quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

 

                    Yoshio san

     Estranho como certas lembranças ficam para sempre na memória. Eu era uma criança de cinco, seis anos quando o vi pela primeira vez.

O ano era 1946/7.

Morávamos numa casa de cascas de árvores, no meio de um pasto. Nosso vizinho mais próximo eram os Fujito. Eu tinha medo das vacas que por ali pastavam. Éramos mais pobres que pobres...

Um dia, atraída pelo barulho da molecada fui até a cerca para dar uma espiada. Foi quando o vi.

Um homem estranho, atarracado, de seus trinta anos, cabeça raspada e vestindo um camisolão preto desbotado. Descalço. Os moleques jogavam pedras nele. E ele só chorava com medo, tentando escapar. Crianças cruéis. Chegavam perto e levantavam a saia para espiar suas partes íntimas... Acho que ele não entendia nada. E os moleques davam risadas. A visão daquele ser me perturbou por  vários dias...

Alguém da família me explicou que o homem era um indivíduo incapaz, que não fazia mal pra ninguém. Mas que não chegasse perto.

Mesmo assim, eu gostava de ficar na cerca olhando aquela figura incomum, que andava debaixo das mangueiras, sempre descalço. Ele andava pra lá, pra cá, catando gravetos secos. Seu camisolão ia varrendo o chão de areia. Quando tinha uma porção deles, ajeitava-os no colo como se fossem um bebê e, dizia hiá, hiá, hiá ninando... E todos os dias, fazia a mesma coisa. Parecia uma criança brincando de boneca. Se permitissem, teria ido brincar com ele...

Nunca entendi aquela criatura, mas percebi que era manso, inocente... E até hoje penso que era apenas um anjo que caiu do céu, por descuido de Deus...

Mirandópolis, janeiro de 2022.

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

 

Antônio Perez

 

A difícil arte de escolher como preencher seu tempo.

 Lembrei-me agora mesmo, com muitas saudades do meu avô.

 Espanhol, desembarcou no porto de Santos por volta de 1929, época que como todo mundo sabe houve a “Grande Depressão” que atingiu o mundo inteiro.

 Seu primeiro emprego foi trabalhar nos fornos de carvão, segundo ele, a coisa mais próxima do inferno que conheceu.

 Sua meta era vencer e a fórmula era trabalhar arduamente. Depois de a pobreza, e com algum crédito ele comprou primeiro uma máquina de beneficiar café, depois uma pequena fazenda que produzia o café a ser beneficiado.

 Ele me contou muitas vezes que todos os sitiantes da região colhiam o café e levavam imediatamente para a sua máquina, mesmo que ele não tivesse dinheiro para pagá-los. Assim, ele beneficiava o café, vendia e depois pagava os fornecedores. Cheguei a conhecer cada uma das muitas máquinas de café que ele comprou ou montou e as dezenas de fazendas que ele comprou, reformou e tornou-as grandes propriedades produtoras.

 Alguns anos depois meu avô deu ao único enteado e aos seus sobrinhos que trabalhavam com ele, todas essas máquinas e fazendas e, ficou exclusivamente no ramo da pecuária com o que se chama cria, recria e engorda, chegando a ter muitas outras fazendas, uma das quais me lembro de nome Fazenda Santana ou Santa Ana, que tinha cerca de 7.000 alqueires, cujas terras atingiam três municípios, se não me engano, Pacaembu, Junqueirópolis e Nova Independência.

Infelizmente um acidente deixou meu avô impossibilitado de trabalhar e de ter mais um tempo. Depois de longa enfermidade ele morreu deixando muitos bens e muitas, muitas saudades, em muita gente.

 Foram muitas as lições que Antonio Perez deu a todos os que o cercavam. Eu ainda era jovem demais para entender, aplicar e tirar benefícios delas. Mas nunca as esqueci, e de vez em quando me pego lembrando desse grande homem e como eu gostaria de ter seguido muito mais os seus exemplos.

Pense um pouco como você está usando o seu tempo.

