro, qual não foi o espanto quanto ao rombo da Petrobrás. Gente do Governo de todos os partidos políticos que tiveram a ousadia de quebrar a Petrobrás, uma das mais fortes Estatais do Brasil. Contratos milionários feitos com outros países, tudo de fachada, usando o dinheiro da Nação para ratear entre os ladrões do Governo. E depois os empréstimos impressionantes feitos pelo BNDS, quebrando a financeira... Para ajudar compadres, donos de Empresas devedoras de Bancos... E também para favorecer países estranhos, a troco de não sei o quê.
Não vou discutir essa roubalheira, que está sendo investigada por gente competente, porque na verdade nem sei como eles conseguiram fazer isso. Só fico triste, porque muita coisa poderia ter sido feita por nós brasileiros, que amamos demais esse país... Estranhas e suspeitas aplicações.
O meu propósito é falar da decepção da gente brasileira que como eu, acreditava que uma mulher iria mudar a imagem do Brasil para melhor.
Eu esperava de todo o coração que, a Dilma fizesse um governo voltado para o povo, cuidando da saúde, aparelhando hospitais, investindo na formação de profissionais da área. Eu esperava que a Educação tivesse uma atenção especial, que houvesse prioridade na formação de professores de qualidade, que Escolas fossem construídas e aparelhadas, para que crianças e jovens tivessem uma atenção em tempo integral, para não se perderem para as drogas... Eu esperava que a Segurança Pública fosse reforçada e valorizada, para o trabalhador se dedicar ao exercício de suas funções, certo de que a família estaria protegida...
Mas, nada disso aconteceu.
Os Hospitais foram sucateados e hoje não possuem medicamentos, nem profissionais para cuidar dos doentes. Cirurgias de emergência, digo de urgência urgentíssima são agendadas para seis meses depois... Material de curativos está em falta! E Hospitais estão cerrando portas por falta de verbas, de recursos humanos e materiais...
O que esse Governo fez pelas Escolas do Brasil?
Perguntem do salário aos professores que é menor que a de um Vereador, que tem obrigação de comparecer apenas a uma sessão semanal na Câmara. E o Professor cuida da formação da criança e do adolescente, porque os pais estão pelejando pela vida e não podem assumir isso. São quatro, seis ou oito horas diárias voltadas para encaminhar os jovens do país. E nenhum Governo lhes dá atenção, como se fosse um servicinho qualquer, substituível... É a formação da geração seguinte que está nas mãos do Professor!
O que o Governo fez pela Segurança Pública?
Ignorou. Deixou ao Deus dará.
Os policiais desguarnecidos de viaturas adequadas, de combustível suficiente, de salários dignos, de armas necessárias, estão cada vez mais reféns de bandidos... Aliás, nunca se viu no Brasil um reinado igual a esse, em que os assaltos e os crimes mais hediondos transbordam do noticiário, todas as manhãs. E não só nas grandes metrópoles, agora é comum o estouro de caixas eletrônicos em cidadezinhas do interior. E a roubalheira e os assassinatos estão acontecendo até nas fazendas, em pequenos sítios, a tal ponto que ninguém quer mais morar fora da cidade.
E hoje, vejo lojas cerrando portas, Postos de combustível com os frentistas de braços cruzados, e corações apertados com medo do desemprego... Patroas dispensando as empregadas domésticas, que ajudavam no orçamento da família. Porque não mais conseguem pagar o salário mínimo, o FGTS e demais obrigações sociais, a que fazem direito... Lojas completamente vazias, ruas vazias, carros parados, um silêncio mortal na cidade. Todo mundo vivendo cada dia numa louca aflição. E todo dia, alguém está sendo dispensado do serviço...
O que aconteceu com a Presidente?
Qual era o seu propósito ao assumir a Presidência?
Em que curva do caminho ela se perdeu?
Eu acredito firmemente que, não havia nenhum programa social, que a mulher Dilma Rousseff por ser tão confusa e de visão limitada, foi escolhida a dedo para ser a “laranja” de Lula. Ele continuaria comandando, dando ordens, decidindo tudo no Governo. E se sentiu tão poderoso, que fez o que fez. E hoje, está na mira da Justiça, para pagar pelos rombos milionários nos cofres da Nação. Para vergonha dele mesmo foi comprovado o roubo de tesouros da Presidência. Ação tão feia e inacreditável.
E o triste de se ver é que, tem gente que acredita que tudo isso que ele aprontou seja armação da Mídia, da oposição. O pior cego é o que não quer ver, não quer enxergar.
A Mulher que o povo elegeu não era para ser Presidente.
 Era para ser um fantoche! Era para ser uma bonequinha de ventríloquo, repetindo as falas e as lições de seu mestre, o Lula.
Nós todos caímos num grande engodo.
Hoje estamos todos envergonhados perante o mundo, pelas peripécias dessa Presidente, que ainda insiste em encobrir as sujeiras de seu Desgoverno. Fomos todos ludibriados. E retornamos ao 3º Mundo, pobre, ignorante em que o macho ainda manda, tem a palavra final e a mulher é apenas um instrumento para ser usado e enxovalhado. E foi mostrado ao mundo inteiro que não evoluímos nada.
Triste imagem a nossa!
O Brasil deu um grande passo para trás. Um passo de vinte ou trinta anos de atraso. Retrocesso.
Mirandópolis, abril de 2016.
kimie oku in






