segunda-feira, 16 de maio de 2016

              Descendo a rampa
      Acabei de completar 74 anos!
      Nunca pensei que viveria tanto.
      E quando se chega ao limiar da vida, é inevitável pensar na vida vivida até agora. Comparar as fases que passaram: a infância tão inocente e distante; a fase escolar, de deslumbramentos ao conhecer o mundo tão cheio de novidades; a fase do trabalho, da correria que coincidiu com o exercício da maternidade, quando dormir horas seguidas foi um raro e abençoado acontecimento; e depois a partida dos filhos do ninho, para também conhecerem o mundo e repetirem tudo que fizemos até então.
      Setenta e quatro anos não são poucos.
E só eu sei que vivi cada dia numa aflição, num desespero sem ter a certeza de estar acertando, cheia de dúvidas, orando para as coisas se encaminharem bem. Como Professora também repleta de dúvidas para não perder os objetivos, e dar uma boa formação aos alunos. E a falta de tempo para estudar mais, saber mais para ajudar as crianças sobre como aprender, como entender as noções que precisava passar...
Mas as incertezas maiores foram em relação aos filhos, uns querendo mais, outros desnorteados sobre que rumo tomar, e o cuidado extremo de indicar caminhos adequados, para serem felizes de fato... Os desentendimentos mil que pautaram nossas relações até hoje... Os pais nunca sabem onde acertaram, onde falharam. Só o tempo mostrará. E uma prioridade fundamental para mim foi que eles fossem felizes. Só isso. Nunca ambicionei que ficassem ricos e poderosos, porque isso não significa felicidade.
De qualquer forma, bem ou mal cheguei até aqui. Com a ajuda e o apoio incondicional de meu parceiro.
E hoje percebo que estamos no limiar da vida.
O que nos espera?
A despedida, a morte, a partida, a descida da rampa ...
É a realidade pura e simples, que tenho que encarar.
Fui perceber que, a velhice havia chegado quando comecei a sentir as pernas mais fracas para caminhar. Caminhar até o Banco, até à Farmácia, à Mercearia já não é um exercício leve. Exige força de vontade, porque me canso facilmente. E carregar pacotes? Olha, ainda bem que as mercearias entregam as frutas e as verduras. Não é mole, não! Carregar três sacolinhas de laranjas, de repolho, de batatas. E são apenas três quadras! Chego esgotada em casa, já não é fácil carregar o próprio corpo.
O corpo da gente se deteriora apesar dos cuidados, apesar das caminhadas, apesar dos exercícios. É inexorável. Nada detém esse processo. Procurei ignorar certos sinais, mas chega um momento em que a deficiência nos atinge brutalmente. É a palavra que sai mal pronunciada pela língua pesada, a saliva que sobra na boca, os ouvidos que ficam moucos e a gente só ouve uns pedaços de conversa... Os olhos que não enxergam o que está diante do nariz... E a memória? Meu Deus! Como ela falha!!! Quantas vezes conversei com amigos que me abraçaram efusivamente, me tornando feliz e eu... não lhes lembrei os nomes... E pior ainda: Quem seriam???? Quantas vezes esqueci onde havia estacionado o carro! Quantas mil vezes perdi os óculos... E o que vim fazer aqui???
E as dores? Para se levantar da cama, a gente dá sempre um gemido e, tem que se apoiar em algo para se pôr de pé... E para caminhar tem que ser devagar, porque os joelhos estão cansados de articular e reclamam... E a coluna? Para esticá-la, outro gemido mais puxado... Para agachar à procura de algo que caiu... E levantar-se após agachar é quase impossível.
Mesmo assim, a gente teima em andar, porque nós somos caminhantes e se pararmos, tudo vai travar. Os nervos se enrijecem e aí a dor vai ser insuportável. Então caminhar é preciso, mesmo que no quintal de casa, ou varrendo a calçada, ou mesmo dando uma volta no quarteirão. Quem pratica isso, ainda consegue cuidar de si sozinho. Mas, quem deixa de caminhar, vai se recolhendo nos cantos da casa e vai assumindo a posição fetal. Aí, já não dá mais. É morte certa!
Na velhice, o estrago não é só externo. É interno também. Percebo que a gente vai perdendo o controle sobre os intestinos e os rins. De repente, eles funcionam e, é urgente correr. Outras vezes, não funcionam por horas e às vezes, por dias... Imprevisível. Então, viajar de ônibus é quase impossível.  As paradas são esparsas.
Também a parte sexual vai morrendo aos poucos, sem que a gente perceba. Aquele calor, aquela libido própria de juventude, dos anos verdes passam, aquele fogo que atrai os corpos acaba passando. E o corpo fica sossegado... Não há como evitar isso. O corpo se basta e pronto.
Percebo ainda que, a gente vai perdendo as impressões digitais. Descobri isso, quando não consegui acionar um brinquedo que tocava música ao contato de dedos. Achei muito estranho. Todos conseguiam, menos eu... E ultimamente, tive a confirmação com os Caixa Eletrônicos de Bancos, que não conseguem ler meus dedos. E os Tecnólogos não descobriram ainda que, com a idade e a velhice, as impressões digitais vão se apagando... E colocaram um terminal que, precisa ler digitais justamente em Caixas para atendimento preferencial! E eu me sinto uma grande idiota toda vez que, tento acionar aquela coisa! Até comentei com amigos que, se eu cometesse um roubo, não seria presa por falta de minhas digitais...
Mas, a grande perda que lamento muito é a coordenação motora e a sensibilidade da pele, das mãos, dos lábios... Facas que desconectam de minha mão e cortam dedos... Xícaras que se espatifam, dentes que mordem a bochecha interna e os lábios... Saliva que desce em canal errado e me engasga, me afoga... Pequenas falhas que machucam e me deixam atordoada. Eu não era assim! Era tão segura, firme e não errava a direção dos garfos e facas...
E as trombadas com portas, paredes e móveis?
Puxa! É o caminho que já fiz mais de mil vezes, e de repente, o corpo vai em direção errada para atingir o ombro, o quadril, a cabeça... E outras vezes, o dedinho do pé chuta aquela cadeira que está fora do alcance...Só para ver estrelas de dia!
Por outro lado, a gente vai desenvolvendo outras sensibilidades, que os jovens nem imaginam. Sentir alegria por um "bom dia caloroso" de um estranho, apreciar passarinhos namorando num chilreio feliz, agradecer os raios de sol que aquecem, numa manhã fria como a de hoje, alegrar-se por aquele cidadão que cede o seu lugar tão gentilmente na fila, na vaga do estacionamento, na passagem por uma porta...
Então, ainda existe alguma vantagem em ser idoso. Porque há muita gente atenciosa, que torna nosso dia a dia mais feliz.
E apesar de eu estar descendo a rampa, tenho consciência que dá pra usufruir muita coisa boa ainda nesta vida.
E viva a Vida!
Mirandópolis, abril de 2016.
kimie oku in