Sugiro que você perca uns poucos minutos e reserve um tempo para fazer algo de bom e ainda mais proveitoso do que  você anda fazendo.

Pode ter certeza de que no futuro irreversível, você vai reconhecer que ter empregado bem o seu tempo foi o que de melhor você fez na sua vida. Cada segundo é único e nunca mais se repetirá.

 

Nota: O autor do texto Mário Guzman é filho da senhora Ruth Andrade Pacheco e Antônio Guzman Mariscal. Este foi enteado do senhor Antônio Perez, que não teve filhos.

Antônio Perez foi proprietário da Máquina de beneficiar café, a “Comercial Antônio Perez e Cia” que dos anos quarenta até os noventa beneficiou muito café, impulsionando a economia de Mirandópolis e região.

Achei oportuno publicar essas memórias, que se referem a um homem que, foi muito importante para o progresso de Mirandópolis. Será arquivado no Acervo da História de Mirandópolis

Mirandópolis, janeiro de 2013.

 

 

 

domingo, 16 de janeiro de 2022

 

                Tomo san

            Tomo san era um arrendatário de terras que plantava algodão, lá pelos idos de 1961... Tinha esposa e uma   penca de filhos/crianças ainda.

     Fui morar com eles quando assumi a Escolinha Rural, que atendia as crianças de treze famílias de colonos, vindos do Norte.

    As famílias eram paupérrimas e contavam com o patrão para se alimentarem. E Tomo san comprava comida toda semana para todos. Com certeza devia ao fornecedor, ao Banco... Mas, levava as famílias às compras com um sorriso largo, sempre de bem com a vida. E quando o dia ia terminando, ele partia várias melancias que havia comprado, e chamava as famílias para se deliciarem com aquelas talhadas vermelhas e saborosas. Era uma festa! Todos se alegravam e era o momento feliz da semana.

     Nem tudo era festa para Tomo san e seus colonos. Fazia nove meses que não chovia, e a terra estava tão ressequida, que era impossível semear algodão. Os homens tombavam a terra todos os dias pra lá pra cá, e espiavam o céu à espera da bendita chuva. No céu, o sol era uma bola de fogo, ofuscado pelo ar amarelo empoeirado.

     Mesmo com o sol inclemente, os homens tombavam a terra com seus arados puxados por animais. Aravam num sentido, depois em outro sentido. Todos os dias. E espiavam o céu e diziam esperançosos: Hoje ela vem! Mas nada, ela não vinha...

Uma noite, 19 de outubro, acordei com o choro do homem. Ele gritava e chamava os filhos e a esposa: Acordem, vamos levantem todos! Vamos rezar! Deus se lembrou de nós!

Assustada pela gritaria do homem não percebi a chuva! Chovia tanto que parecia o fim do mundo. Trovões ribombavam uns atrás de outros, balançando a pobre casa de madeira e ecoavam lá longe. Na escuridão da casa, trombando com a parede fui até a sala. De repente, um relâmpago revelou o que nunca mais vou esquecer! Tomo san ajoelhado no chão batido, com a família reunida em volta, chorando e agradecendo em altos brados a Deus...

E por uns instantes, todos ficaram ali, agradecendo e orando... Emocionada fiquei ali e fiz uma pequena oração também, agradecendo a Deus.

E a chuva descia sem parar, sem parar. Parecia que São Pedro mandava despejar água em cataratas... Choveu horas seguidas. Quando ela amainou, o homem calçou umas botas, vestiu uma capa e pegou uma lanterna. A esposa perguntou: Onde vai, homem? E ele: Vou pra roça ver a terra beber água. Isso eu quero ver!  E lá se foi o Tomo san pela escuridão da noite, deixando a esposa muito aflita. Eram mais ou menos três da madrugada...

Só voltou de manhã. E acordou todo mundo da colônia gritando: Deus se lembrou de nós! Levantem, vamos agradecer a Deus!

