terça-feira, 27 de janeiro de 2015

  Cirandando em 2015
    
   
  
   Na sexta-feira 23 deste, realizamos a primeira cirandada do ano. Ao programar o encontro, achei que a maioria estaria indisposta a comparecer por causa do calor.
   Ultimamente, a temperatura estava chegando perto dos 40 graus, fato nunca visto antes... Quando o ar aquece demais, as pessoas ficam sem ânimo para sair de casa, especialmente as pessoas mais idosas...
  Felizmente, na véspera choveu uma chuva rápida e boa e refrescou o ar. O dia estava luminoso e havia uma brisa refrescante...
   E às 14 horas já havia uma porção de gente lá na Chácara do seu Albertino, esperando os amigos. E o pessoal foi chegando com alegria, trazendo lanches, refrigerantes e frutas.
  O reencontro dos amigos é sempre muito animado, todos querendo saber das novidades, trocando ideias e notícias de família. Aí, formam-se grupos conversando animados aqui e ali, pondo a conversa em dia.
  
   Dona Adelina e o seu Joaquim Leite trouxeram o filho e a neta que moram fora, para conhecer a Ciranda.
    Mais tarde, apareceram os irmãos Gerval e  Jovanini com sua sanfona e seu violão, para se revezarem com o sanfoneiro da casa, e o pandeirista Agnaldo. E aí, a festa se animou de vez, com muita cantoria e os acordes da sanfona, do violão e do pandeiro enchendo o ar. Entre uma cantoria e outra, foram servidos salgadinhos e frutas, para espantar o calor.
Muita gente ensaiou umas danças, acompanhando o ritmo das músicas.
E assim passou a tarde e, nem deu tempo de brincar de ciranda, porque todos estavam muito animados a cantar. Mesmo depois que a maioria se foi, a dupla Gerval e Jovanini deu um show, tocando e cantando músicas que falam de coisas da roça, dos tempos passados que não voltam mais. Foi um show e tanto!
E assim foi a primeira cirandada do ano.
Em fevereiro tem mais!




    Mirandópolis, janeiro de 2015.
    kimie oku in
    http://cronicasdekimie.blogspot.com.br/



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

                               Que calor!
    Frase campeã dos últimos dias.
Ninguém fala em outra coisa! Todo mundo sentindo a quentura do planeta e, transpirando copiosamente, quer queira ou não.
Todo mundo incomodado, pois o calor é desconfortável e nos dá a sensação de estarmos sujos, por causa da transpiração. E mesmo após um banho frio, a transpiração não para. É que há excesso de água no organismo, que ferve como uma chaleira cheia e começa a evaporar...  É uma reação do corpo que independe de nossa vontade, pois vaso cheio demais tem que derramar...
O estranho é que em qualquer parte do Brasil, os amigos do face book estão reclamando da mesma coisa. É em Brasília, em Santos, no Rio, em São Paulo, Mato Grosso, Paraná... Geralmente, enquanto uma parte do país sofre com o calor, outra parte sofre com o frio, mas ultimamente isso não está ocorrendo. Parece que todas as regiões estão fervendo. Até quando, meu Deus?      Está pegando fogo no Planeta?
Em Mirandópolis até que tem chovido bem em Dezembro. Quase toda semana caiu uma boa pancada de chuva, e amenizava o clima por um ou dois dias. Depois vinha o calor de Verão mesmo, como agora, que faz todo mundo consumir água e mais água. Felizmente, água pra beber não faltou ainda. Os serviços particulares de abastecimento de água mineral estão a todo vapor, Seus motoqueiros de entrega a domicílio não têm descanso. É moto que cruza para todos os lados levando a preciosa bebida para a população sedenta.
A Represa que abastece a cidade está com nível baixo, mas muita gente não se ligou ainda. Continua jogando água fora, lavando quintais como vejo na vizinhança e dando de beber para as calçadas. Calçada não precisa de água! E não adianta falar com os patrões, que fazem cara de paisagem para a ação irresponsável de suas empregadas. E estas, esguicham água para todos os lados como se fosse uma festa. Como são burras! Parecem toupeiras que se escondem em buracos, para não saber dos problemas que assolam à sua volta.
E ninguém, ninguém ainda levantou a bandeira de replantar árvores, para recuperar o equilíbrio do Planeta. Teria que ser uma ação conjunta, universal, independente de ser Norte, Sul, Leste, Oeste; de ser Ocidente ou Oriente, de ser branco, amarelo, preto, vermelho ou azul; de ser cristão, muçulmano, budista, xintoísta; de ser judeu, árabe, americano, africano, hindu, chinês ou australiano... Teria que envolver o mundo inteiro, porque a destruição foi responsabilidade de todos os povos, que aqui estão vivendo e de nossos antepassados. Então, a recuperação tem que ser conjunta, porque só assim ocorrerá   o despertar de consciências.
Tenho 72 anos de idade e estou indo para os 73 de vivência neste Planeta, mas nunca, jamais vivi um Verão tão tórrido e devastador como esse. As plantas de minha horta estão com as folhas sapecadas, mesmo estando bem irrigadas. Imagino o que os horticultores devem estar sofrendo para cultivar as abóboras, os tomates, as folhas verdes... E as frutas? Admiro haver ainda frutas à venda no mercado, pois, a quentura do ar está derrubando as mesmas pro chão. Poncãs, laranjas, mangas estão se cozinhando no pé! E bananas meio verdes ficam cozidas e molengas... E os revendedores estão penando, porque mesmo comprando frutas perfeitas, com um dia ficam moles e imprestáveis...
Ouvi através da tevê, reportagem de um determinado lugar que está sem água há quatro dias. Sem uma gota d’água!  E os moradores fazendo filas diante de uma bica que há nas cercanias. E todo mundo com sede!  Desesperados.
E não adianta culpar os governantes, pois somos nós os próprios culpados, por termos e estarmos esbanjando água irresponsavelmente. E culpar uns e outros não trará a solução. Nós é que temos que resolver o problema, pois é um problema muito grave e atinge toda a humanidade.
Gente, imagine isso acontecendo em nossa comunidade. Ficar sem água para beber, para cozinhar, para lavar a roupa, para tomar banho. Sem banho com esse calor! Ficar uma semana sem tomar banho! Já imaginou?  Esse tempo está chegando. E pode reclamar até para o Papa, que não haverá solução.
Que calor! Que calor! Que calor! É a frase do momento. É chato, mas a gente está ouvindo isso a toda hora.
Ainda bem que a queixa do momento é “Que calor!”
Já pensou quando for “Que sede!”?
E não houver uma gota de água para saciar a sede?
Pense nisso!