sábado, 7 de maio de 2016

MAMÃE


      Veio pequenina do Japão.
Tinha apenas três anos de idade, e não se lembrava de sua terra natal, apenas o nome Maebashi, na Província de Gunma.
    Veio com os pais e irmãos, em 1917.
    Como seria o Brasil nessa época?
    Quando meninota, sua mãe faleceu, e ela teve que assumir as tarefas da casa, cozinhando, lavando, cuidando dos irmãos.
     Naqueles tempos, tudo era rústico, bruto mesmo.
   O fogão era à lenha, as panelas ficavam pretas e, não havia palha de aço pra lustrá-las. Frangos e porcos eram criados para o consumo da família. Era um Deus nos acuda correr atrás de frango para matá-lo. Matar porco era dia de festa – todos ficavam animados, porque haveria carne com fartura, além da linguiça cheirosa, que ficava defumando perto do fogão. Verduras e legumes só eram consumidos nas casas, que cultivavam hortas.  Arroz e feijão para o gasto, era semeado e colhido pela família, que mercado nem existia ainda. (dá uma canseira só de imaginar essa situação, né?)
       Mamãe não foi à escola, porque não havia tempo, nem escola por perto. Sua educação ocorreu na prática, na execução das tarefas domésticas do cotidiano. Assim, aprendeu a costurar sozinha; ela colocava a peça de roupa sobre o tecido e cortava seguindo o molde. (quantas vezes, deve ter errado, e estragado o tecido tão custoso para comprar...)
     Sua vida foi dura, áspera, cheia de deveres: cozinhar feijão todos os dias, que panela de pressão não existia, fazer pão uma vez por semana, tirar leite de cabra toda manhã, torrar café, fazer sabão, cuidar da horta, tratar das galinhas e dos porcos. E sobretudo, cuidar da prole – ela teve  uma porção de filhos, que criou nem sei como...
   Sua vida teria sido tão triste e frustrante, se não houvesse despertado o seu lado artístico.
       Um dia, ela descobriu o crochê.
     Crochê é uma renda, feita trançando a linha com uma agulha, que tem um gancho na ponta.
       Naquela época de pobreza extrema, não podia comprar linha para crochetar. Mas, ela usou linha de carretel nº 24, com que costurava a roupa de roça da família. Era a linha mais grossa de que dispunha, mas mesmo assim era muito fina. Com essa linha branca, ela fez quadrados belíssimos, que ela emoldura nas fronhas, com desenhos de flores, borboletas e pássaros.
       O crochê era a fuga, o consolo das horas duras de lida diária no cafezal, na casa e na horta.
    Mais tarde, ela faria outros artesanatos, montando ramalhetes de flores de seda, bordando em ponto cruz e vagonite, tricotando blusas e meias de lã para os filhos, crochetando chinelos e bolsas de fio sintético. E também, faria “ikebana” ou arranjo de flores naturais.
    Um dia, ela começou a freqüentar o MOBRAL ou Movimento Brasileiro de Alfabetização de Adultos, onde aprendeu a ler e escrever para o gasto. Já era sexagenária, mas sempre queria aprender mais e mais.
     Nessa época, ela descobriu a religião Messiânica, a que se dedicou de corpo e alma, ministrando o “Johrei” para as pessoas aflitas e, ou doentes.  O johrei é uma oração feita com a mão estendida sobre a pessoa doente. Mamãe percorreu a pé a cidade toda, para rezar pelos doentes, por mais de trinta anos...
       Mas, o crochê era a sua ocupação predileta. Onde quer que fosse, levava sempre um novelo de linha e uma agulha – ao ver uma bela peça de crochê na casa de parentes, amigos ou mesmo nas salas de espera, ela já tirava uma amostra, para mais tarde fazer igual. E assim, ela fez centenas de trabalhos maravilhosos com a linha Mercer Crochet nº 60 e 80, as mais finas, para as filhas, as noras, sobrinhas, netas e bisnetas.
     Deixou uma herança confeccionada por suas próprias mãos, ponto por ponto, levando horas a fio, tecendo, tecendo. Agora nós, as mulheres da família, conservamos e usamos  essas rendas, com um misto de saudade e reverência, porque é a mais bela herança que nos deixou.   
    Toda mulher tem o seu lado artístico, porque fêmea/ feminina tem a ver com o belo, o delicado, o agradável. Mesmo  em condições adversas, esse lado artístico pode aflorar, nas mais diferentes atividades.
       Há mães que desenham e pintam maravilhosamente.
       Há mães que fazem bolos primorosos.
   Há mães que costuram com arte, produzindo trajes impecáveis.
   Há mães professoras que compreendem e encaminham seus alunos, com perfeição.
       Há mães artistas.
       E há mães artistas nesse mister de mãe.
     A essas mães em particular, dedico essa homenagem, que fiz para mamãe, porque quando se fala em mãe, a gente só é capaz de pensar na própria, né?
    E que tal você também, deixar registrado o pendor artístico de sua mãe, para a história da família?