E todo mundo foi receber o patrão com alegria e esperança. Choveu o dia inteirinho seguindo pela noite adentro. Tomo san pegou uma garrafa de aguardente e foi dar um golinho para todos os peões... Parecia uma criança no dia de Natal.

No dia seguinte abri a Escola e não apareceu nenhuma criança. Pensei: O que será que aconteceu?  Ia perguntar para a senhora do Tomo san, quando as vi! Estavam todas lá na roça. Saltando e tampando no chão as covas, onde os pais e irmãos depositavam as sementes de algodão. As máquinas manuais faziam um barulho alegre conforme iam depositando as sementes. Catchan, catchan, catchan, catchan.... E ouvi isso dias seguidos. Não teve aulas a semana toda. Sobreviver era primordial.

Vi o algodoal germinar e dar flores, mas com o fim do período letivo, vim embora para casa de férias.

Meses depois soube que a colheita tinha sido magnífica. E todo mundo foi compensado pelo sofrimento de nove meses de provação.

E até hoje carrego no coração, a imagem daquele japonês tão simples, tão fervoroso e tão nobre.

Tomom san.

Mirandópolis janeiro de 2022.

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

 

Cultura japonesa...

 

Muita gente não sabe o que é cultura.

Cultura é tudo que o ser humano produz para si e para os que cercam, com o fim de facilitar o seu desempenho no meio que habita e tornar a vida mais confortável para todos.

Assim, a língua é cultura, a religião é cultura, a dança é cultura, a política é cultura, a brincadeira é cultura, o jogo é cultura, o debate é cultura, o canto é cultura...

Nada é mais cultural que o alfabeto, a escrita. Até hoje os  antropólogos não conseguiram definir certas civilizações arcaicas, que deixaram monumentais construções, mas não possuíam um  sistema de escrita, um alfabeto.

Para se estudar esses grupos antigos, a escrita é a chave. A escrita conta sua história, como viveram, como interagiram com o meio, como sobreviveram aos cataclismos... Como desapareceram...

Em Nihongô, gente de várias nacionalidades quer aprender o kanji, ou a escrita por ideogramas. É que o kanji tem uma beleza singular,  e parece guardar um enigma nos seus traçados simétricos. Palavras escritas com pincel e a carvão são verdadeiras pinturas em preto e branco.

Sou fissurada nos kanjis, assim como nas pinturas zen...

Mas, os kanjis não têm nenhum valor se não estiverem num contexto, que pode ser sobre Religião, Política, Economia.

Um kanji sozinho é como uma andorinha que não faz o Verão sozinha.

Há anos atrás, comecei a estudar Nihongô e me submeti aos Exames de Proficiência. Consegui vencer os níveis IV, III e II. Só não continuei nessa empreitada para conseguir o último nível o I, porque os Exames eram em Londrina, Paraná e a viagem era muito cansativa. Ia com os alunos do Nihongô Gakko.

Mas, o que surpreendeu bastante foi perceber o número cada vez maior de jovens brasileiros também se submetendo a esses exames. Enquanto há tantos jovens nisseis e sanseis desinteressados.

Na atualidade, a informação, o conhecimento é a chave do sucesso. Se você traçar o inglês tem meio caminho andado para alcançar algum objetivo. Mas, o inglês a maioria sabe.

Então, a dica é aprender o Japonês, o Chinês, o Árabe.

Como temos ascendência nipônica, é natural que aperfeiçoemos a língua materna.

Então, vamos à luta!

Vamos estudar Nihongô.

Um pouquinho todo dia.

E vamos ser bilíngues.

Mirandópolis, janeiro de 2022.

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

 

     Contagem em japonês

     De repente, me dei conta de como é difícil o sistema de contagem em japonês. Aliás, tudo em japonês é bem complicado.

Nosso alfabeto tem 26 letras ou símbolos e, com eles dá pra escrever tudo!  Dá pra escrever em inglês, espanhol, italiano... Mas, em Japonês pra se ler um jornal é preciso conhecer Seis mil ideogramas! E cada um mais complicado que outros... E a contagem então!