Mirandópolis, janeiro de 2015.
kimie oku in


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

                                Liquidação!

  Interessante como o comércio funciona!
     Todo fim de ano sempre é a mesma coisa! Ninguém dá desconto, porque comprar é preciso. Porque o Papai Noel não pode falhar, e não importa o preço astronômico, não dá para deixar a pessoa querida sem o presente. É Natal! E o 13º chegou, e não tem como fugir da compra. Como escapar da situação? Parcelando em dez vezes, no cartão...
      E assim tanta gente acaba caindo nessa armadilha.
      E o ano acaba. Papai Noel agora só no fim do ano. Natal já era. E chega janeiro do novo ano. Janeiro é o mês das contas a pagar! É IPVA. É IPTU. É matrícula na Escola! É material escolar, bolsas, mochilas, tênis e uniformes novos, porque os velhos estão apertados... E a viagem de férias???? E as contas do fim de ano???
      Janeiro deveria ter também o 13º ou 14º Salário! Como fazer frente a tantas cobranças? A saída é cortar todos os supérfluos e comprar só comida. E olhe que precisa ter muita comida, com os meninos de férias, e trazendo toda a tropa para jogar, para nadar, ou simplesmente para folgar, porque aulas só daqui a um mês! E como come essa moçada, parece saco sem fundo!
      E aí, justamente quando ninguém tem mais Money, as lojas entram em liquidação de estoque, oferecem o saldão de fim de ano, com descontos inacreditáveis... Os tênis de $600,00 estão por $400,00, a camisa de $350,00 por $200,00 e por aí vai... E dá uma raiva por ter pago $200,00, $150,00 a mais por uma coisa que é igualzinha... Só por uma diferença de quinze dias!
     Mas, a gente aprende!  Já passei por tudo isso! Como agora não tenho crianças pequenas para presentear, vou adiando minhas compras de Natal para o mês seguinte. E compro tanta coisa a mais com o valor de um presente só! Aproveito as liquidações e os saldões em oferta, porque meu dinheirinho não é capim!
      Melhor época para comprar roupas de cama, mesa e banho é agora, quando os preços caem quase pela metade. E olhe, comprar cobertas no Verão sai bem mais em conta! Assim como comprar condicionadores de ar no Inverno!
      Já passei por dificuldades mil por não saber administrar meu tiquinho de dinheiro, e vivia com a conta em vermelho. Mas a gente aprende. E aprende por ensaio e erro. Se bem que, nessa altura da vida, com sete décadas nas costas prá que guardar dinheiro?
    Tenho uma amiga que vivia pendurada em contas, porque não resistia às tentações de ofertas ocasionais de uma certa loja. Vivia mal humorada, apertada com as cobranças... Um dia, lhe disse: “Pare de passar em frente a tal loja, até liquidar suas contas!” Assim ela fez, e hoje só volta lá quando precisa de algo com urgência. E agora aliviada, se vangloria de não ter prestações para pagar. Usou o cérebro, porque cabeça é para pensar, não é só para enfeitar ou criar piolhos!
Agora, cá entre nós, por que os comerciantes não fazem um preço camarada já na época das Festas, para todo mundo ficar feliz? Será que arrasar vendendo caro no final de ano vale a pena? Mas, então por que as liquidações de janeiro? Estoque demais? Sobras de preços excessivos? Como conseguem vender pela metade do preço depois de dez, quinze dias das vendas do ano que morreu? E nesses preços reduzidos ao extremo para limpar o estoque, quanto há de lucro? Porque ninguém vende sem uma margem de lucro...
      Decididamente, não entendo nada de comércio, mas fico dando tratos à bola...E tenho visto muitas lojas encerrando atividades, após anos no comércio. Há um tempo atrás, foi a loja  da Leninha, da Ló, agora vi a loja de $1,99 na esquina da Praça. É muito triste quando acontece isso. Dá uma sensação de fracasso, de perda de investimento... Por outro lado, há pontos que não “pegam”. Parece que estão “benzidos”, porque nesses lugares nada prospera, nada vai adiante. Diz o ditado popular que, ali está enterrada a caveira de um burro. Coisas do povo... Se tem caveira enterrada duvido, mas que existem esses lugares, ah! existem! Já pensou ter que morar num lugar desses?
Quando os filhos eram pequenos, eu tinha contas em várias lojas: de calçados, de roupas, brinquedos, farmácias, livrarias... Com isso vivia apertada, e não tinha saída. Todo mês, mais da metade do salário era para pagar essas contas. Mas, os filhos cresceram e quando a gente ficou mais folgada em termos financeiros, eles já saíram do ninho e estão em outras paradas. Hoje, procuro pagar minhas compras à vista, para aproveitar os descontos, e dou cheques para descontar daí um mês. (Dá tempo de conferir se a mercadoria valeu o preço pago!)
     Mesmo assim, observo a luta de pais que passam apertados com os filhos que imploram os celulares de última geração, que os coleguinhas possuem e só ele, não. Mas, os coleguinhas têm condições e seus pais, não.
    Quem tem recursos ou dim dim em caixa, aproveita o incrível “Black Friday” ou Sexta-feira Negra, que os americanos inventaram para fazer uma mega venda todo ano. Isso ocorre na Sexta-feira após o feriado de Ação de Graças, que é na 4ª quinta-feira de novembro. Essa promoção também foi adotada no Brasil e as ofertas são fantásticas, com descontos de até 80% do valor adotado durante o ano.
Mas, esse Black Friday no Brasil só foi adotado pelas grandes lojas, e é tímido ainda ao interior, se bem que é possível adquirir as mercadorias desejadas via Internet. Os preços compensam, então vale a pena guardar o money e esperar até novembro para realizar um sonho. Eletrodomésticos, eletrônicos são as sensações desse Black Friday.
Enquanto isso, vamos vendo as lojas paradas, porque janeiro é o mês de pagar contas. No Money! E contas, e contas e contas...
Comprar só a partir de 10 de fevereiro!