                   Mirandópolis,  04 de maio de 2010.
                                             kimie oku


                           Vida a dois...
      



      Hoje estava distraída na horta irrigando as ramas de maxixe que se esparramam pelo chão, quando desceu um casal de canários da terra.
Um era amarelinho como gema cozida de ovo e o outro marrom. Fiquei observando e percebi que o amarelinho era mais ousado, vinha perto de mim, procurando bichinhos para comer. O marronzinho era mais arisco. Se aproximava mais devagar, mantendo sempre uma distância segura. Acredito que o amarelinho era o macho, que ia sondando o terreno para a sua parceira passar com segurança.
        Sempre os ouvia cantar no pé de poncã, mas devido às ramas e a agilidade deles, nunca consegui fotografá-los... E cantam bonito, o ano todo. E vi filhotes no toco seco de uma cerca, mas quando pensei em clicar esses bichinhos implumes, eles já haviam partido... E sempre os via sair em debandada do ninho, como se me provocassem para não fotografá-los...
Há muitos canários da terra lá no sítio. Mas são ariscos demais. Agora, estão descendo nos canteiros porque a quentura do ar fá-los procurar água para beber e se refrescar... E eu estava sem a câmera! Que pena! Não os cliquei...
Sempre, sempre me encantam pelo colorido de suas penas, pelo tamanho pequenino de suas figuras e mais ainda pelo canto doce e agradável que entoam. O canto deles é livre, solto, sem barreiras, porque assim eles se sentem soltos no vasto campo.
Mas, o estranho de tudo isso é que esse casalzinho de passarinhos me fez pensar em mim e no meu esposo. Eram emblemáticos. Deu-me a impressão que Deus mostrava os dois bichinhos, que representavam a mim e ao meu parceiro... Como os passarinhos, formamos um par e moramos numa mesma casa. Como eles, saímos pelos campos cuidando da horta, das flores, colhendo frutos e trazendo provisões para casa...
Todas as vezes, nós nos ajudamos nos tropeços de cada dia, fazemos curativos quando nos ferimos, consolamos um ao outro quando estamos desolados e proferimos  palavras de ânimo para nos fortalecer... E quando nossas contas não batem, e faltam uns trocados, um cobre a conta do outro, porque somos sócios nessa empreitada da vida... E vamos nos salvando assim, devagar e sempre. Sem cobranças, sem juros, sem rancores, porque a gentileza deve fazer parte de um casal, que partilhou dois terços da vida juntos.
Daí pensei nos casais que se separam...
Quando se juntaram era tudo alegria, amor, carinho e promessas mil. E depois de um tempo de convívio, acabam se separando e cada um toma uma direção, para não se juntarem mais. Tenho na família pessoas queridas nessa situação. E eu fico vendida, porque a pessoa que partiu fez parte de minha vida também, e não dá para jogar fora o afeto que senti um dia. E tenho muitos amigos também nessas condições. Alguns refazem suas vidas com outras pessoas... Mesmo que sejam felizes e se esqueçam do passado, acredito que em algum momento, devem rememorar o tempo que passaram junto do primeiro companheiro, e ter saudades dos bons momentos...
Tudo deve depender de como encarar a vida. Enterrar o passado e viver o presente é a solução. Pois as separações se tornaram corriqueiras, e ninguém mais estranha. Casais que já comemoraram bodas de prata e de ouro de repente, resolvem desfazer o casamento. Tenho muito dó dessas pessoas. Porque, no fim da vida, o que podemos curtir de fato são as lembranças boas da vida vivida. Vendo fotografias e rememorando fatos engraçados, tristes, cômicos e até trágicos. Porque é de tudo isso que se compõe a vida.
Mesmo porque, a vida dura apenas um instante. E tudo passa. E cada um de nós que é uma figura forte, firme e presente, um dia passará e se transformará numa fotografia, que o tempo se encarregará de apagar... E nada restará...
Então, penso nas amigas que perderam seus pares e hoje vivem numa triste solidão... E amigos que, mais que as mulheres viúvas sofrem a perda, e ficam desnorteados diante de cada manhã, que têm que encarar. Parece que os homens ficam sem chão, quando suas parceiras vão embora definitivamente...
Por tudo isso, vendo a tristeza estampada nessas viúvas e nesses viúvos, acredito que o melhor dessa vida é ter paciência um com o outro, e aceitar a companhia com prazer, porque na pior das hipóteses, há sempre alguém com quem dividir as alegrias e as tristezas.
Trocando atenção mutuamente, velando pela saúde e pelo bem estar um do outro, eis o desafio do fim da vida de um casal.
Sei que não é fácil ter paciência todos os dias, com o parceiro ou a parceira que tem mil e um defeitos. Mas a gente tem que ignorar certas atitudes, certas palavras, se fazer de surdo de vez em quando, de desentendido muitas vezes para não entrar em conflitos desnecessários... Mesmo porque, logo a gente esquece esses pequenos incidentes, que na verdade nada significam... Somos todos imperfeitos.
Então, como o casalzinho de canários, procuremos viver em sintonia, sem estragar momentos lindos mesmo que silenciosos, que a vida nos proporciona.
E chegar ao fim da vida, com a certeza de ter feito o melhor pelo companheiro, que não viveu sozinho, esquecido.
E a certeza absoluta de ter feito o melhor por si mesmo.
Porque “tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas” , conforme Saint Exupèry.
Mirandópolis, abril de 2016.
kimie oku in