quarta-feira, 20 de abril de 2016

Saramago

"Prezada Kimie Oku,
Mui grato pela sua comovedora carta.
O juízo que faz de mim é evidentemente exagerado, mas pelo menos, prova que não sou contrário do que soy... Quanto a Deus, o mellhor é deixá-lo em paz.
Deus foi inventado na cabeça do homem e nunca saiu dela.
Penso assim, mas respeito quem assim não pense. Quem dera que todos fizessem o mesmo.
Um abraço.
José Saramago
17 de outubro de 2001
Lanzarote "

Este é o conteúdo da carta-resposta, que um dia recebi do Nobel de Literatura, José Saramago, que faleceu dias atrás.
Isso ocorreu porque, catorze dias após a destruição das torres gêmeas do World Trade Center de Nova York, que vitimou centenas de pessoas, a Folha de São Paulo publicou um ensaio de Saramago intitulado "Fator Deus". Era uma matéria de página inteira e, o texto emoldurava a foto de um refugiado afegão implorando clemência.
Só a foto em si já fazia a alma doer.
E o ensaio...
O ensaio focava cenas de horror praticadas pelo homem contra seus semelhantes na Índia, em Angola e em Israel.
E Saramago comentava que, o grau de horror causado na América era o mesmo que ocorria em várias partes do mundo. Ele gritava sua indignação contra a crueldade, a brutalidade do homem contra o homem. E questionava:
     " Que Deus é esse que permite tanta barbárie ser praticada em seu nome? "
Mas, para ele que se dizia ateu convicto, se um Deus existe, seria inocente de todos esses atos praticados. Deus estaria inocente, mas o homem o tornava assassino, quando usava o fator Deus para justificar suas ações mais sórdidas.
Quando li o ensaio, fiquei tão tocada pela verdade aí exposta, que num impulso, lhe escrevi uma carta. Disse-lhe que apesar de se declarar ateu, em toda a dor manifesta no texto, havia algo de sublime que só poderia advir de um crente, gritando sua indignação para algo, alguém... Deus....
Enderecei a carta para a Redação da Folha de São Paulo, sem esperança que chegasse até seu destino.
Qual não foi minha surpresa quando recebi a resposta. Eu nem sabia que ele morava em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, a noroeste da África.
Respeito Saramago, que assumiu uma postura firme contra a desumanização do homem, contra a globalização do mundo, em que só os fortes têm vez e voz.
Foi radical ao condenar as pseudo-democracias, em que governantes se utilizam de ignóbeis recursos, para oprimir quem diz a verdade, quem clama por justiça.
Tanto é que teve a coragem de se exilar nas Canárias, em protesto ao governo de Portugal seu país que censurou o Evangelho, sua obra mais famosa.
E rompeu com o Fidel, a quem apoiava, quando Cuba mandou executar dissidentes. Não teve dúvida alguma em condenar Israel, pela ocupação da Palestina.
E acima de tudo isso, ele comprou uma grande briga com a Igreja Católica, que nunca aceitou críticas às "Verdades Sempiternas".
Quando li o Fator Deus percebi instantaneamente, a grandeza de sua alma, o senso de justiça e o profundo amor pelo ser humano.
Já tentei ler O Evangelho segundo Jesus Cristo.
Não consegui. Ele tira o fôlego de quem o lê, pela extensão dos parágrafos, que chegam às vezes a ocupar quase um capítulo.
Mas os livros de Saramago devem ser lidos oralmente, como se estivesse a conversar com o leitor , que é como ele os escrevia. E assim o farei, aliás, assim estou lendo-o bem devagarinho, pronunciando cada palavra portuguesa (de Portugal mesmo), saboreando o pensamento vasto e profundo que nos legou.
E estou publicando a carta resposta, movida pela gratidão. E mais ainda, para provar que ele sabia respeitar seus semelhantes.
Saramago, obrigada por ter existido!
Mirandópolis, junho de 2010.
kimie oku in
http://cronicasdekimie.blogspot.com.br/