Mirandópolis, janeiro de 2015.
kimie oku in
     
     


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

    Os marcos da cidade
     
    Toda cidade tem uns marcos históricos, para eternizar os nomes de pessoas que pelejaram para construí-la.
    São Paulo tem o impressionante Monumento às Bandeiras, obra de Víctor Brecheret que representa grupos de homens que adentraram pela floresta fechada, à procura de ouro e pedras preciosas. Acharam o ouro e esgotaram as minas... mas, o maior mérito deles foi terem construído vilarejos pelos caminhos percorridos. Vilarejos que hoje são as pujantes cidades, espalhadas por todo o território nacional.
Outra obra impressionante é o Monumento do Ipiranga, de Manfredo Manfredi e Ettore Ximenes representa o Príncipe Dom Pedro   e seu séquito real, dando o grito de libertação do domínio português. Inaugurado no Centenário da Independência, em 1922.
     Na orla praiana de Santos tem o conjunto arquitetônico em homenagem ao Padre Anchieta, junto de um curumim a quem veio ensinar os mistérios do Evangelho.
   Existem pelos recantos do Brasil, obras valiosíssimas de arquitetos famosos, que deixaram suas obras para a posteridade, eternizando feitos heroicos de gente que se destacou em prol da sociedade.
    Ah, e na Praça Princesa Isabel em São Paulo, existe a estátua de Duque de Caxias, conhecido como o Patrono do Exército Brasileiro, porque foi um bravo soldado, que defendeu o país em várias batalhas. Essa estátua me lembra um famoso cronista, o Lourenço Diaféria (1933/2008), que escrevia na Folha de São Paulo. Esse cronista me inspirou para o que faço agora, escrever crônicas do cotidiano.
     Pois bem, em setembro de 1977, Lourenço Diaféria escreveu “Herói. Morto. Nós” a propósito de um sargento que para salvar um garoto de 14 anos, que estava sendo atacado por ferozes ariranhas, pulou no lago e salvou o menino. Mas, o sargento morreu. E deixou uma viúva e quatro filhos menores...
     Diaféria assim como todos os brasileiros, que souberam da notícia ficou comovido e comparou esse herói de carne e osso, que dera a vida pelo garoto desconhecido, aos heróis de pedra como Caxias, que serviam de sanitário para os pombos e os mendigos da Praça. Em razão disso, o cronista foi preso e processado, porque ofendera por extensão ao Exército Brasileiro, do qual Caxias é o Patrono e Herói Maior.
     Mas, voltando aos marcos, andei pesquisando e fotografando os de nossa cidade. São poucos mas significativos.
     O marco mais importante é o busto de Manoel Alves Ataide, fundador da cidade, que está na Praça do mesmo nome. Ataide foi um precursor da região e doou o terreno da Praça, mas exigiu que ela levasse o seu nome. Seu busto em bronze foi obra do professor Walter Víctor Sperandio. É lamentável que a obra não leve a assinatura do grande Mestre, e nem a data da instalação.
     Na Avenida Rafael Pereira (nome de um soldado de Amandaba que morreu na Itália, durante os combates da 2ª Guerra Mundial) há dois marcos importantes. O primeiro é o obelisco do Rotary Clube Internacional, ali perto do pontilhão. Foi colocado em 24 de junho de 1967, e é obra também do Professor Sperandio.  O outro marco é o do Lions Clube, que em 2012 além do nome do clube, recebeu um relógio e um termômetro.  Leva o nome de seu autor, Professor Walter Sperandio.
     No Bairro Amandaba há uma pequena praça, onde os imigrantes japoneses moradores dos sítios locais, mandaram erigir um monumento comemorativo dos cinquenta anos de Imigração japonesa ao Brasil. Embora seja um conjunto pesado, ostenta com propriedade as bandeiras do Brasil e do Japão, selando para sempre essa união que começou em 1908, com a chegada do Kassato maru, o primeiro navio com a leva de imigrantes japoneses. Ainda constam os nomes de todos os japoneses que participaram dessa empreitada, cuja maioria já partiu para o céu...
     Em 2000, para os festejos dos Quinhentos anos de Descobrimento do Brasil foi construída uma praça ao lado da Rua que conduz ao Cemitério local. É a Praça dos 500 anos, Essa praça foi bastante frequentada, mas atualmente está meio abandonada...   
E lá no Paço Municipal há um imensa pedra, ali colocada em comemoração aos trinta anos de coirmandade da cidade de Mirandópolis com a cidade japonesa de Takaoka, na Província de Toyama, no Japão. Cidades coirmãs se prestam a cultivar a amizade, além de trocar as tradições culturais que as diferenciam. Então, todo ano há um intercâmbio através de Professores e alunos da Escola Japonesa de lá e daqui. Essa amizade teve início em 1974. E a gravação em baixo relevo na pedra diz que “Mesmo distante, o vento que sopra lá em Takaoka, sopra também aqui em Mirandópolis”
     Em 2008, a Colônia japonesa de todo o Brasil estabeleceu que para se comemorar o Centenário da Imigração Japonesa, seriam construídos “toris”, que originalmente são considerados portais que conduzem ao Paraíso. Isso de acordo com a cultura milenar do Xintoísmo. Ao ultrapassar o tori ou portal, o crente acredita estar pisando em solo sagrado.
     Como não temos esses Templos xintoístas em profusão em todas as cidades, as Associações houveram por bem construir esses portais junto aos Clubes Nipo, porque esses locais representaram não os templos, mas os locais de encontros de imigrantes saudosos de suas terras natais. E onde, em comunhão uns com outros, se sentiram fortalecidos para continuar pelejando e vivendo no Brasil.
     Como vêm, há poucos marcos que contam a nossa história.
     Mais que tudo, sinto falta de homenagens aos heróis maiores como o Padre/Monsenhor Epifãnio Ibañez, o idealizador da nossa belíssima igreja católica, ao Profeta Gentileza José Datrino, que pregou a bondade e a gentileza por esse Brasil afora e ao inesquecível Professor Walter Víctor Sperandio...
     Está certo que a cidade é um ponto perdido na imensidão desse Brasil, mas gratidão é gratidão.
Talvez um dia, alguém se lembre de erigir um monumento ao padre Epifânio junto à maravilhosa Igreja que nos legou. Seria apropriado e muito justo.

     Mirandópolis, janeiro de 2015.
     kimie oku in


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

      Oshougatsu ou dia de ano novo
                                           (memórias)
                                
