domingo, 18 de junho de 2017

            Santa Ceia
      Mirandópolis é uma pequena cidade do interior paulista, meio perdida nos confins do mundo.

      Aqui como em outras cidades interioranas, acontece de tudo: coisas boas e ruins também. Mas aqui afloram umas ideias sensacionais de vez em quando. E foi assim que, surgiu a ideia de se reunir os antigos moradores num encontro de confraternização, que ficou conhecida como a Santa Ceia. Quem teve a ideia foi o amigo Ademar Bispo, que ama demais essa cidade, mesmo não morando mais aqui... E com a firme colaboração da Regina Mustafa, hoje nossa querida prefeita, a ideia pegou. E ano após ano, essa dupla conseguiu trazer amigos de longe para essa confraternização.
E chegaram à décima edição.
Em cada encontro uma surpresa: ex mirandopolenses radicados nos mais diversos rincões desse imenso Brasil têm vindo prestigiar a Santa Ceia. Para rever a terra natal, para reencontrar lugares e pessoas conhecidas, para matar as saudades dos amigos de infância e da juventude... Sempre fui convidada para essas reuniões, mas nunca compareci. Achava também que não conhecia a maioria das pessoas, pois sou laviniense e passei a minha mocidade lá em Lavínia. Então, desta vez a amiga Ana Maria Jacobs Ribeiro, que conheci pela Internet me indagou: “E aí, vai ao nosso encontro?” Respondi que não, mas me senti cobrada. Ela viria de outra cidade e eu nem iria dar-lhe um abraço? Daí, resolvi dar uma passada lá no CAM para cumprimentar a todos.

E foi uma feliz ideia. Reencontrei amigos que não via há décadas Gente que ainda mora aqui e não cruza mais meus caminhos por força de outros compromissos, por força de saúde meio abalada... Revi amigos que trabalharam na agência local do Banco do Brasil junto com o meu esposo. Roberto Machado e Darcy, Francisco de Assis Spagnuollo  (Chico Paulada) e Angélica, Dorinha, Célia do saudoso Domingos Forte, Ademar Bispo e a Jacira. Bancários e familiares que encontrávamos durante anos nas festividades da AABB (Associação Atlética do Banco do Brasil)... Reencontrei outros que partiram para realizar seus sonhos, e se radicaram em lugares distantes... Conheci pessoalmente amigos com quem interagia apenas pelo face book, como a Marina Sampaio e o Natanael, a Ana Maria, e o casal Osvaldo Rodrigues da Silva e sua linda esposa Cida. Vi o Ely e a Eumar, a Deja e o Padre, a Julinha, irmã da Cleusa Cabrini, com quem trabalhei nos meus tempos de Andradina, o amigo Deusdeth, o Orivaldo Ruiz e esposa, o Tonicão... Além de muitos outros, Fátima Sanches e tia Rosa com seus noventa e um aninhos, a Maria Aparecida Souza, a Shizuko Miguita, a Cecília e o Paulinho Santana, a Leide e o Betinho, o Ivo Ferreira, o Waldir Bonfim, o Carlos Fagnani e a Nilva, o Zanin e a Geny.... O amigo Gabriel Carbello, companheiro de escola e de Ciranda. E mais um porre de gente bonita. E o Professor Laert Rigo da Tidinha. Fiquei encantada de vê-lo tão inteiro, saudável e lúcido. Sua esposa Tidinha (Clotilde) já é falecida, assim como a cunhada Soely Comitre...
A vida terrena terminou para alguns, deixando só saudades...

O Encontro é interessante, porque as pessoas se abraçam e só rememoram coisas boas vivenciadas. Então, há muita energia! Todos revivem momentos passados com vontade de voltar no tempo e repetir as doses. E os participantes já são sessentões e setentões. Todos têm muito que relembrar, e o cenário é sempre Mirandópolis. Mirandópolis dos anos cinquenta, sessenta... Uns com dificuldade para se locomover, mas movidos pela vontade de abraçar os amigos e matar saudades. E a conversa correu solta pela tarde afora. Partilhando lembranças boas, relembrando amigos que já partiram...
Estive assuntando sobre esse Encontro...
A mim me afigurou uma grande família, que apesar do tempo e da distância mantém os laços de ternura, de bem querer. A Regina Mustafa e o Ademar Bispo são os anfitriões e organizam essa Ceia. Sei que não é fácil organizar... Mas, algo bem forte, inexplicável e profundo os move. Vontade de ver as figuras queridas dessa grande família, de manter a ligação fraterna para sempre. De nunca perder o contato... Ao longo desses dez anos, muitos já partiram e não virão mais rever a terra querida. Nós todos estamos nessa esteira inexorável que vai rodando, rodando e substituindo as peças antigas pelas novas... Então, viver é preciso!