quarta-feira, 4 de maio de 2016

                               Ciranda de abril
   Em abril perdemos muitas pessoas queridas e foi triste ir a tantos velórios. E nessas horas pensamos na transitoriedade da vida. E então fica reforçada a ideia que move a Ciranda: temos que viver cada dia como se fosse o último.
     E mesmo com a tristeza da perda de pessoas queridas, resolvemos fazer a Ciranda de abril. Foi na última sexta-feira do mês, dia 29 que nos reunimos na Chácara dos Prando e, passamos uma tarde curtindo a companhia de dezenas de amigos.
    
A novidade do dia foi o comparecimento de dona Fátima Conceição Zotelli e seu filho Wesley Zotelli Rodrigues.
     Wesley levou o seu bongô, instrumento de percussão e marcou junto com o pandeiro do Agnaldo, o ritmo das músicas tocadas pelos sanfoneiros e pelo violeiro. A princípio, ele estava acanhado, mas logo ele se enturmou. A cantoria foi muito animada.
     A tarde estava fria e agradável, e além dos lanches costumeiros foi servido chocolate quente e canjica.
Os cirandeiros espantaram a tristeza da semana cantando e dançando. Alguns ficaram apenas conversando com amigos.
Foi uma tarde boa e revigorante.



Em maio tem mais!
Mirandópolis, abril de 2016.
kimie oku in


quinta-feira, 21 de abril de 2016

                                Fantoche 
       
    Em 31 de outubro de 2010 escrevi uma crônica intitulada “Temos Presidenta!”
     Ela provocou uns comentários a respeito da palavra Presidenta, que deveria ser Presidente, porque não existem os equivalentes femininos de Presidente assim como de adolescente, estudante, fluente, crente, doente... e que tais. Mas, isso não importou muito para mim, porque sei que cometo erros graves em Português, mas com 74 anos de idade já não consigo aprender essas firulas de linguagem e gramática... E se me preocupasse em escrever sempre corretamente, não conseguiria jamais expor meus pensamentos. E o que me importa de verdade, é passar as ideias que enchem a minha cachola. E acho que tenho tido sucesso, pois muitos leitores me perdoam esses erros e nada me cobram. Eles comentam as ideias.
Mas, o propósito desta lembrança de hoje é sobre o conteúdo da crônica de cinco anos atrás.
Eu não votei na Presidente Dilma, porque sempre desconfiei do Lula e do Partido dos Trabalhadores, pela agressividade com que falavam de direitos... Sempre me deram a impressão que os direitos eram só deles, e que nós os trabalhadores comuns não merecíamos nenhum...