          Todo início de ano é a mesma coisa. Reunião de família, comida, muita comida, um converseiro só e bastante esperança. Esperança de, superar no novo ano, tudo que ficou sem resolver.
          É assim com todo mundo.
      Sempre que amanhece o primeiro dia do ano, crianças “pedem” boas festas de ano novo, para receber guloseimas.
     Como fui criada no sistema japonês, nunca saí por aí, fazendo isso. Fui criança nos anos do pós-guerra, de 1945 a 1950. E a lembrança que tenho desse tempo é que, o oshougatsu ou dia de ano novo, era comemorado pelos imigrantes do Japão, de forma totalmente diferente.
        Morávamos numa comunidade de japoneses e tudo era feito em conjunto. E na época, ainda predominava o culto aos Imperadores do Japão, culto fortalecido com a tristeza da derrota na guerra. Os japoneses aqui residentes, reverenciavam
os monarcas japoneses, como se fossem deuses. E tentaram passar esse sentimento para nós, crianças.
       Logo de manhãzinha, quando clareava o dia, todos os chefes de família, e seus filhos homens vestiam-se de ternos, e se reuniam num barracão, ou tulha de algum vizinho.
   Ali, diante das fotografias dos imperadores Hiroito e Nagako, e da bandeira vermelha e branca, realizava-se uma cerimônia solene de súditos, jurando fidelidade ao Japão. Naquela época, todos os imigrantes achavam que, estavam só de passagem no Brasil. A pátria, sem dúvida nenhuma, era o Japão. O Brasil era apenas uma terra emprestada, temporariamente.
      Se não me falha a memória, a cerimônia  constava de discursos, enaltecendo as figuras dos Imperadores, e relembrando sempre a pátria distante. Era um ritual rápido, com a entoação do Hino Nacional do Japão: “kimiga yoowa/ Chiyo  ni/   Yachiyoni/  Sazare/   Ishino /  Iwao to narite/ Kokeno/  Mussu made....” traduzindo:  “Que o reinado dos Imperadores dure até que, os rochedos se transformem em seixos, cobertos de musgos” (eternamente)
      É claro que nós, as crianças, também entoávamos o hino, sem saber o significado, e depois quando se davam os vivas, ficávamos contentes, porque a comemoração chegava ao fim. Os vivas eram: “Banzai, Tenno Reika !”... “Banzai, Kogo Reika!” ... “Banzai, Nippon!” ...”Banzai, Oriente Shokuminchi” ou, Viva o Imperador, Viva a Imperatriz, Viva o Japão, Viva a Colônia Oriente!
       Depois desses vivas repetidos várias vezes, alguém começava a distribuir os manjus, os motis e balas. Era o melhor momento da reunião para nós, crianças.
    Os adultos homens sentavam-se em volta de uma mesa, repleta de coisas gostosas, e saboreavam a culinária japonesa. Depois, iam de casa em casa, cumprimentar as famílias e desejar um bom ano para todos.
    Lembro ainda que, entre os pratos enfileirados, contendo  sushis , nishimê, ozooni e pedaços de toofu servidos com shoyu, havia também leitoas assadas inteiras , assim como frangos dourados, crocantes... Nesse dia, todos se alimentavam bem, pois se dizia que, quem passasse fome nesse dia, passaria necessidade o ano inteiro. Tudo era motivo para se encher a barriga.                     Hoje, relembrando aquele tempo que passou, vejo que nada restou desses costumes tão inocentes, dos japoneses.
    Cultuar uma pátria distante...cultuar Imperadores que nunca ninguém conhecera ... manter costumes de outro mundo... não há sentido nisso. Por isso, tudo se perdeu ao longo dos tempos...
     E acabamos adotando os costumes da Terra. E foi bom, porque não há sentido em consumir comida com temperos de uma região gelada, já que lutamos todos os dias, para sobreviver ao calor tórrido dos trópicos.
       E não há sentido em cultuar governantes de outros países, se é aqui   que sofremos, se é aqui que a inflação não perdoa, se é aqui que pelejamos todos os dias.
      E não há sentido fingir que, o Brasil é terra emprestada, uma vez que os nossos pais estão enterrados neste solo, para sempre. E nossos filhos e netos são totalmente brasileiros, assim como nós.
      Sei que muitos desses costumes vão prevalecer, pois origem é origem. E comer um sashimi de vez em quando é muito revigorante. E falar em japonês não faz mal a ninguém, porque cultura é cultura.
       Mas tudo isso já virou moda abrasileirada.
     E é por isso que gosto de, lançar de vez em quando, umas palavras japonesas como esse “oshougatsu”.
     Mesmo porque, há palavras que têm um significado especial para nós, descendentes de japoneses.
   Palavras como
 "Shinnem akemashite omedetou gozaimasu",
 ou Feliz Ano Novo!
       E Arigatô!

       Mirandópolis, 1° de janeiro de 2012.
        kimie oku      in


        