domingo, 10 de abril de 2016

                Frutíferas
    
É muito gratificante receber feedback dos leitores de minhas crônicas. Volta e meia, alguém me interpela, para comentar um pouco as ideias que ando divulgando.
Esta semana recebi uma sugestão do amigo José Antonio de Lima, conhecido como o Lima da Farmácia. (hoje não atua em farmácia, mas na Clínica Veterinária da  Doutora Camila, em frente à minha casa).
Pois bem o Lima sugeriu que, escrevesse uma crônica sobre as árvores frutíferas que existem nas ruas de nossa cidade. Naquele instante, eu me lembrei de outro amigo que morou aqui, o Carlos Alberto Trombelli, que tinha o sonho de arborizar a cidade com frutíferas.
Na época, o Trombelli era proprietário de uma Livraria na Rua Gentil Moreira, e na calçada em frente havia um pé de pinha, e mais adiante um pé de goiaba e de limão. E aí, ele manifestou esse desejo de encher a cidade com frutíferas, que saciariam a fome dos passantes. Achei extraordinária a ideia.
Mas, o Trombelli foi embora de mudança e esqueci dessa história, que o Lima me fez lembrar recentemente.
E esse amigo me trouxe uma lista de ruas, que possuem atualmente árvores frutíferas, plantadas por anônimos e que oferecem frutas, para quem quiser. Fiquei muito encantada ao constatar que, o Lima fez uma pesquisa e anotou os locais onde existem essas árvores. A lista não é extensa, mas interessante. Com certeza, deve haver mais frutíferas espalhadas por outras ruas, porque a nossa cidade cresceu muito. Mas, isso não importa.
O que importa é a intenção de quem plantou essas mangueiras, essas goiabeiras... Com certeza tinha o desejo de compartilhar as frutas com outras pessoas. E isso é muito bonito, pois as frutas são oferendas de Deus e devem ser repartidas com todos. Principalmente para quem não tenha condições de comprá-las.
E como nem todos possuem espaço em seus terrenos, a solução seria mesmo essa – plantar árvores frutíferas nas calçadas. Além da sombra que nos aliviaria do sol inclemente, haveria frutas saudáveis e gratuitas para qualquer um saborear.
Sei que existem cidades que cultivam frutíferas nas ruas. Recentemente soube de uma cidade que possui jaqueiras nas calçadas. E deve haver um certo controle para não crescerem demais, pois disseram que estas em especial dão frutos nas partes baixas do tronco, ao alcance da mão... Porque tendo espaço, elas crescem demais e é difícil colher as jacas lá do alto. Tenho cinco pés no sítio e é muito difícil colher aquelas frutas enormes. Conheci uma cidade mineira, que tinha as ruas cheias de jabuticabeiras. E a cidade leva o nome da espécie dessa jabuticaba, Sabará. Soube também que existe na Bahia uma cidade com plantação de pitangas nas calçadas, e que ficam todas vermelhinhas e cheirosas na época da frutificação.
De acordo com o amigo Lima que me inspirou essa crônica, a fruta predominante em nossas ruas é a manga. Há uma porção de mangueiras na Avenida Rafael Pereira, quatro na Senador Rodolfo Miranda esquina com a Álvaro Guiato, mais quatro na mesma Senador Rodolfo nos números 428, 430, perto do Forum, e no número 1857. Ainda há mangueiras na Rua São João nos números 477, 557 e 620. E no número 1648 na D. Pedro também tem uma mangueira. Dezenas de mangueiras! Doces mangas!
A vice campeã é a goiaba. Há goiabeiras na Rua nove de julho, junto ao DAE- ETA, na Álvaro Guiato esquina com a Senador Rodolfo, na Rua Dr. Edgar Raimundo da Costa, na Senador Rodolfo Miranda 1183, e na São João nos números 384, 584 e 620. Sete goiabeiras, talvez mais...
A Rua mais favorecida com árvores frutíferas é Senador Rodolfo Miranda, que além das cinco mangueiras e das três goiabeiras, possui ainda um pé de acerola no número 681, um pé de carambola no número 365, um cajueiro no número 428, e uma jabuticabeira no número 681.