Mesmo assim, ao ver uma mulher eleita Presidente fiquei emocionada e pensei: “Nossa! O Brasil mudou! Temos uma Presidente! Uma Mulher vai comandar o país! Que evolução! Vamos mostrar para o mundo a força de uma Mulher brasileira!”
E naquela ocasião escrevi:

“... Temos uma Presidenta!
Não, não vou fazer uma apologia do P.T. mesmo porque não gosto de partidos políticos.
Mas, me emociona constatar que o nosso país tupiniquim, terceiro mundista mostrou para o mundo que a mulher se equipara ao homem. E que pode ser a Primeira  Mandatária do país. O povo deu o voto de confiança a uma mulher!
O que espero da Presidente?
Que se mantenha forte e firme, mesmo sem o escudo de Lula. Que mostre a que veio. E prove.
A Mulher em geral é mais conciliadora, é capaz de aparar arestas e ser mais diplomática.”

Entre outras coisas escrevi isso que aí está.
E fiquei aguardando as decisões dela para impulsionar o país. No começo até que foi bem. Parecia bem intencionada e se dirigia à classe mais desfavorecida, com aparente preocupação em diminuir seus sofrimentos.
Depois, o que percebemos é que o Lula não saía de Brasília, em todas as ocasiões lá estava ele, palpitando, como uma Eminência Parda.... Ele não perdia uma ocasião para aparecer e aparecia mais que a Chefe de Estado. E isso começou a incomodar... E foi aí que jorrou toda a sujeira do Mensalão, que desde 2005 estava sendo investigado. E que consistia na compra de votos de parlamentares para votarem a favor das medidas do governo, mesmo que fossem contra o povo. Chamado de Mensalão porque os políticos corruptos recebiam uma quantia determinada, mês a mês. As denúncias foram crescendo e envolvendo outras áreas.
Apesar da presidente Dilma escudada pelo Partido, e mais ainda pelo Lula que não queriam uma investigação verdadeira, muita coisa suja foi revelada. Se o Mensalão assustou o povo brasileiro, qual não foi o espanto quanto ao rombo da Petrobrás. Gente do Governo de todos os partidos políticos que tiveram a ousadia de quebrar a Petrobrás, uma das mais fortes Estatais do Brasil. Contratos milionários feitos com outros países, tudo de fachada, usando o dinheiro da Nação para ratear entre os ladrões do Governo. E depois os empréstimos impressionantes feitos pelo BNDS, quebrando a financeira... Para ajudar compadres, donos de Empresas devedoras de Bancos... E também para favorecer países estranhos, a troco de não sei o quê.
Não vou discutir essa roubalheira, que está sendo investigada por gente competente, porque na verdade nem sei como eles conseguiram fazer isso. Só fico triste, porque muita coisa poderia ter sido feita por nós brasileiros, que amamos demais esse país... Estranhas e suspeitas aplicações.
O meu propósito é falar da decepção da gente brasileira que como eu, acreditava que uma mulher iria mudar a imagem do Brasil para melhor.
Eu esperava de todo o coração que, a Dilma fizesse um governo voltado para o povo, cuidando da saúde, aparelhando hospitais, investindo na formação de profissionais da área. Eu esperava que a Educação tivesse uma atenção especial, que houvesse prioridade na formação de professores de qualidade, que Escolas fossem construídas e aparelhadas, para que crianças e jovens tivessem uma atenção em tempo integral, para não se perderem para as drogas... Eu esperava que a Segurança Pública fosse reforçada e valorizada, para o trabalhador se dedicar ao exercício de suas funções, certo de que a família estaria protegida...
Mas, nada disso aconteceu.
Os Hospitais foram sucateados e hoje não possuem medicamentos, nem profissionais para cuidar dos doentes. Cirurgias de emergência, digo de urgência urgentíssima são agendadas para seis meses depois... Material de curativos está em falta! E Hospitais estão cerrando portas por falta de verbas, de recursos humanos e materiais...
O que esse Governo fez pelas Escolas do Brasil?
Perguntem do salário aos professores que é menor que a de um Vereador, que tem obrigação de comparecer apenas a uma sessão semanal na Câmara. E o Professor cuida da formação da criança e do adolescente, porque os pais estão pelejando pela vida e não podem assumir isso. São quatro, seis ou oito horas diárias voltadas para encaminhar os jovens do país. E nenhum Governo lhes dá atenção, como se fosse um servicinho qualquer, substituível... É a formação da geração seguinte que está nas mãos do Professor!
O que o Governo fez pela Segurança Pública?
Ignorou. Deixou ao Deus dará.
Os policiais desguarnecidos de viaturas adequadas, de combustível suficiente, de salários dignos, de armas necessárias, estão cada vez mais reféns de bandidos... Aliás, nunca se viu no Brasil um reinado igual a esse, em que os assaltos e os crimes mais hediondos transbordam do noticiário, todas as manhãs. E não só nas grandes metrópoles, agora é comum o estouro de caixas eletrônicos em cidadezinhas do interior. E a roubalheira e os assassinatos estão acontecendo até nas fazendas, em pequenos sítios, a tal ponto que ninguém quer mais morar fora da cidade.
E hoje, vejo lojas cerrando portas, Postos de combustível com os frentistas de braços cruzados, e corações apertados com medo do desemprego... Patroas dispensando as empregadas domésticas, que ajudavam no orçamento da família. Porque não mais conseguem pagar o salário mínimo, o FGTS e demais obrigações sociais, a que fazem direito... Lojas completamente vazias, ruas vazias, carros parados, um silêncio mortal na cidade. Todo mundo vivendo cada dia numa louca aflição. E todo dia, alguém está sendo dispensado do serviço...
O que aconteceu com a Presidente?
Qual era o seu propósito ao assumir a Presidência?
Em que curva do caminho ela se perdeu?
Eu acredito firmemente que, não havia nenhum programa social, que a mulher Dilma Rousseff por ser tão confusa e de visão limitada, foi escolhida a dedo para ser a “laranja” de Lula. Ele continuaria comandando, dando ordens, decidindo tudo no Governo. E se sentiu tão poderoso, que fez o que fez. E hoje, está na mira da Justiça, para pagar pelos rombos milionários nos cofres da Nação. Para vergonha dele mesmo foi comprovado o roubo de tesouros da Presidência. Ação tão feia e inacreditável.
E o triste de se ver é que, tem gente que acredita que tudo isso que ele aprontou seja armação da Mídia, da oposição. O pior cego é o que não quer ver, não quer enxergar.
A Mulher que o povo elegeu não era para ser Presidente.
 Era para ser um fantoche! Era para ser uma bonequinha de ventríloquo, repetindo as falas e as lições de seu mestre, o Lula.
Nós todos caímos num grande engodo.
Hoje estamos todos envergonhados perante o mundo, pelas peripécias dessa Presidente, que ainda insiste em encobrir as sujeiras de seu Desgoverno. Fomos todos ludibriados. E retornamos ao 3º Mundo, pobre, ignorante em que o macho ainda manda, tem a palavra final e a mulher é apenas um instrumento para ser usado e enxovalhado. E foi mostrado ao mundo inteiro que não evoluímos nada.
Triste imagem a nossa!
O Brasil deu um grande passo para trás. Um passo de vinte ou trinta anos de atraso. Retrocesso.
Mirandópolis, abril de 2016.
kimie oku in