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

    Balanço Geral de 2014

E o ano está por um fio.
        Como podemos avaliá-lo?   
Foi bom? Foi ruim?
Em primeiro lugar, foi bom porque conseguimos sobreviver, e cá estamos para virar o calendário para outro ano. Muitos não tiveram essa ventura.
Não posso reclamar em relação à minha família. Estão todos vivos, saudáveis e pelejando. Ninguém ficou doente que requeresse muito cuidado, nem ficou mais pobre, nem mais rico. Houve problemas sim, mas quem é que não os tem? A vida se encarregará de resolvê-los, com certeza. Tenho parentes doentes é verdade, mas ninguém partiu em 2014, o que nos deixa com certa esperança no futuro.
        Comecei o ano cirandando com meus queridos amigos, e ao som das sanfonas, dos violões e do pandeiro, cirandamos também com os amigos da AMAI (Asilo local). A cantoria não falhou nem uma vez, e  cirandamos comemorando os quatro anos da Ciranda.
Perdi amigos para o Céu. Minha vizinha dona Cléia que partiu tão rapidamente, que até hoje não dá pra acreditar. O Professor Rizzo covardemente assassinado... A família Kawasaki, que admirava de coração, Sadao, Kazuko e Ricardo... A minha querida amiga dona Someko Miyamaru... O gentil seu Tonico Franco... Que estejam todos na paz do Senhor. Um dia, iremos também...
Para o povo brasileiro, o ano começou com a perspectiva de Copa do Mundo, e toda a indústria produzindo roupas e bandeiras em verde e amarelo. Só que o exagero da Comissão construindo Estádios monumentais irritou o povo, que saiu às ruas gritando sua revolta, agravada pela situação precária dos Hospitais Públicos. Atendimento ruim, doentes em corredores, no chão, falta de médicos, de equipamentos, pacientes morrendo... Foi um caos, que continua ainda e vai seguir pelo próximo ano. Verbas? Foram todas para os Estádios! Fazer bonito pro mundo, e deixar nossos pobres morrendo nas filas... Fácil é fazer cortesia com o chapéu dos outros...
E o pior de tudo é que o Brasil se esqueceu de jogar bola. Fez feio e muito feio. Eliminado! Por sete a zero, como nunca aconteceu! Foi como um teatro com palco bem iluminado e decorado até os mínimos detalhes, Mas, os atores não tinham decorado suas falas! Vexame total! Conseguiram frustrar toda uma Nação, e tirar o único consolo do povo, que peleja e sofre todos os dias, para garantir o funcionamento do país... A graça do futebol já era...
E para esquecer a vergonha da Copa, onde os estrangeiros deitaram e rolaram, veio o Horário Político da Propaganda Eleitoral. Quantas baixarias, quantas acusações, quantas mentiras, quantos golpes baixos.  Até nas redes sociais, a baixaria imperou. O eleitor não tinha mais o que ver, assistir, tudo era propaganda pró ou contra. Muito ruim. E no final, ficou tudo como estava com o PT se mantendo no poder. Alegria para metade do povo e desgosto para a outra metade...
E estourou a bomba da Petrobrás, com golpes de bilhões sacados dos cofres públicos, pelos funcionários que deveriam zelar pelo patrimônio do Estado. E quanto mais se mexe nesse poço da Petrobrás, mais sujeira vem boiando e, tanta gente considerada de respeito atolada na imundície até o pescoço! Até onde vai isso? Ninguém mais presta?