Enquanto houver um sopro de vida, é preciso curtir essa graça recebida de Deus. E a melhor forma de curtir a vida é ficar junto de pessoas queridas, que nos querem bem. Familiares e amigos.
E observando os participantes, percebi que toda a comunidade estava aí representada. Tinha a nossa Prefeita Regina Mustafa. O Bispo e o Padre, fictícios é verdade! Promotor Público, Delegados de Polícia, Policial Militar, Bancários, dezenas de Professores, Donas de casa, Escriturários, Gráfico, Pecuaristas, Comerciantes, Prestadores de Serviços, Funcionários Estaduais e Municipais... Com exceção da senhora Prefeita que está na ativa, todos os demais já estão aposentados de suas funções, após cumprir décadas de serviço em prol da comunidade, do Estado e da Nação. Todos cidadãos honrados.
E uma única motivação moveu toda essa turma para vir a Mirandópolis nesse dia: o Amor a Mirandópolis.
Seguindo a máxima de Leon Tolstoi:
“Queres conquistar o mundo?
Comece cantando a tua aldeia natal!”


Mirandópolis, junho de 2017.
kimie oku in


quarta-feira, 7 de junho de 2017

                                      As araras da Avenida
        
      O amigo Betinho me sugeriu que reparasse nas araras da Avenida. Que estariam invariavelmente lá pelas 19 horas.
         Armada de uma câmera, fui ver.
Demoraram, mas chegaram como sempre fazendo muito barulho. E se empoleiraram num dos talos das palmas.
Como estava nublado, as fotos ficaram escuras. Elas só aparecem quando está escurecendo. Por onde se aventuram, só Deus sabe. Talvez procurando comida...
Percebi que as palmeiras que estão lá na Avenida há décadas estão bem desfolhadas, com apenas algumas palmas no alto, como uma pequena coroa. E tem uns três, quatro talos sem folhas, onde as aves se empoleiram. Então me lembrei que essas palmeiras imperiais eram majestosas, lindas mesmo, balançando as poderosas palmas ao sabor do vento... O que lhes aconteceu? Eis a indagação.
Conversei com um garoto que atende numa das barracas que há nas proximidades, e ele me informou que as araras aparecem sempre à tardezinha, em bandos de mais de uma dezena. E fazem muito estardalhaço.
Sempre achei que as araras assim como as demais aves voadoras se alimentassem de bichinhos, insetos... As araras, não! Elas comem frutas. Coquinhos. São vegetarianas... Na minha ignorância, pensava que elas comessem as imensas lagartas que moram nos coqueiros, comendo suas palmas. Ledo engano!
Sempre que vejo araras, maritacas e papagaios, lembro-me de um texto lindo que havia nos livros didáticos antigos. Umas beatas tinham um papagaio falador que repetia tudo que elas diziam.  Ora, as beatas tinham o hábito de rezar o terço todas as tardes na hora do ângelus. Após o terço, elas desfiavam também a longa lista de invocações à Virgem Maria:  Santa Maria, ora pro nobis... Santa Mãe de Deus, ora pro nobis... Santa Virgem das Virgens, ora pro nobis... e por aí elas iam rezando e o papagaio repetindo tudo. Ora, aconteceu que um dia, o bicho doméstico descobriu os seus pares e foi embora com eles. Passado um bom tempo, as beatas ouviram um grande alarido no céu. Saíram para ver.  Era um bando de papagaios cruzando os céus, com um líder na frente rezando Santa Maria, e uma dezena de companheiros atrás gritando: ora pro nobis...
Sempre achei encantadora essa história, que até pode ser verídica, pelo simples fato desses pássaros repetirem tudo que ouvem...
Minha primeira lembrança de escola tem a forma de um papagaio. É que ao final do ano ganhei da professorinha de escola rural onde fui alfabetizada, um livrinho todo colorido com o formato de um papagaio. Chamava-se Papagaio real. Não me lembro mais do conteúdo, mas dizia que o papagaio era real e de Portugal. Por quê, não sei, talvez apenas para rimar. Tinha também a expressão currupaco, papaco... Tudo isso me deixou feliz e encantada, pois foi o primeiro livro que ganhei.
Mas, minha relação com esses bichos nunca foi muito boa. Certo dia, vi um filhote de maritaca, de asa quebrada perdido no meio da rua... Mal e mal conseguia andar. Condoída de sua situação, e com medo de que fosse atropelado, peguei o bichinho com todo o cuidado para tirá-lo da rua. Mas, ai! O bichinho abocanhou a ponta de meu dedo com toda a força, quase arrancando-o! Não conseguia me desvencilhar dele, e tive que apertar muito a sua cabeça para ele me largar. Largou e pegou outro dedo! Conclusão? Muita dor, muita dor e sangue jorrando. Apavorada joguei o bicho longe e nunca mais quis chegar perto deles.
Eles têm um bico que é uma navalha. Corroem toda a fiação de luz lá da casa do sítio. Mas, nem chego perto deles! Eu, hein!
Mas, voltando às araras da avenida, o Betinho que é um Agrônomo queria que eu descobrisse a relação das mesmas com a árvore da avenida. Pensei que era relação casa/moradia, relação pouso/comida... Não acertei. Ele que é um homem voltado ao meio ambiente queria que eu percebesse que as araras estão sem o seu habitat, graças ao bicho homem. E estão improvisando moradias em palmeiras, que acabam destruindo, talvez para afiar seus bicos poderosos.
E é uma pena muito grande elas destruírem aquelas palmeiras tão lindas, que há décadas estão lá na avenida.
A civilização e a tecnologia inventada pelo homem fez devastar as florestas do mundo. As florestas eram o paraíso dos bichos. E se a história de Adão e Eva for verdadeira, era também o paraíso da humanidade. Mas, Deus dotou o homem com um atributo chamado sapiens. E isso despertou a curiosidade, que o levou a inventar coisas... Coisas como casas. Casas de madeira tirada das árvores roubadas das florestas... Móveis para guardar suas quinquilharias. Móveis de madeira também retirada da floresta. Camas para repousar das canseiras de sua labuta. Camas feitas de madeira da mesma floresta... E livros e cadernos para transmitir conhecimentos. E livros e cadernos e lápis feitos de madeira dessa mesma floresta... E ainda para abrir espaços para cultivar alimentos, foram derrubadas as últimas florestas. E os bichos foram sendo acuados cada vez mais em espaços restritos e inseguros. E muitos foram caçados apenas por diversão esportiva pelo bicho homem....
E atualmente, os bichos estão perdidos procurando o seu paraíso. E com a fome apertando, começaram a se aproximar dos povoados e das cidades, procurando alimentos... E assim, as araras e as maritacas começaram a povoar as cidades. Também as gralhas... E não raro, vemos gambás... E até sucuris... Ora, sabemos que o que move esses bichos para tão longe só pode ser a fome. Concluindo, nós destruímos o habitat natural dos demais seres vivos, desequilibrando totalmente a natureza.
No Japão atual, há um movimento que engajou todos os cidadãos em prol da natureza. Não só procuram respeitar o meio ambiente, como buscam criar condições para que os viventes desses locais tenham garantia de sobrevivência. Há um programa lindíssimo de tevê chamado Satoyama, em que os agricultores reservam roças de trigo especial para alimentar os roedores, que são o alimento natural de uma espécie de gatos selvagens, que estavam em extinção... Em certas regiões, cultivam certos arbustos cujas folhas servem de alimento para umas lagartas, que produzem o fio de seda verde. E em outras, arrozais são planejados de forma a oferecer condições para os girinos de uns raros sapos se reproduzirem... É a convivência harmoniosa do homem com outros seres. Sem visar lucros materiais, mas  troca de benefícios.
Quando começaremos a adotar tais medidas?
Será que a Terra continuará a ser dominada apenas pelos humanos?
Ou poderá ser compartilhada com os demais seres vivos que Deus criou? 
O futuro dirá a resposta.
Quem viver, saberá.
Mirandópolis, maio de 2017.
kimie oku in