Ainda existem outras frutas como a graviola na Edgar Raimundo da Costa, um umbuzeiro na Raul da Cunha Bueno, junto da travessa da ferrovia, no Bairro Paulicéia. Há também um cajueiro na São João 576. Ah! Existe uma pitangueira na Macoto Ono, perto do Salão de Beleza da dona Hilda. E na Armando Sales de Oliveira, nas proximidades do Correio existe um pé de amora e uma romãzeira.
Saí para fazer umas compras e descobri na Rua Mizael  Leandro Alves , uma porção de coqueiros e um pé de laranja na calçada. E junto à passagem de nível da ferrovia, perto do Posto Veroneze, há uma fileira de coqueiros separando as duas pistas. E percebi que o coqueiro é a frutífera mais adotada pelos nossos moradores. Existem várias espécies de palmeiras, conhecidas como buriti, carnaúba, babaçu, pupunha, açaí. Só que honestamente não sei discriminar umas das outras, então as classifico como coqueiros... Também existe um pé de pinha ali perto da Praça Manoel Alves de Ataíde, na Rua São João. Vi um pé de amora na Adelino Minari, e aqui perto na Edgar Raimundo da Costa há um pé de abacate.
E no Bosque da Pista da Saúde, há pés de ingá, jatobá e jenipapo entre outras dezenas de árvores.
Essas árvores devem ter alimentado tanta gente ao longo dos anos, com doces e saborosas mangas para os moleques, goiabas para os jovens e umas pitangas para os passarinhos. Além de alimentar os colibris, beija flores e borboletas com seu mel. Arapuás e formigas devem também usufruir desses benefícios...
Como vêm, as árvores exercem uma linda função e não atrapalham ninguém. É possível conviver em harmonia com elas, mesmo que cresçam nas calçadas. Os benefícios que elas oferecem, muitas vezes nem um cidadão bem intencionado é capaz de produzir. Pensemos que além das frutas, elas nos oferecem a maravilhosa sombra que nos protege do sol quentíssimo do Verão, e o precioso oxigênio que purifica o ar, tão indispensável à vida.
Mesmo assim, existe gente muito fraca da cabeça, mas fraca demais que não tolera árvores nas calçadas e acaba matando-as. Implicam com as folhas secas que caem no chão e têm que ser varridas. E recentemente descobri com tristeza que, tem gente jovem que constrói e reforma casas, e para exibir a fachada nova derruba as árvores que o morador antigo levou anos cultivando-as. E ficam desesperados, procurando sombras nas casas vizinhas para seus carros em dias muito quentes... Desventurados e pobres de espírito.
Conversando com o meu Professor Gustavo Ordine a propósito da seca lembrada nas canções “Assum Preto” e “Asa branca” que estou tentando tirar ao piano, ele me contou um fato interessante. Um aluno do Conservatório que veio lá do Nordeste comentou que, a diferença notória que existe entre as nossas cidades é que, lá não há árvores nas ruas. Somente casas. Um amontoado de casas que não têm o benefício do frescor que as árvores oferecem. Fiquei matutando: Será que é cultura regional? Será que não plantam porque não se desenvolvem? A falta de água limita essa plantação? Ou simplesmente não se importam com a falta de sombra? Estranho, muito estranho...
Um outro amigo, que foi meu aluno em Amandaba e mora em Fortaleza no Ceará, veio visitar-me um dia e disse que lá em tempos de seca, quando se avista algo verde na paisagem, pode ter certeza que é apenas uma porteira pintada... É desolador ouvir isso.
O que fizemos com o nosso planeta?
Embora haja regiões tão empobrecidas no planeta, em Mirandópolis felizmente há cidadãos bem intencionados, que cuidam de árvores não só pelo benefício das frutas e beleza das flores mas sobretudo pela sombra benfazeja, que nos alivia desse calor tropical.
E plantemos mais frutíferas, que o benefício é infinito.