Para se dizer o primeiro dia  do mês, seria normal dizer ichiniti (一日), mas se diz tsuitachi, e assim vai! Segundo dia é futsuka, terceiro dia mikka, yokka, itsuka, muika, nanoka, yôka, kyuka, tôka... Nichi/dia Nichi se transforma em ka em ordinal.

 Quando se conta pessoas usa-se nin ou jin. San nin significa três pessoas, yonin, gonin, rokunin, shichinin, hachinin, kunin, juunin… Mas, uma pessoa é hitori e futari são duas pessoas…

Quando se trata de animais pequenos como cães e gatos usa-se hiki, biki ou piki... ippiki, nihiki, sanbiki, yonhiki... Mas se o animal é grande usa-se tou: Cavalo e bois é itou, nitou, santou...

Objetos pequenos concentrados é iko. Pedras, tomate, bombons... ikko, niko, sanko, yonko...

Objetos compridos como lápis, varas... ipon, nihon, sanbon...

Aves... ichiwa, niwa. sanba...

Folhas e objetos planos... ichimai, nimai, sanmai...

Livros e revistas ... isatsu, nisatsu, sansatsu...

Carros e meios de transporte... dai, nidai, sandai...

Para contar casas/moradias dizemos iken, niken, sanken...

Então, vamos lá!

Um pequeno texto:

“Hoje é juu san nichi / dia 13.

Ichigatsu/janeiro.

Nisen nijuu ninen/2022.

Watashi ha nanajuu kiyu sai/Tenho 79 anos.

Juuninin no kiyodai/Doze irmãos.

Sannin ha naku narimashita/ Três já morreram.

Watashiha rokubanme no ko/Sou a 6ª filha.”

Complicado, né?

Mirandópolis, janeiro de 2022.

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

 

                                    DESAFIO

Gosto de assistir a programas reais, que mostram gente pelejando para viver, para alcançar sonhos, para mostrar a labuta de cada dia. E o canal History está se esmerando em seus conteúdos. Homens da Montanha, Sobrevivendo no Alasca, Sozinhos, Mundos Subterrâneos, Alienígenas do Passado, A Madição de Oak Island e Desafio sob Fogo. São todos programas que mostram a coragem dos personagens que lá atuam. Todos muito estimulantes e desafiadores. Nada de fantasia, a verdade nua e crua do dia a dia de cada um.

     Fico fascinada com os ferreiros que participam do Desafio sob Fogo, porque é um desafio e tanto – forjar espadas, facas, cutelos, machados antigos em tempo recorde. E há um prêmio!

     Mas, o que mais chama a atenção é a capacidade de cada participante superar seus próprios limites, para mostrar do que é capaz. Todos determinados apesar de suas limitações...

     O que me encantou de fato é que os cutelos e espadas propostos na forja são peças antigas das mais diversas civilizações, desde a Índia, a China, a África, dos Países Árabes, EEUU, do Povo Ártico e do Japão. E ao proporem a confecção desse material, eles contam as origens, o uso e a história de cada arma. E seus nomes originais são citados com ênfase.

     Como minha ascendência é japonesa, fiquei encantada ao ouvir a palavra SANMAI, que significa três camadas – fazer uma faca com três camadas de material. Depois ouvi as palavras KATANÁ que significa espada, ONÔ que significa machado e agora ouvi MAGURÔ BOCHÔ, ou espada para cortar atum. Magurô é atum e Hocho ou Bochô é faca.

     Então, percebi que o programa não só mostra a competência dos exímios ferreiros forjadores, mas passa uma cultura esquecida das diversas partes do mundo. Nomes em alemão, em língua nativa dos esquimós, dos africanos, dos chineses... Isso é cultura interessante. Muito interessante!

     Os telespectadores não mais aceitam programas de mentirinha, histórias da Carochinha, e que tais. Para prender atenção até o fim, só programas reais e desafiadores da vida.

     Concluindo, aprendo muita coisa vendo esses programas, porque são inteligentes, e não existem apenas para divertir e extasiar os telespectadores. Têm conteúdo respeitável.