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quarta-feira, 31 de maio de 2017

       
         Ciranda, cirandinha...
   
  Na última sexta feira, realizamos mais um Encontro de Cirandeiros. Como sempre na Chácara Prando.

 Mas, o dia amanheceu esplêndido, com um sol maravilhoso e um clima agradável. E isso foi o que animou a turma a comparecer. Compareceram quase todos e o barracão ficou lotado.
     A novidade ficou por conta do Deni Perri que levou o seu amigo Rodrigo da Viola de Americana, para animar mais a festa. Além dos músicos de sempre Albertino e Gerval do acordeão, Jovaninho e Zeferino do violão, o grupo foi acrescido de mais esses meninos de Americana, que sempre alegram muito a festa. Ainda estavam presentes o seu Agenor da Rádio Clube, o Milton Lima de Ilha Solteira e o João Francisco que são cantadores. A cantoria rolou solta a tarde inteira junto com o cirandeiros que gostam muito de cantar.
    

E o dia foi especial para a tia Rosinha, que completou 91 anos de idade. Tia Rosa, antiga Enfermeira do Hospital da cidade, ajudou durante anos e anos aos médicos a trazerem os bebês para a vida. É uma pessoa muito querida, que merece respeito pela dedicação total à profissão. E não deixamos por menos. Fizemos uma grande roda em que os amigos cantaram lindas canções em sua homenagem, e culminou com o Parabéns musicado e cantado por todos. Foi lindo! Ao final foi distribuído o bolo, confeccionado pela filha Fátima Sanches, degustado por todos.
     Ainda como novidade foi a presença da Cristina filha de João Torrente e Mariinha, que veio acompanhada pelos pais, para prestigiar a Ciranda.