Mirandópolis, fevereiro de 2016. Kimie oku in



quarta-feira, 23 de março de 2016

Cirandando...

Vamos esquecer um pouco as tristezas?
Vamos deixar as notícias ruins de lado, e vamos curtir a vida?
        Cirandando...Cirandando...Cirandando

           Foi na Chácara dos Prando, hoje sexta-feira.
Foi uma tarde maravilhosa. Com sanfoneiros e cantadores chegando para animar mais a festa.
Hoje contamos com mais um casal, o seu Antonio Travassos e sua esposa Lúcia. E apareceu também uma amiga da Dora, que veio de Mato Grosso, perto de Cuiabá. Ficou encantada com a Ciranda.
Durante a tarde, servimos lanches e trocamos figurinhas com os amigos. E ficamos sabendo do falecimento do senhor Lupércio Salvá, que participou um tempo da Ciranda. E do Amaral, que trabalhava no Setor de Merenda da Prefeitura. Lamentamos essas passagens.
Mas o momento era para curtir a vida
E cantamos e tiramos muitas fotografias, registrando momentos felizes. Seu Orlandinho declamou, seu Travassos e esposa entraram na roda e cantaram com os demais cirandeiros.
O calor era forte e a tarde passou depressa.
Foi muito bom porque esquecemos por umas horas a situação política complicada do Brasil.
E proporcionamos umas horas agradáveis a todos que lá compareceram.
Em abril tem mais!



Mirandópolis, março de 2016.
kimie oku in


quinta-feira, 17 de março de 2016

           Basta!

O Lula como Presidente conquistou milhões de brasileiros. Gente esquecida, que estava em extrema pobreza. E acho justo que tenham gratidão por tê-los salvo. Entretanto, a situação do Brasil era estável, o Real era forte e era possível realizar obras sociais mais abrangentes... As Instituições e as Estatais estavam caminhando bem. A credibilidade do Brasil diante de outras Nações estava em alta.
Lula era quase um Salvador da Pátria. Quase...
Mas...
A megalomania o perdeu.
Apaixonou-se pelo poder e não quis mais sair da Presidência.
Para isso colocou um fantoche, a laranja Dilma, que é incapaz de concatenar nem uma ideia sequer. Não é capaz de pensar sozinha e muito menos falar. Tá aí a máxima tacada de Lula. Ele pensa por ela, ela só tem que abanar o rabinho e segui-lo como um cachorrinho bem treinado. Ela não precisa pensar, porque pensar dói.
Dirão os seus seguidores que estou exagerando?
Então, por que ela não enxerga a realidade? Não percebe a insatisfação de toda a Nação? Não viu a manifestação?
Por que ela não tenta pelo menos uma vez, dar o seu grito em favor do povo? Por que aceita os conchavos, as propostas indecentes do seu manda chuva? Por que fecha os olhos para toda a roubalheira, que envergonhou a todos os brasileiros? Não sabe que no ato final, ele vai jogar toda a culpa na discípula obediente? Ele nunca assumirá nada.
Pois ele só sabe fazer bem uma coisa, que é trair e entregar os cumpañeros das empreitadas realizadas contra o Brasil.
Tenho amigos que dariam a vida por essa mulher, tal o sentimento de veneração que nutriam por ela. Hoje, as pessoas estão mudando. Decepcionadas ao extremo, porque a máscara dela caiu. Ninguém gosta de quem protege um ladrão.
Agora sua máscara caiu de vez.
Convidando o maior bandido de lesa pátria da História para ser Ministro. Aliás, a ideia não deve ter sido dela. Pois ela seria incapaz de pensar numa salvação dessas para o seu mentor.
São estratégias sussurradas nos cantinhos obscuros dos Gabinetes, pois agora temem os celulares que gravam... Por assessores próximos, como abutres atrás de carniça.
 A boa imagem que o mundo tinha do Brasil com a estabilidade do Real parece uma ilusão. Hoje, tudo está quebrado porque a quadrilha teve a audácia de saquear o país.
É muito triste o que estão fazendo com a nossa Pátria.
Roubada, esculhambada, vilipendiada e mal falada no mundo inteiro. E nós seus filhos, que a amamos e nos orgulhamos dela, sofrendo essa vergonha e humilhação todos os dias.
Será que não surgirá ninguém para por um BASTA! em tudo isso?

