domingo, 5 de agosto de 2018


           A chuva chovendo!
      
        Depois de quatro longos meses de estiagem, ela chegou!
Ensaiou, uns pingos aqui e acolá, ameaçou derramar todo o conteúdo das nuvens escuras e foi embora, para a tristeza de todos os moradores da região... E todo mundo pedindo chuva, olhando o céu e contemplando desolado os campos secos, onde as vacas tristes focinhavam à procura de algo verde, que não mais existia...
      E o ar empoeirado, pesado, irrespirável... As narinas ardendo de secura, sedentas de umidade, exigindo vaporizadores nos ambientes.
      E notícias de chuvas na Capital, no litoral, e em outras regiões do Estado... E aqui, nada. E como sói acontecer “Será praga do padre Epifânio?” era a indagação que estava no ar. Padre Epifânio que era um Monsenhor foi o Pároco daqui, que mais obrou pela Matriz e pelos fiéis católicos. Durante décadas e décadas pregou a palavra de Cristo, mas como era muito rígido e inflexível desagradou a uns políticos locais, que acabaram desterrando-o para uma capelinha perdida, na beira da estrada de um vilarejo distante... E morreu longe da bela Igreja que mandou erigir aqui em Mirandópolis. Igreja onde ele gostaria que depositassem seus restos mortais, como confessara um dia... E até hoje não foi cumprido esse desejo.
      Então, não se sabe de onde nem como surgiu essa história, talvez de remorso coletivo, culpando o Padre pelas estiagens prolongadas daqui. Tenho certeza, porém que ele jamais desejaria isso para Mirandópolis, porque ele adotou esse cantinho do mundo como seu ninho, sua pátria. Monsenhor Epifânio Ibañez era espanhol de Valladolid.
      Mas voltando à chuva, amanhã o ar estará fresco, perfumado e transparente e as gripes e as tosses irão embora de vez. Não mais xaropes, não mais antitérmicos, não mais antigripais, não mais vaporizadores, não mais soro fisiológico para umedecer narinas. Dar um tempo para as farmácias...
      Os campos encharcados prepararão os brotinhos de capim para despontarem da terra, as hortas e os pomares respirarão aliviados depois desse banho caprichado que Deus mandou. E as roças não se perderão mais. Porque as roças de feijão e milho se perderam totalmente, onerando os pobres agricultores com grandes perdas.
      Os pecuaristas e os lavradores se encherão de esperanças para a nova etapa que se inicia. E todos agradecerão a bendita chuva que veio dar novo alento a suas vidas. Mesmo os comerciantes que nada vendiam ultimamente, ficarão contentes porque receberão os atrasados e novas vendas irão ocorrer, com certeza.
      Então que a chuva não vá embora, que ela permaneça por aqui regando os campos que foram duramente castigados, e garantindo a continuidade da vida dos animais e das plantas.
      Sem chuva, não há vida.
      Então, bendita seja!
      E obrigada, Deus!
      Mirandópolis, agosto de 2018.
      kimie oku in


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