     A Kimie consultou o grupo sobre uma filmagem que o Gerson Possenti quer fazer da Ciranda. Ficou estabelecido que ele poderá fazer a gravação, contanto que não seja para mostrar na televisão. Não queremos muita repercussão da Ciranda, porque não temos estrutura para aumentar o grupo. Mesmo porque, sempre reservamos um espaço para os internos da AMAI (asilo), que são os mais necessitados de uma diversão.
 E após cantorias e poemas do seu Orlandinho a tarde terminou, com a promessa de mais encontros futuros.
Ah! Fica registrada a presença da Eloyce do Jornal Diário de Fato, que em breve irá morar na Espanha. A ela desejamos saúde, sucesso, felicidade... Que realize os seus sonhos mais caros junto de seu esposo Eduardo, lá na Europa.
Mirandópolis, maio de 2017.



kimie oku in




sábado, 27 de maio de 2017

Vai um cafezinho aí?

Cada país tem o hábito de receber as visitas com um agrado, uma gentileza.
No Japão, em qualquer ocasião oferece-se chá, assim como na China e outros países do Oriente.
No Brasil, o costume é oferecer café.
O café quentinho, passado na hora tem o poder de ligar as pessoas numa roda de descontração e bem estar. E transforma qualquer reunião num bate papo agradável.
O cafeeiro fez parte da vida de grande parte dos brasileiros... Nos anos 40, 50 e até 60, o café ainda era o propulsor da economia do país. E, nascidos nos anos 40 e 50 tivemos que labutar muito nas roças de café. Desde crianças tivemos que ir à roça e ajudar os pais e irmãos mais velhos na colheita dos grãos. Era um trabalho duro e áspero. Tínhamos que segurar os galhos e puxar os grãos pretos e vermelhos para baixo. Isso machucava nossos dedos que ficavam com as pontas todas perfuradas e doíam muito, até a gente se acostumar.
 As mãos perdiam a maciez e ficavam ásperas e grosseiras. (A gente nem conhecia cremes para proteger a pele. E mesmo que soubéssemos, não tínhamos dinheiro pra comprar esses luxos.) O café derrubado era rastelado e peneirado ali mesmo na roça e depois ensacado. Só os adultos fortes conseguiam peneirar os grãos. Os grãos meio verdes eram pesados e havia muita terra misturada, pedregulhos e folhas do cafeeiro. Então era necessário abanar, lançando todo o conteúdo para o alto várias e várias vezes, para eliminar as folhas e a terra. Depois, as carroças transportavam os sacos de café para casa, onde eram colocados num terreiro de cimento para secar. Lá eram revirados todos os dias, até a secagem completa. Só depois de tudo isso, era vendido para as Máquinas de café da cidade, que os descascavam e os revendiam para os exportadores.

O cafezal fez parte de minha infância e da maioria dos brasileiros de minha época. O Brasil foi o maior exportador de café do mundo. E a vida dos lavradores embora dura e árdua era mais ou menos confortável, porque todos plantavam arroz e feijão e verduras nas entressafras do café. Todos eram pobres, mas a comida era farta e ninguém saía pedindo ajuda... Quando revejo os cafezais, eles me parecem soldadinhos verdes parados nos morros, cumprindo a missão de produzir aqueles frutos vermelhos tão bonitos, que garantiam o sustento de tantas famílias brasileiras. Nada era fácil, porque a colheita era apenas uma vez por ano, e enquanto não se vendia o produto, era preciso recorrer a outros meios para sobreviver. Assim, muitos produtores passaram a plantar algodão, cebola, feijão, banana... Mais tarde, a superprodução de café provocou uma crise e o Governo brasileiro mandou queimar sacas e mais sacas de café... Pra manter os preços. E os cafezais foram queimados, e substituídos por pastagens para se criar gado bovino. Hoje, até as pastagens estão sendo tomadas pelos canaviais, para produzir o etanol...
Outros tempos...
Diz a História do Brasil que o café foi introduzido aqui pelo Sargento mor Francisco de Mello Palheta. Palheta fora encarregado pelo Governador de Maranhão e Grão Pará, João de Maria da Gama a ir a Guiana Francesa resolver problemas de fronteira e, conseguir sementes de café. Isso em 1727.
Inicialmente, o café foi cultivado no Norte do país, mas logo se alastrou por todas as regiões, especialmente no Sul. Sua produção enriqueceu muita gente, que até fez surgir uma classe social diversificada, a dos Barões do café que moravam
em belíssimas fazendas, explorando a mão de obra gratuita de centenas de escravos africanos...
Mas, outros países começaram também a produzir café e a superprodução provocou a queda dos preços e a falência da economia do café. E a falência da agricultura. Os braçais que perderam o emprego na roça vieram todos para as cidades, e incharam as periferias com seus barracos. E como não havia emprego disponível, essa população desocupada se transformou num grande problema. Décadas se passariam até as cidades recuperarem o equilíbrio. Muitos desses desempregados passaram a exercer pequenos serviços, como ambulantes oferecendo seus préstimos de porta em porta. Quando a agricultura se recuperou em parte, nova classe social surgiu – eram os boias frias, que passaram a ser levados das cidades para trabalhar nas roças de algodão, de cana...
Hoje, até os cortadores de cana estão sendo substituídos por máquinas colheitadeiras...
Mas voltando ao café, antigamente os grãos eram socados no pilão para descascá-los, e torrados numa torradeira que nós girávamos sobre um fogãozinho de tijolos ao ar livre. E todas as manhãs, os grãos eram moídos para se fazer o café. Era tudo um processo difícil, que nós encarávamos naturalmente. Não havia alternativas...
Hoje, a tecnologia facilitou tudo. A geração atual não conheceu os cafezais e nem os grãos de café. Conhece o pó moído e nem coa o café mais. Existe o café instantâneo, que é preparado só acrescentando água quente... Café cremoso, com chantilly, café expresso... Já tomei café à moda alemã, com limão...
Lembro que um amigo me ensinou que tomar muito café provoca azia. E é fato! Passei a reduzir os goles de café diário e adeus azia! Isso devo ao inesquecível e saudoso Professor Carlos Rizzo. 
Quando trabalhava ainda, tomava muito café. O café era a fuga dos aborrecimentos, a pausa para esfriar a cabeça. E o amigo Jorge Chaim costumava dizer que as melhores decisões não saiam durante as reuniões, mas na hora do café.
De qualquer forma, o café ainda é o rei absoluto de pequenas reuniões, servido quase sempre com bolos ou pães.
E eu gosto muito de visitar amigos e tomar um cafezinho enquanto batemos um papinho.
Vai um cafezinho aí?