Mirandópolis, 16 de março de 2016.
kimie oku in




terça-feira, 15 de março de 2016

A  obra
Há mais ou menos dois meses está acontecendo um fato ao lado da minha casa.
É a construção de um sobrado, bem ali na esquina.
Antes havia no local uma antiga casa bem sólida de grossos tijolos, e ocupava todo o espaço do terreno. Quem a construíra fora o seu Idanir Momesso, pai do nosso atual alcaide. Depois pertenceu ao senhor Dorley Fioravante. E agora, o atual proprietário demoliu a velha construção e está levantando um novo prédio.
Não quero ser implicante mas uma demolição não é fácil  para os vizinhos superar. Por maior respeito e consideração que tenha pelo demolidor, a poeira que tomou conta do meu pedaço foi de matar. Nos sufocou o tempo todo e o pó encheu a minha casa, minhas varandas, minhas flores, meu jardim... E tínhamos de ficar com toda a casa fechada para diminuir a invasão do pó. E fazia um calor de 40 graus! Ninguém merece! Tive mil ganas de pedir para parar o suplício. E aguentamos sofrendo muito. Não foi nada fácil.
O que constatei de bom na demolição é que irão reaproveitar os tijolos, que foram retirados com cuidado, porque não se fazem mais tijolos daquele calibre.
Bom, e aí veio uma máquina para perfurar o terreno para as estruturas que aguentarão o peso das paredes. Cada vez que socavam o chão, parecia que a minha casa vinha abaixo, as janelas tremiam como se houvesse um terremoto... E nós, pobres mortais tremendo de medo junto. Cada minuto um susto de balançar a alma!
        Daí então, abriram o chão da rua, cortando o asfalto não sei bem pra quê, mas o barulho foi ensurdecedor. Tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii............ Tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.................
Um dia inteiro desse som infernal, que entrou em nossas cabeças e nem deixava pensar.... Terrível, terrível, terrível, mesmo sendo um dia só.  Foi de enlouquecer.
E quando o caminhão com a betoneira se instalou à frente de minha casa por falta de espaço, não foi fácil não! O barulho da máquina misturando a massa para concretar foi insuportável. Foi enlouquecedor! Acho que perdemos um bocado de audição a partir daquele dia...
     E veio o batalhão para levantar as paredes. E era um grupo grande de uma dúzia de trabalhadores, que se acamparam na minha calçada, porque era a única sombra disponível, Gentes, bicicletas, mochilas, marmitas e moringas térmicas de água... Entupiram meu passeio. Isso não nos incomodou, porque eram uns trabalhadores educados, que estavam pelejando por suas vidas. A minha calçada se transformou em seu refeitório e local da sesta. Fazer o quê?
   Eram trabalhadores de serviço duro e pesado e só por isso mereceram o meu respeito. Não costumo implicar com trabalhadores. E ceder a calçada sombreada era o mínimo que poderia lhes oferecer...
A rua ficou e continua atravancada de areia, pedras e blocos. Os caminhões aparecem volta e meia trazendo mais terra, mais pedra, mais blocos, ferros...  Até à esquina não dispomos de passeio para transitar a pé. Os pedestres têm que andar no limitado leito da rua, pisando em pedras e areia. E o tráfego de carros no pedaço ficou lento e arriscado. Mesmo assim, tem motoristas que estacionam seus carros do outro lado da rua, afunilando mais e mais o espaço livre. Gente sem visão, e sem massa cinzenta. Que poderão provocar acidentes evitáveis...
Agora já levantaram boa parte das paredes e estão preparando a laje, porque será um sobrado. Notei que os moços trabalham bem, com capricho e aproveitando a argamassa na medida certa. Mas não deve ser fácil transportar toda aquela massa pesada nas carriolas pra lá, pra cá, pra lá, pra cá... horas seguidas. Mas, os moços são fortes e a obra não para.
Agora, parece que o pior já passou para nós, os vizinhos.A obra ainda vai continuar por todo esse ano de 2016. Esperamos que a poeira e o barulho ensurdecedor das máquinas não voltem mais. Esperamos, mas quem garante?
      Sei que ainda outras fases irão ocorrer. Agora estão preparando a laje. Depois, fazer a parte superior, a cobertura, o telhado, cobrir as paredes, o piso, as instalações elétricas e sanitárias... E por fim a pintura...
        Acredito que um pouco de pó ficou em nossos pulmões, e ficamos um pouco moucos pelos barulhos que nos afetaram. Perdas irreparáveis. Quem irá nos ressarcir?
        E ainda meses e meses de barulho e confusão nos aguardam.
Será que sobreviveremos?
Merecemos?