     Quando os nossos Canais substituirão os noticiários de medo e terror de assaltantes, de sequestradores, de roubos milionários, de falcatruas por sessões mais inteligentes?

     Programas que ensinem o povo a poupar comida, papel, água e defender a nossa maltratada Terra?

     Programas que ensinem o lado saudável do cotidiano?

     Tevê é um poderoso canal para divulgar conhecimento.

Mirandópolis, dezembro de 2021.

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

 

    A árvore e os Professores

     Tenho sugerido tantas vezes ao Departamento do Meio Ambiente local que, plante árvores para vencer os terríveis vendavais que têm assolado a região... Tenho escrito tanto sobre a falta de proteção contra os ventos de 80/100 km que devastam tudo que encontram... Tenho repetido tanto que a única solução é plantar árvores e mais árvores... E surtiu efeito, graças a Deus!

     Só que não foi o Departamento do Meio Ambiente que teve a iniciativa. Foi um grupo de professores (só podia ser!) comandados pela professora Regina Rosado, Presidente da APAM – Associação de Professores Aposentados de Mirandópolis, que arregaçou as mangas e realizou a tarefa.

No dia 07 último, cerca de vinte professores aposentados foram até a Represa Santa Helena, que fornece água para a cidade. E lá juntamente com o pessoal do Meio Ambiente e o senhor Prefeito Sodário realizaram o plantio de oitenta mudas de oiticica, além de uma paineira. Mudas fornecidas pelo viveiro da Prefeitura. Os buracos foram cavados pelos funcionários braçais da Prefeitura, porque aposentados não teriam forças para fazer isso.

Louvável a iniciativa!  O Prefeito Sodário ficou feliz com tal empreendimento, que convidou os Professores para repetirem a dose na outra Barragem.

Oitenta árvores ajudarão a compor a mata ciliar para proteger as águas da Barragem, mas é preciso muito mais!  Como diz a sabedoria popular “  Uma andorinha só não faz o Verão”  São necessárias muitas, muitas  e muitas árvores. E muitos, muitos, muitos cidadãos engajados nessa missão. Afinal a água é de todos, e a falta dela é um problema comunitário. Que aflige a todos. Quando falta água, todo mundo grita e ataca a Prefeitura. Mas os cidadãos também são responsáveis.

Depois de termos passado por uma longa estiagem, os açudes e as lagoas secaram. As pastagens mal e mal estão alimentando o gado. E tem gente lavando a calçada! Lavando até o asfalto. Gente burra! Inconsciente! Não pensa no amanhã, no mundo que deixaremos para os nossos netos, um mundo triste sem água! Essa gente não tem cura...

Mas, voltando à questão do plantio de árvores, fico aqui assuntando: Por quê o Meio Ambiente não executa essa tarefa? O Departamento existe pra quê? Só pra inglês ver? É preciso gente aposentada, que deu a vida toda pela educação, ajoelhar-se no chão e plantar essas mudas? Aposentados cheios de dores na coluna, nos joelhos, nas panturrilhas...

Fico assuntando... Os braçais fizeram os buracos... As mudas foram cedidas pela Prefeitura... E existe um Departamento de Meio Ambiente... Existe?????

E não adianta apontar o dedo pra mim, porque já fiz mais de três mil mudas de madeira de lei, e distribuí entre amigos. E as que sobravam doei para a Casa da Agricultura local. Hoje não tenho mais força para continuar...

Pra terminar esse desabafo, quero parabenizar os Professores, especialmente a Regina Rosado, que vai deixar um legado na Represa para as futuras gerações. Agradeço em nome dos cidadãos de Mirandópolis, que precisam demais da água. E a mata ciliar é fundamental para filtrar as sujeiras que descem das vertentes. Estendo os cumprimentos aos demais Professores e ao Prefeito Sodário.

E torno a perguntar: Replantio de árvores não é um Projeto do Meio Ambiente?

Mirandópolis, novembro de 2021.

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