quarta-feira, 20 de abril de 2016

Saramago

"Prezada Kimie Oku,
Mui grato pela sua comovedora carta.
O juízo que faz de mim é evidentemente exagerado, mas pelo menos, prova que não sou contrário do que soy... Quanto a Deus, o mellhor é deixá-lo em paz.
Deus foi inventado na cabeça do homem e nunca saiu dela.
Penso assim, mas respeito quem assim não pense. Quem dera que todos fizessem o mesmo.
Um abraço.
José Saramago
17 de outubro de 2001
Lanzarote "

Este é o conteúdo da carta-resposta, que um dia recebi do Nobel de Literatura, José Saramago, que faleceu dias atrás.
Isso ocorreu porque, catorze dias após a destruição das torres gêmeas do World Trade Center de Nova York, que vitimou centenas de pessoas, a Folha de São Paulo publicou um ensaio de Saramago intitulado "Fator Deus". Era uma matéria de página inteira e, o texto emoldurava a foto de um refugiado afegão implorando clemência.
Só a foto em si já fazia a alma doer.
E o ensaio...
O ensaio focava cenas de horror praticadas pelo homem contra seus semelhantes na Índia, em Angola e em Israel.
E Saramago comentava que, o grau de horror causado na América era o mesmo que ocorria em várias partes do mundo. Ele gritava sua indignação contra a crueldade, a brutalidade do homem contra o homem. E questionava:
     " Que Deus é esse que permite tanta barbárie ser praticada em seu nome? "
Mas, para ele que se dizia ateu convicto, se um Deus existe, seria inocente de todos esses atos praticados. Deus estaria inocente, mas o homem o tornava assassino, quando usava o fator Deus para justificar suas ações mais sórdidas.
Quando li o ensaio, fiquei tão tocada pela verdade aí exposta, que num impulso, lhe escrevi uma carta. Disse-lhe que apesar de se declarar ateu, em toda a dor manifesta no texto, havia algo de sublime que só poderia advir de um crente, gritando sua indignação para algo, alguém... Deus....
Enderecei a carta para a Redação da Folha de São Paulo, sem esperança que chegasse até seu destino.
Qual não foi minha surpresa quando recebi a resposta. Eu nem sabia que ele morava em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, a noroeste da África.
Respeito Saramago, que assumiu uma postura firme contra a desumanização do homem, contra a globalização do mundo, em que só os fortes têm vez e voz.
Foi radical ao condenar as pseudo-democracias, em que governantes se utilizam de ignóbeis recursos, para oprimir quem diz a verdade, quem clama por justiça.
Tanto é que teve a coragem de se exilar nas Canárias, em protesto ao governo de Portugal seu país que censurou o Evangelho, sua obra mais famosa.
E rompeu com o Fidel, a quem apoiava, quando Cuba mandou executar dissidentes. Não teve dúvida alguma em condenar Israel, pela ocupação da Palestina.
E acima de tudo isso, ele comprou uma grande briga com a Igreja Católica, que nunca aceitou críticas às "Verdades Sempiternas".
Quando li o Fator Deus percebi instantaneamente, a grandeza de sua alma, o senso de justiça e o profundo amor pelo ser humano.
Já tentei ler O Evangelho segundo Jesus Cristo.
Não consegui. Ele tira o fôlego de quem o lê, pela extensão dos parágrafos, que chegam às vezes a ocupar quase um capítulo.
Mas os livros de Saramago devem ser lidos oralmente, como se estivesse a conversar com o leitor , que é como ele os escrevia. E assim o farei, aliás, assim estou lendo-o bem devagarinho, pronunciando cada palavra portuguesa (de Portugal mesmo), saboreando o pensamento vasto e profundo que nos legou.
E estou publicando a carta resposta, movida pela gratidão. E mais ainda, para provar que ele sabia respeitar seus semelhantes.
Saramago, obrigada por ter existido!
Mirandópolis, junho de 2010.
kimie oku in
http://cronicasdekimie.blogspot.com.br/