Mirandópolis, março de 2016.
kimie oku in
http://cronicasdekimie.blogspot.com.br/


sábado, 5 de março de 2016

         Era uma vez....
   Conversa entre um avô e um neto daqui a uns cem anos:
     “Sabe, meu pequeno, há muitos e muitos anos, a Terra era habitada por umas criaturas verdes que não andavam, mas eram muito amigas dos homens e dos animais. Ocupavam grande parte da superfície desse planeta, e era uma felicidade descansar junto delas, porque nos protegiam do calor do sol, dessa secura da terra.... Possuíam os formatos mais variados, umas eram tão enormes e poderiam abrigar centenas de pessoas sob sua abas. Outras eram finas, compridas e elegantes. A característica principal dessas criaturas era que estavam fixas no solo, e não andavam, não se moviam do lugar e não falavam.  Mesmo assim, eram vivas e cresciam e se multiplicavam sem dificuldade. Até os animais gostavam de ficar junto delas...
     Como se chamavam, avozinho?
     Eram conhecidas como Árvores, netinho.
Ár- vo- res?
     Sim, árvores com que Deus cobriu a superfície da Terra, para esta não se desintegrar. Era uma cobertura de cor verde que existia em todos os lugares, formando florestas fechadas. Funcionavam como protetoras do solo, e exerciam funções como fazer o ciclo d’água, atraindo a chuva para regar a terra, e levando-a de volta ao céu, para formar nuvens. Nuvens eram massas de vapor d’água, que ficavam suspensas no ar à espera de um vento frio, para se transformarem em chuva, que era um rio que caía do céu em forma de longas tiras de água. Essa chuva molhava o solo e renovava a vida em todos os sentidos.
A Terra bebia a chuva, os animais corriam felizes e os camponeses agradeciam a Deus a bênção, porque suas plantações iriam produzir muita comida, para sustentar suas famílias... A chuva escorria pelo chão, enchia os regatos, os rios e os pântanos, que eram as reservas desse líquido precioso, que hoje quase nem temos mais. Havia tantos rios, com tanta fartura que funcionavam como artérias da Terra, e suas águas límpidas irrigavam tudo e saciavam a sede dos seres vivos. Era uma alegria ver crianças como você nadando na água limpa e fresca dos riachos, em dias muito quentes como hoje...
Como essas coisas faziam esse ciclo, vô?
Elas sugavam a água do chão, se alimentavam dos nutrientes e depois, através das folhas respiravam devolvendo um vapor d’água ao ar, que iria formar as nuvens. E ao respirar, as folhas também soltavam um gás chamado oxigênio, que é muito necessário para os seres viventes como nós.
Mas vô, elas só faziam a água subir e descer dos céus?
Não, meu querido.
Elas possuíam mil utilidades. Além das sombras, nos forneciam alimentos como laranjas, maçãs, mangas, bananas, jabuticabas, jacas, ingás, mamões, palmitos, cocos e uma centena de outras frutas, que hoje não existem mais. Quando não ofereciam frutas, elas ficavam floridas e embelezavam o mundo com mil cores, e seus perfumes faziam a loucura dos insetos e passarinhos, que vinham sugar seu mel. Era uma festa maravilhosa para toda a natureza ver essas árvores cobertas de flores... Havia árvores que só produziam frutas que nos alimentavam... Outras ofereciam a beleza das flores e exalavam deliciosos perfumes... Outras ofereciam sementes que serviam de alimentos como cocos, tâmaras e castanhas... De algumas outras, nós aproveitávamos o tronco para usar a madeira para construir nossos abrigos. E quando ficavam velhas e sem serventia, usávamos seus galhos para queimar e nos aquecer nas noites de inverno... Mas, todas elas nos forneciam a sombra que você tanto gosta, meu querido.