E a inflação subindo e ferrando o povo, que luta e dá o suor e o sangue para o país não parar. Tudo subiu e o governo faz cara de paisagem, e não contente passou a elevar os combustíveis, a energia elétrica... E o efeito dominó vem para cima de nós, que pagamos as contas... Fim de ano pobre, com recursos limitados... Graças às roubalheiras dos governantes que, em nosso nome desgovernam o país, enchendo seus bolsos.
E entre esse noticiário que envergonha todos os dias o povo brasileiro, procuramos viver com honra ajudando uns aos outros, e produzindo...  Apesar de aposentada há mais de duas décadas, não parei um dia sequer.  Plantei legumes, verduras e colhi muita coisa boa e distribuí entre vizinhos e amigos. Plantei árvores também, e cuidei que outras não morressem na seca prolongada. Recolhi e continuo recolhendo água de chuva para poupar a da Represa, que está secando.
Nesse ano que passou, escrevi mais de 60 crônicas das mais de trezentas que foram publicadas, que são lidas no Brasil e em vários países do mundo, como China, Ucrânia, Espanha, Alemanha, Estados Unidos, França, Portugal e Japão. Estou realizada, porque as leituras das minhas crônicas já ultrapassaram a marca de quarenta e duas mil visualizações, sem computar as leituras no jornal Diário, que circula aqui e na região. E isso em apenas três anos!  Entrevistei algumas pessoas que labutaram por Mirandópolis.  E terminei de copiar em japonês, as biografias de Toyotomi Hideyoshi, Uesugi Kenshin e Noguchi Hideyo... Agora passei a copiar a biografia de Minamoto Yoritomo, um dos pilares da História do Japão; e a estudar também os Provérbios japoneses, que são fantásticos. Sabedoria milenar, porque tem origem na cultura chinesa.
Em artesanato, andei fazendo toucas de crochê e tricô para o Hospital de Barretos e consegui terminar de bordar em ponto cruz uma toalha de banquete, que estava encalhada no fundo do baú há anos...
Ah! Ia me esquecendo! Toquei piano mais ou menos regularmente, e estou tirando Noturno de Chopin, devagarinho. Já consigo tocar Mulher Rendeira, Sonata ao Luar de Beethoven, Jesus, alegria dos homens de Bach, Reverie de Schumann, Serenata de Shubert,  Casinha pequenina e algumas outras mais...
Além disso tudo, ainda consegui interagir com muitos mirandopolenses que moram fora, via Face book. E conheci também via Internet pessoas fantásticas como a escritora Rosa Chimoni de Guarulhos, Cidinha Pereira Gomes do Rio de Janeiro, Itagiba Vieira de Sorocaba, Laudir Mathias de Bauru, Luiz Nunes de Adamantina... e muitos outros.
Minha saúde está normal, sem dores e consigo fazer todos os exercícios necessários para não me travar. Vou a pé até o Banco, às farmácias e à mercearia. Só que estou bem mais devagar... setenta e dois anos não são leves, não!
No final das contas, até que funcionei bem nesse ano de 2014. Não realizei nada de especial, e penso que ficou algum saldo positivo. Em 2015 quero realizar tudo isso, e curtir o tempo de vida que me resta.
E Boas Festas para todos, e saúde e muito trabalho em 2015!
Mirandópolis, dezembro de 2014.
kimie oku in
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014