domingo, 10 de abril de 2016

                Frutíferas
    
É muito gratificante receber feedback dos leitores de minhas crônicas. Volta e meia, alguém me interpela, para comentar um pouco as ideias que ando divulgando.
Esta semana recebi uma sugestão do amigo José Antonio de Lima, conhecido como o Lima da Farmácia. (hoje não atua em farmácia, mas na Clínica Veterinária da  Doutora Camila, em frente à minha casa).
Pois bem o Lima sugeriu que, escrevesse uma crônica sobre as árvores frutíferas que existem nas ruas de nossa cidade. Naquele instante, eu me lembrei de outro amigo que morou aqui, o Carlos Alberto Trombelli, que tinha o sonho de arborizar a cidade com frutíferas.
Na época, o Trombelli era proprietário de uma Livraria na Rua Gentil Moreira, e na calçada em frente havia um pé de pinha, e mais adiante um pé de goiaba e de limão. E aí, ele manifestou esse desejo de encher a cidade com frutíferas, que saciariam a fome dos passantes. Achei extraordinária a ideia.
Mas, o Trombelli foi embora de mudança e esqueci dessa história, que o Lima me fez lembrar recentemente.
E esse amigo me trouxe uma lista de ruas, que possuem atualmente árvores frutíferas, plantadas por anônimos e que oferecem frutas, para quem quiser. Fiquei muito encantada ao constatar que, o Lima fez uma pesquisa e anotou os locais onde existem essas árvores. A lista não é extensa, mas interessante. Com certeza, deve haver mais frutíferas espalhadas por outras ruas, porque a nossa cidade cresceu muito. Mas, isso não importa.
O que importa é a intenção de quem plantou essas mangueiras, essas goiabeiras... Com certeza tinha o desejo de compartilhar as frutas com outras pessoas. E isso é muito bonito, pois as frutas são oferendas de Deus e devem ser repartidas com todos. Principalmente para quem não tenha condições de comprá-las.
E como nem todos possuem espaço em seus terrenos, a solução seria mesmo essa – plantar árvores frutíferas nas calçadas. Além da sombra que nos aliviaria do sol inclemente, haveria frutas saudáveis e gratuitas para qualquer um saborear.
Sei que existem cidades que cultivam frutíferas nas ruas. Recentemente soube de uma cidade que possui jaqueiras nas calçadas. E deve haver um certo controle para não crescerem demais, pois disseram que estas em especial dão frutos nas partes baixas do tronco, ao alcance da mão... Porque tendo espaço, elas crescem demais e é difícil colher as jacas lá do alto. Tenho cinco pés no sítio e é muito difícil colher aquelas frutas enormes. Conheci uma cidade mineira, que tinha as ruas cheias de jabuticabeiras. E a cidade leva o nome da espécie dessa jabuticaba, Sabará. Soube também que existe na Bahia uma cidade com plantação de pitangas nas calçadas, e que ficam todas vermelhinhas e cheirosas na época da frutificação.
De acordo com o amigo Lima que me inspirou essa crônica, a fruta predominante em nossas ruas é a manga. Há uma porção de mangueiras na Avenida Rafael Pereira, quatro na Senador Rodolfo Miranda esquina com a Álvaro Guiato, mais quatro na mesma Senador Rodolfo nos números 428, 430, perto do Forum, e no número 1857. Ainda há mangueiras na Rua São João nos números 477, 557 e 620. E no número 1648 na D. Pedro também tem uma mangueira. Dezenas de mangueiras! Doces mangas!
A vice campeã é a goiaba. Há goiabeiras na Rua nove de julho, junto ao DAE- ETA, na Álvaro Guiato esquina com a Senador Rodolfo, na Rua Dr. Edgar Raimundo da Costa, na Senador Rodolfo Miranda 1183, e na São João nos números 384, 584 e 620. Sete goiabeiras, talvez mais...
A Rua mais favorecida com árvores frutíferas é Senador Rodolfo Miranda, que além das cinco mangueiras e das três goiabeiras, possui ainda um pé de acerola no número 681, um pé de carambola no número 365, um cajueiro no número 428, e uma jabuticabeira no número 681.