Mirandópolis, abril de 2017.
kimie oku in


sexta-feira, 5 de maio de 2017

                                                Sem óculos...
    Quando eu tinha 38 anos de idade, meu excelente colega de trabalho Yussuf Hsain Alaby começou a usar óculos. E eu comentei que ele estava ficando velho, porque sua visão começara a falhar. Lembro-me bem que ele achou graça e me disse: “Deixa estar, que a sua hora há de chegar!”
      E chegou mesmo! Mais cedo do que esperava! Com 45 anos já não conseguia localizar os números na Lista Telefônica. As Listas da época eram imensas, pesadas e eram impressas em letras bem miúdas...      Os primeiros óculos me incomodaram muito. Não paravam no lugar e me faziam suar. Detestei o uso deles! Mas, a visão falhando mais e mais me obrigou a adotá-los de vez. E quando os esquecia em casa, tinha que voltar para buscá-los. Sem eles não conseguia trabalhar. Como ler ou escrever sem óculos?
      Acredito que os óculos tenham provocado uma revolução quando foram inventados. Lembro-me do filme “O nome da Rosa”, da obra de Umberto Eco em que um Frei tinha o privilégio de possuir um par de lentes grossas, com as quais lia as Escrituras no Monastério. Isso provocava muita cobiça aos demais religiosos, que tinham a visão também enfraquecida. Era uma novidade e todos ficavam fascinados pelo par de lentes de vidro... Desejando possui-los também...
       No início dos tempos, usava-se um par de lentes, que eram presos no nariz por meio de uma mola. Eram os famosos pince nez, sem pernas. Pince nez expressão francesa significa “preso no nariz”. Como não eram práticos, inventaram as pernas para apoiá-los nas orelhas...
       Os primeiros óculos eram feios, de aros redondos, que deveriam ser usados por todos indistintamente, sem considerar o formato da testa, a distância e a cavidade dos olhos... A maioria das pessoas ficava muito estranha com esses óculos... As lentes eram bem grossas e a armação era sempre preta ou marrom e a face do usuário ficava muito séria, com expressão pesada.
      Com o decorrer dos tempos, inventaram novos modelos, que se adaptassem aos diferentes formatos dos rostos. E hoje existem os mais variados modelos, que além de serem úteis servem ainda para ornamentar os rostos. Modelos diversos de cores suaves e delicadas até os mais ousados e extravagantes. Há uma infinita variedade de modelos e cores, e os óculos já fazem parte do vestuário das pessoas como protetores do sol ou, apenas como objeto de requinte.
      Os óculos são indispensáveis para a maioria das pessoas que ultrapassaram os cinquenta, sessenta anos de vida. A visão assim como as demais partes do corpo tendem a se enfraquecer com o tempo. E um dia, a maioria busca ajuda de um oftalmologista para continuar enxergando. E daí em diante, esses objetos passarão a ser parte do seu traje diário. Eu também os uso constantemente, se bem que ainda consiga enxergar mais ou menos bem os objetos distantes. Mas, para dirigir não os dispenso.
      Pois bem, um dia desses perdi o único par de óculos que me permitem ver de perto e de longe. E os procurei nas gavetas, nos armários, entre os livros, nas bolsas, entre minhas sacolas de crochê e de tricô. E nada. Se evaporaram! Daí, liguei para os mercados, as lojas, fui ao Banco, ao Conservatório, ao Foto Celso para atormentar as pessoas com minhas indagações! E nada!
      Não fiquei desprovida totalmente da visão porque tenho uma porção de óculos. Toda vez que avio nova receita, aproveito a velha armação e faço uma reserva que fica na minha escrivaninha, no meu criado mudo, junto do computador... E para dirigir tenho os solares que permitem visão à distância. Mas, os que perdera eram bifocais e caros, daí a minha decepção e o desejo de recuperá-los...
      Como último recurso postei no face pra ver se alguém os achara em algum lugar. Muita gente se solidarizou comigo, torcendo que os encontrasse, com palavras de alento. Mas... o melhor foram as chistes que foram surgindo dos amigos “terríveis”, que tenho como Ademar Bispo, José Roberto Drubi, Maria Célia Sanches Drubi e Moacir Bonadio. Sugeriram que os procurasse embaixo da cama, embaixo do banco do carro e até na testa! O Zé Drubi disse que eu precisava de outros óculos para procurar os perdidos!!! E o Ademar Bispo, meu amigo de Araçatuba, que é um exímio contador de histórias, publicou no face um “Monólogo dos Óculos da Kimie”, muito engraçado, que divertiu à beça todos os envolvidos. Dentre as graças inventadas pelo Bispo, meus óculos teriam sido usados como olheiro do meu filho, deixando-os propositadamente no seu carro. Sim, porque lá estavam esquecidos durante uma viagem que fiz, e troquei de carro para voltar... Ainda, ele escreveu sobre minha cegueira forçada e minhas trombadas com as portas, a troca de sapatos ao calçá-los...a desastrada tentativa de acertar a boca com o garfo nas refeições, a troca de sustenidos e bemóis na Nona Sinfonia e para completar... disse que preciso de óculos porque sou japonesa e não consigo abrir os olhos... A veia satírica do amigo estava inspirada e dei muita risada. Mas, valeu para desopilar o fígado de muita gente.
      Felizmente achei os benditos óculos.
      E essa história serviu para a gente se divertir um bocado. E a presente crônica foi sugestão do Moacir Bonadio, que com seus 81 anos de idade tem um humor impagável.
      E se nada é por acaso, a perda dos meus óculos foi providencial para fortalecer a amizade de todos esses amigos e mais outros do face.
      Obrigada a todos!
      Um crônica por uns óculos esquecidos...
      Mirandópolis, abril de 2017.
kimie oku in