                                Noguchi Hideyo
   Acabei de ler uma belíssima biografia. Aliás, não só li como copiei, porque essa é a minha forma de estudar a Língua Japonesa. Há anos que faço assim: compro os livros japoneses através de uma Livraria de São Paulo, que os importa do Japão para mim. São livros sobre personagens históricas, heróis que construíram o Japão Moderno, literatos e personagens que se dedicaram a pelejar para salvar a humanidade.
      Assim, já li e copiei com pincel (fudê) e tinta a carvão, as biografias dos Samurais Shingen, Nobunaga, Hideyoshi, Uesugi, Ieyasu,Yoshitsune; além da escritora de novelas Higuchi Ichio  e do poeta Miyazawa Kenji. E agora, terminei a biografia do cientista Noguchi Hideyo.
      Aprendo muito com essas leituras. Elas me revelam o Japão que não conheci nem em sonhos. E contam como o Japão  Medieval foi se desenvolvendo aos poucos, saindo do ostracismo a que ficara confinado por séculos, por conta da crença em lendas que pregavam que os Imperadores tinham origem divina.
      Shingen, Nobunaga, Hideyoshi, Kenshin e Ieyasu foram os bravos samurais, que através de vidas totalmente dedicadas à guerra, conseguiram pacificar e unificar o Pais, que estava completamente dividido em pequenos países, que viviam guerreando entre si por posse de territórios. Eles fazem parte da história heroica do Japão e são venerados nos templos até hoje. Realmente, seus combates e suas vitórias não perdiam em nada para os heróis fictícios modernos, que enchem as telas de cinema hoje. Mas eram reais. Eles viveram num tempo em que, a derrota era considerada desonra, e para fugir dessa desonra tinham que praticar o “haraquiri” ou suicídio, cortando a própria barriga. E os inimigos capturados tinham seus pescoços cortados... Esses procedimentos faziam parte do Código do Samurai, e ninguém contestava isso. Por serem verdadeiras essas histórias, elas apaixonam os leitores.
      Mas, para dar uma trégua às leituras de guerras, resolvi ler a biografia do cientista Noguchi Hideyo. É uma das mais belas e reais histórias que já li até hoje.
      Noguchi nasceu num vilarejo bem pobre da Província de Fukushima, Japão em 1876. Sua família era mais pobre que pobres, com a situação agravada pelo pai viciado em bebida alcoólica. Sua mãe é que dava duro, todos os dias nas roças dos vizinhos, para pôr a comida na mesa.
      Quando tinha apenas um ano e meio, Noguchi caiu no braseiro de aquecimento que havia no meio da sala, e teve uma queimadura, que o deixou aleijado da mão esquerda. Ao frequentar a escola primária, foi alvo de perseguição e humilhação por causa da mão preta e defeituosa que possuía. Era chamado de Maneta, de Aleijado pelos colegas, por isso começou a ficar triste e solitário, evitando o convívio deles. Quando sua mãe percebeu isso, aconselhou o garoto a estudar bastante, para vencer os meninos que o perseguiam. E assim fez. Estudou tanto que era o melhor aluno da classe, e passou a ser o Monitor de seus colegas, por ordem dos Mestres. Um Professor em especial ficou impressionado com o empenho do menino, e resolveu investir em sua educação. Patrocinou o prosseguimento dos estudos equivalentes ao Ginásio, porque a mãe não podia pagar as mensalidades, e nem comprar o material escolar.
      Para ir a essa escola, tinha que andar 12 quilômetros diariamente, mas nunca faltou, mesmo em dias de nevasca...  Tinha apenas doze anos de idade. Um dia, ele escreveu uma redação, em que revelou o desejo de pegar uma faca e soltar cada um dos dedos da mão aleijada, para torná-la funcional, pois não podia nem apontar seus lápis. Com o acidente no braseiro, seu polegar estava grudado no pulso e, os demais dedos grudados na palma da mão. Todos os Professores que leram a redação ficaram bastante comovidos, e resolveram proporcionar-lhe uma cirurgia. Para isso, fizeram uma campanha na escola e na comunidade, e com a ajuda de todos foi feita a operação. Quando Noguchi conseguiu pegar um objeto com essa mão, chorou. E tomou uma decisão: Seria Médico. Para ajudar pessoas como ele que precisavam de cuidados.
      Para conseguir esse objetivo, apelou para os Professores que o encaminharam a um Hospital, onde aprendeu o ofício vendo os procedimentos dos médicos e enfermeiros, e estudando como autodidata em livros de Medicina. Ao mesmo tempo, estudou com afinco a Língua Inglesa e a Alemã, além do Chinês.
      Ao se formar, se dedicou à pesquisa para descobrir as causas das doenças. E foi designado para trabalhar no Centro de Pesquisas de Doenças Transmissíveis de Tókio. Ali, conheceu o Professor Emérito James Thomas Flexner da Faculdade John Hopkins, dos Estados Unidos. Este ficou fascinado com os conhecimentos de Noguchi, e lhe recomendou que o procurasse quando fosse aos Estados Unidos.
      A peste bubônica estava matando pessoas na China, e Noguchi foi designado para participar da Comissão de Médicos de vários países para deter a doença. Noguchi foi e realizou um bom trabalho. Ao retornar ao Japão, resolveu ir aos Estados Unidos para se dedicar às pesquisas. E lá, junto com o Professor Flexner pesquisou sobre venenos de cobras. Como era minucioso e muito dedicado, fez anotações que organizou numa tese que publicou. Sua tese sobre Venenos de Cobras deixou admirada a comunidade científica, e o nome de Noguchi Hideyo ficou conhecido em todo o mundo.
      Quando o Professor Flexner foi designado para atuar como Diretor do Rockfeller Center de Pesquisas, levou Noguchi consigo. Mas, antes o mandou para Dinamarca aperfeiçoar os estudos. E lá na Europa, ficou conhecido pelas palestras sobre venenos de cobras, que proferiu em vários países.
      Ao voltar para os Estados Unidos, pesquisou e separou   a bactéria causadora da Sífilis, doença sexualmente transmissível, que matava muita gente na época. Com a descoberta da bactéria, foi possível organizar os procedimentos para prevenção e tratamento da sífilis.
      Noguchi casou-se com Mary Loretta Dardis, que o apoiou totalmente em sua dedicação às pesquisas.
       Após quinze anos ausente, ao receber uma foto da velha mãe, que implorava a sua volta, retornou ao Japão. E nessa visita, ele conseguiu demonstrar todo o amor filial que sentia pela genitora, que acreditara na sua inteligência e capacidade.