Mas, vovô, por que não existem mais? Eu nunca vi uma coisa dessas... Queria ter conhecido para ser amigo dela, comer suas frutas, cheirar seus perfumes e brincar na sombra...
Pois é, meu netinho. Isso é uma longa e triste história da humanidade. É a história da ignorância, da ambição desmedida do homem na Terra.
Quando Deus colocou o homem na terra, ofereceu uma floresta sem fim composta de milhões dessas árvores, onde ele podia se abrigar, se alimentar e viver em harmonia com outros seres... Era um lugar perfeito, era o Paraíso...
     No começo, o homem usou as ramagens para fazer um abrigo, e conviveu mais ou menos em paz com outros bichos... Bebendo a água limpa dos riachos, comendo as frutas saborosas que as árvores ofereciam. Aos poucos, porém foi aperfeiçoando suas artes e, ao mesmo tempo que criava suas ferramentas de trabalho, foi destruindo as árvores que existiam ao seu redor. Começou a derrubar as matas, para construir uma porção de casas... Que se transformaram em cidades... Até então, poderiam viver bem e em paz... Usufruindo do paraíso criado por Deus.
Mas, alguém inventou uma coisa chamada Moeda. Moeda ou dinheiro, ou money, ou dindin...
Que servia de troca das coisas, que sobravam em algumas casas e faltavam em outras...
Inicialmente as trocas eram de moedas por comida. A comida necessária passou a ser comprada de quem a possuía em excesso. Trocava-se por moedas, que poderiam ser trocadas por outras coisas.
A Moeda enlouqueceu o homem. De repente, ele ficou ganancioso, querendo mais e mais moedas, para poder comprar mais coisas e mandar no pedaço...
Foi assim que o homem descobriu a força do poder sobre outros homens. E infelizmente gostou muito disso.
Então, veio a saga de alguém que manda e outros que obedecem. E veio a servidão, o domínio de uns sobre outros, veio a tristeza da escravidão... O homem poderoso passou a dominar os que não tinham moedas, submetendo-os a serviços degradantes por um prato de comida... E nessa esteira de ambição e poder, o homem foi derrubando florestas inteiras de árvores milenares para vender a madeira, que trocava por moedas e mais moedas. E não replantava para renovar essas matas... E em poucos anos, florestas inteiras foram devastadas, restando uma árvore aqui e outra ali. Mesmo estas foram destruídas, porque atrapalhavam as máquinas, que usavam para colher os talos de cana para produzir combustível... E a superfície da Terra ficou pelada dessa cobertura verde. E todos os rios foram secando...
A ganância humana criou um sistema de explorar tudo a sua volta, para transformar em moedas. Quem tinha mais moedas era o manda chuva do lugar...
Eu me lembro meu querido netinho que, havia umas árvores chamadas ipês, que mesmo sozinhas no meio da pastagem verde, se cobriam de flores amarelas, e era uma felicidade vê-las...
Muita gente tomou consciência da destruição e procurou defender essas amigas... Mas, o poder do dinheiro foi forte demais e a batalha foi perdida.
Sabe meu querido, se tivéssemos uma só árvore aqui no quintal, eu faria um brinquedo para você que o deixaria muito feliz.
Que brinquedo seria, vovozinho?
Amarraria uma corda num dos braços da árvore, e faria um balanço para você. E o colocaria sentado ali e balançaria pra lá, pra cá, pra lá, pra cá...
Como era mesmo o nome dessa amiga, vô?"



Mirandópolis, fevereiro de 2016.
kimie oku in