segunda-feira, 1 de maio de 2017

     Ciranda de abril  

                                E o frio chegou!
   E achei que o pessoal não compareceria na Ciranda. De fato, houve muita gente que faltou. Mesmo assim, mais de trinta pessoas animadas foi lá espantar o frio e curtir a companhia dos amigos.
     Até o Milton e a Remir vieram da Ilha. E junto veio o Miro que é um bom tocador de viola. Tantos músicos se fizeram presentes, que se revezavam no acompanhamento às cantorias.
     Seu Agenor Inácio está a fim de organizar a turma do Coral. No próximo encontro, vamos definir as metas. Que seja um Coral simples, para alegrar o pessoal da cidade, sem pretensões maiores.
     A Jane levou um bolo para comemorar os 86 anos de sua mãe Fermina. 86 anos de muita luta, muito labor! Dona Fermina, tão forte, tão gentil e tão alegre. Cantamos pra ela e o bolo estava delicioso. Aproveitei a deixa para anunciar a partida da fotógrafa do Jornal Diário. A Eloyce irá embora para Espanha em breve. Ela se casou com Eduardo Sampaio, com quem irá iniciar uma nova vida. Desejamos a ela a realização de seus mais caros sonhos.
     Depois de muita cantoria, o seu Orlandinho fez as suas declamações, assim como o seu Albertino e o Deni Perri, com seus poemas cômicos. E entre cantorias e lanches a tarde terminou.
     Foi uma tarde maravilhosa.
     E em maio tem mais!
    