      Mas, a sua vida de pesquisador o levaria a várias partes do mundo, indo para Equador onde conseguiu separar o agente causador da Febre Amarela, que estava dizimando populações inteiras de equatorianos. Após separar o agente causador da doença, a vacina era preparada no Rockfeller Center para controlar as epidemias. Depois, seria encaminhado para Merida no México, onde grassava a febre amarela. Por essa mesma razão, iria para o Peru, para Bahia no Brasil. E em todos esses lugares por onde passou, conseguiu salvar a vida de milhares de pacientes atacados pela febre amarela.   
      Por tudo isso, Noguchi recebeu as mais altas condecorações dos países por onde passou, e de outros países como a França, que lhe concedeu a Legião de Honra, a Espanha, a Suécia e o Japão lhe concedeu a Honra ao Mérito da Ordem do Sol Nascente.
Mas, a sua carreira de pesquisador de bactérias ainda o levaria para a África, onde havia uma modalidade mais violenta de febre amarela. Ali, ele se empenhou em separar o agente patogênico, que matava milhares de africanos todos os dias. E após duro combate, varando noites e dias, após cinco meses de trabalho fatigante conseguiu separar a bactéria. Mas, com o corpo enfraquecido e maltratado pelas noites mal dormidas, e pelo calor sufocante da África, acabou contraindo essa terrível doença, que o mataria a caminho de Nova Iorque, para onde estava levando o causador da doença.  Tinha apenas 52 anos de idade

      Sua morte causou uma grande consternação no mundo científico, e muitas homenagens foram feitas. Foi velado no Rokfeller Center e enterrado no Cemitério de Woodlawn em Nova Iorque, como Benfeitor da humanidade.
      Além de ser o descobridor das bactérias causadoras da Sífilis e da Febre Amarela, suas pesquisas contribuíram muito para deter essas doenças pela fabricação das vacinas. Também foram de muita importância suas pesquisas sobre venenos de cobras e sobre Tracoma, doença que atacava os olhos.
      Em várias partes do mundo há hospitais e Centros de Pesquisas que levam o seu nome, tal a importância que teve para o progresso da Medicina. Em Ueno, Japão e em Gana na África há estátuas para eternizar o seu nome, e a casa onde Noguchi nasceu em Fukushima foi transformada em Museu.
      As homenagens foram justas porque em nome da ciência, ele dedicou totalmente a sua vida às pesquisas para vencer doenças. E foi vítima de uma das mais terríveis. Podemos até dizer que viveu e deu a vida pela Febre Amarela.
      Por tudo isso, tive que contar essa linda história, para provar que, mesmo pobre e deficiente não haverá barreiras para quem quer vencer.
      Mirandópolis, dezembro de 2014.


      kimie oku in