Ainda existem outras frutas como a graviola na Edgar Raimundo da Costa, um umbuzeiro na Raul da Cunha Bueno, junto da travessa da ferrovia, no Bairro Paulicéia. Há também um cajueiro na São João 576. Ah! Existe uma pitangueira na Macoto Ono, perto do Salão de Beleza da dona Hilda. E na Armando Sales de Oliveira, nas proximidades do Correio existe um pé de amora e uma romãzeira.
Saí para fazer umas compras e descobri na Rua Mizael  Leandro Alves , uma porção de coqueiros e um pé de laranja na calçada. E junto à passagem de nível da ferrovia, perto do Posto Veroneze, há uma fileira de coqueiros separando as duas pistas. E percebi que o coqueiro é a frutífera mais adotada pelos nossos moradores. Existem várias espécies de palmeiras, conhecidas como buriti, carnaúba, babaçu, pupunha, açaí. Só que honestamente não sei discriminar umas das outras, então as classifico como coqueiros... Também existe um pé de pinha ali perto da Praça Manoel Alves de Ataíde, na Rua São João. Vi um pé de amora na Adelino Minari, e aqui perto na Edgar Raimundo da Costa há um pé de abacate.
E no Bosque da Pista da Saúde, há pés de ingá, jatobá e jenipapo entre outras dezenas de árvores.
Essas árvores devem ter alimentado tanta gente ao longo dos anos, com doces e saborosas mangas para os moleques, goiabas para os jovens e umas pitangas para os passarinhos. Além de alimentar os colibris, beija flores e borboletas com seu mel. Arapuás e formigas devem também usufruir desses benefícios...
Como vêm, as árvores exercem uma linda função e não atrapalham ninguém. É possível conviver em harmonia com elas, mesmo que cresçam nas calçadas. Os benefícios que elas oferecem, muitas vezes nem um cidadão bem intencionado é capaz de produzir. Pensemos que além das frutas, elas nos oferecem a maravilhosa sombra que nos protege do sol quentíssimo do Verão, e o precioso oxigênio que purifica o ar, tão indispensável à vida.
Mesmo assim, existe gente muito fraca da cabeça, mas fraca demais que não tolera árvores nas calçadas e acaba matando-as. Implicam com as folhas secas que caem no chão e têm que ser varridas. E recentemente descobri com tristeza que, tem gente jovem que constrói e reforma casas, e para exibir a fachada nova derruba as árvores que o morador antigo levou anos cultivando-as. E ficam desesperados, procurando sombras nas casas vizinhas para seus carros em dias muito quentes... Desventurados e pobres de espírito.
Conversando com o meu Professor Gustavo Ordine a propósito da seca lembrada nas canções “Assum Preto” e “Asa branca” que estou tentando tirar ao piano, ele me contou um fato interessante. Um aluno do Conservatório que veio lá do Nordeste comentou que, a diferença notória que existe entre as nossas cidades é que, lá não há árvores nas ruas. Somente casas. Um amontoado de casas que não têm o benefício do frescor que as árvores oferecem. Fiquei matutando: Será que é cultura regional? Será que não plantam porque não se desenvolvem? A falta de água limita essa plantação? Ou simplesmente não se importam com a falta de sombra? Estranho, muito estranho...
Um outro amigo, que foi meu aluno em Amandaba e mora em Fortaleza no Ceará, veio visitar-me um dia e disse que lá em tempos de seca, quando se avista algo verde na paisagem, pode ter certeza que é apenas uma porteira pintada... É desolador ouvir isso.
O que fizemos com o nosso planeta?
Embora haja regiões tão empobrecidas no planeta, em Mirandópolis felizmente há cidadãos bem intencionados, que cuidam de árvores não só pelo benefício das frutas e beleza das flores mas sobretudo pela sombra benfazeja, que nos alivia desse calor tropical.
E plantemos mais frutíferas, que o benefício é infinito.

Mirandópolis, fevereiro de 2016. Kimie oku in