Mirandópolis, abril de 2017.
kimie oku in


terça-feira, 25 de abril de 2017

 Homem de Fibra:
José Valter Moreira

Nasceu em 1942, na cidade de Lins. Tem quatro irmãos todos vivos.
 Seu pai era carioca e sua mãe mineira. Eram lavradores e trabalhavam na lavoura de café. Eram muito pobres. Mais pobres que pobres...
Quando o Zé Valter ainda era uma criancinha, a família mudou-se para Lavínia, porque o pai passou a trabalhar na SANBRA, que comercializava o algodão in natura colhido na região noroeste do Estado. O algodão era processado para se transformar em fios, para posteriormente se fabricar o tecido.
Como a vida era muito difícil, o Zé começou a recolher tudo que poderia se transformar em dinheiro. Assim, com apenas sete anos de idade ia pelos sítios distantes recolher ossos de bois, e outros materiais recicláveis como garrafas de vidro e pedaços de ferro. Juntava essas coisas e as vendia para o pessoal do reciclável. Rendia sempre alguns tostões, que ele foi guardando numa mala. Mais tarde, quando havia juntado uma boa porção, a mãe ficou doente e toda a economia do menino foi gasta no tratamento dela...
Após um tempo, quando a SANBRA encerrou as atividades, a família mudou-se para Amandaba, que na época era conhecida como Machado de Mello.
Amandaba era bem povoado e tinha um comércio forte, mais forte que a sede de Mirandópolis, e muito agitado. O pai foi trabalhar na Máquina de beneficiar café e arroz dos Uemura. Dessa época, ainda hoje existe a casa de madeira que eles construíram para morar. Assim como os japoneses, o senhor Uemura construiu a casa encaixando os caibros e as vigotas, usando o mínimo de pregos... A filha Tomiko Uemura e o irmão Júlio eram filhos do primeiro casamento. Da segunda esposa teve mais dois filhos. A Tomiko era muito inteligente, se envolveu com a política de Mirandópolis e se tornou Vereadora nos anos 50. Trabalhou na Coletoria Estadual, e quando foi embora para São Paulo trabalhou na Coletoria Federal. Com mais de cinquenta anos, estava se preparando para casar, quando teve um infarto fulminante, que a levou para sempre. Era uma mulher bonita e muito determinada. Foi muito atenciosa para com a Valdete e o Zé Valter, a quem tratava como um irmãozinho. O Júlio se tornou mecânico e trabalhou no Departamento das Estradas de Rodagem. Atualmente o senhor Júlio mora em São Paulo e mantém contato com o Zé Valter. Do segundo casamento, o senhor Uemura teve mais dois filhos, o Paulo e a Teruko, de quem o Zé perdeu o contato.
     Quando se mudaram para Amandaba, o Zé Valter estudou no Grupo Escolar de Amandaba. Lembra-se de uma professora que lhe deu aulas, a dona Cinira, que reencontrou recentemente. Como colegas de escola, lembra do Zé Pedro dos Santos, que mais tarde foi o Diretor do Hospital das Clínicas e já é falecido e do Antonio dos Santos.
     Quando era adolescente, trabalhou no Cartório de Registro Civil que havia em Amandaba, cujo responsável era o senhor Luiz. Zé Valter fazia serviços gerais de limpeza, levar correspondência, avisos... Quando o senhor Osvaldo Cerozi assumiu o Cartório, o Zé deixou o Cartório porque passou a trabalhar com os pais na lavoura de café.           O que ocorreu de fato foi que os Uemura faliram na Máquina de café e todos ficaram sem recursos. E seu pai teve que usar até as economias do filho para sustentar a família. Diante da penúria da família, o seu Uemura ajeitou para o pais do Zé cuidar do seis mil pés de café da família Yamaguchi, em Amandaba. E para garantir a comida na mesa, a família toda teve que enfrentar o trabalho duro na roça. Mais tarde, acabado o contrato, seus pais foram cuidar do cafezal dos Sugimoto, cujos filhos ainda moram em Amandaba junto da torre de tevê, que foi instalada no ponto mais alto do município.
    
Nessa época, o Zé já estava casado com a Valdete Ananias, que também ia para a roça de café. Entretanto, a matriarca era muito rígida e o casal Valdete e Zé Valter viram que não havia futuro para eles ali no sítio dos Sugimoto. Voltaram para o Bairro de Amandaba e por gentileza do senhor Uemura, foram morar na casa que eles  moravam, junto  a família da  senhora Maria Ohi. A casa era muito espaçosa e cabia todos eles. Cada família ocupava parte da casa. E a Valdete passou a cuidar dos serviços domésticos dos Uemura. E por essa época, o Prefeito Savero Tramonte ofereceu um trabalho braçal para o Zé. Sua função era roçar as estradas e limpar valetas, mas ele ficou grato pela oferta. Trabalhou oito anos como Servidor braçal.
     Na gestão do Prefeito Lourenção, os trabalhadores braçais eram conduzidos em carretas de trator. E aí, o Zé foi chamado para ser o tratorista, que não precisava de Carteira de Motorista. Então, o Zé percebeu que precisava tirar a carta para poder dirigir caminhões e foi para a Auto Escola, onde tirou sua habilitação.
     E a Prefeitura recebeu do Estado uma moto niveladora para ajeitar as estradas de terra. Todas as estradas eram de terra e era necessário conservá-las, porque as chuvas fortes formavam valetas. E isso impedia o escoamento da produção agrícola. Precisavam de um motorista que soubesse manobrar a Moto niveladora. Então, o senhor Dorival Ermini funcionário da Prefeitura chamou o Zé e fez a oferta da função de Operador de Máquinas. Para isso, teve que ir a São Paulo e fazer um treinamento de vinte e cinco dias operando a moto niveladora. Quando voltou, já veio com habilitação especial para a sua função, que exerceu por vinte e cinco anos.  
     Sua tarefa era conservar as estradas de terra, tapar os buracos e mantê-las transitáveis. Geralmente, trabalhava sozinho. Trabalhou em todas as estradas do Município em direção a Pacaembu, a Guaraçaí, a Lavínia, a Pereira Barreto. Todos os dias estava nas estradas, mais precisamente lá pros lados de Amandaba, das Fazendas de Nova Vida, de Vila Nova, das Três Alianças... Quando ia para a 1ª Aliança, era sempre brindado com uma deliciosa marmita do pessoal da Comunidade Yuba.
     Zé Valter diz que é muito grato a todos os Prefeitos a quem serviu nos vinte e cinco anos de seu trabalho. Lembra-se com saudades e gratidão dos Prefeitos Savero Tramonte, Dr. Jorge Maluly Neto, Dr. Osvaldo Brandi Faria, de Lourenço Marcos Fernandes, de Osvaldo Mendes, de Waldemar de Lima, do Mitsutoshi Ikejiri, do José Pedro Zanon. Mas, diz que quem abriu a porta para ele trabalhar na Prefeitura foi o Saverinho.
     Quanto a Valdete, sua esposa teve a sorte de ser indicada por Dr. Antonio Duenhas Monreal para trabalhar na Merenda Escolar, onde serviu por onze anos. Quando o senhor Valdemar de Lima assumiu a Prefeitura, ela foi remanejada para a Escola Ebe Aurora como Servente, onde ficou por um ano e oito meses. O prefeito Ikejiri a remanejou para o Parque Infantil, onde ficou por 21 anos até se aposentar.
     Como o Zé Valter era alegre e gostava de participar de  festas da Igreja, tanto em Amandaba como aqui, foi convidado para cantar o Leilão das prendas das quermesses beneficentes. E por longos anos, ele foi a voz que animou os Leilões da APAE, da Igreja Matriz, do Grupo Escolar e da Capela de Amandaba. Sua função de leiloeiro começou quando tinha apenas 20 anos de idade. Sua voz potente e suas tiradas engraçadas sempre animaram as quermesses. Hoje ele foi substituído por gente mais nova...
 Mas, o Zé não consegue ficar parado. Então, quando se aposentou, começou uma nova tarefa, a de vender bilhetes de Loteria na rua. Está instalado lá perto de uma Lotérica, onde sempre agita tocando pandeiro e chamando a atenção dos passantes. Toca pandeiro e canta. Eu mesma já fui brindada com um Parabéns a você, certo dia... Nos dias mornos, quando a cidade parece adormecida, de repente, o Zé toca o pandeiro e anima os corações dos comerciantes... E isso é muito estimulante. O Zé Valter é uma figura e tanto!
Certa vez, quando eu estava triste com problemas pessoais, ele me disse: “Kimie, nunca pare de rezar, porque só Deus é que pode nos ajudar. Às vezes demora, mas Ele nos socorre, pode ter certeza. Um dia você alcançará a graça que está pedindo!” E assim, aprendi a rezar todos os dias e alcancei graças que não esperava mais...
No velório do nosso amigo Calada, pai da Michelle Cyrillo que está na Alemanha, percebi que a família estava arrasada e cada um chorava num canto, desconsoladamente... Era um velório estranho, percebia-se a dor, mas as pessoas estavam distantes umas das outras... Aí, entrou o Zé Valter, que foi até o finado e disse: “Calada meu amigo, vou rezar um terço para você ir em paz!” E aí, passou a desfiar o terço. Aos poucos, os familiares foram chegando perto dele e participaram das orações... Devagarinho, os choros foram se acalmando, e quando o terço terminou, a família toda estava abraçada em volta do pai amado. Nunca esquecerei essa passagem. A oração tem uma força poderosa, que retira do coração até as dores mais indizíveis...
Ao final da entrevista, perguntei ao Zé se tinha um sonho ainda a realizar. Ele disse que não. Disse que é um homem feliz, que a Prefeitura lhe deu a chance de criar os dois filhos e ter uma vida tranquila, sem passar necessidades. Sua filha é Professora em Dois Irmãos do Buriti MS, e está na direção de uma Escola; o filho é um Agente Penitenciário local. Ainda tem dois netos e um bisneto. O casal ainda convive com uma irmã da Valdete, que ficou sozinha com a morte dos pais.
José Valter Moreira, homem simples do povo, que sem condições de vencer na vida, batucou desde pequenino para ter seus tostões, que trabalhou dias, meses e anos por estradas poeirentas e deu conta de tudo que empreendeu, é sem dúvida alguma, um Homem de Fibra!


Mirandópolis, março de 2017.
kimie oku in
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