A chuva chovendo!
Depois de quatro longos meses de estiagem,
ela chegou!
Ensaiou, uns
pingos aqui e acolá, ameaçou derramar todo o conteúdo das nuvens escuras e foi
embora, para a tristeza de todos os moradores da região... E todo mundo pedindo
chuva, olhando o céu e contemplando desolado os campos secos, onde as vacas
tristes focinhavam à procura de algo verde, que não mais existia...
E o ar empoeirado, pesado, irrespirável...
As narinas ardendo de secura, sedentas de umidade, exigindo vaporizadores nos
ambientes.
E notícias de chuvas na Capital, no
litoral, e em outras regiões do Estado... E aqui, nada. E como sói acontecer “Será
praga do padre Epifânio?” era a indagação que estava no ar. Padre Epifânio que
era um Monsenhor foi o Pároco daqui, que mais obrou pela Matriz e pelos fiéis
católicos. Durante décadas e décadas pregou a palavra de Cristo, mas como era
muito rígido e inflexível desagradou a uns políticos locais, que acabaram
desterrando-o para uma capelinha perdida, na beira da estrada de um vilarejo distante...
E morreu longe da bela Igreja que mandou erigir aqui em Mirandópolis. Igreja
onde ele gostaria que depositassem seus restos mortais, como confessara um
dia... E até hoje não foi cumprido esse desejo.
Então, não se sabe de onde nem como surgiu
essa história, talvez de remorso coletivo, culpando o Padre pelas estiagens
prolongadas daqui. Tenho certeza, porém que ele jamais desejaria isso para
Mirandópolis, porque ele adotou esse cantinho do mundo como seu ninho, sua
pátria. Monsenhor Epifânio Ibañez era espanhol de Valladolid.
Mas voltando à chuva, amanhã o ar estará
fresco, perfumado e transparente e as gripes e as tosses irão embora de vez. Não
mais xaropes, não mais antitérmicos, não mais antigripais, não mais
vaporizadores, não mais soro fisiológico para umedecer narinas. Dar um tempo
para as farmácias...
Os campos encharcados prepararão os
brotinhos de capim para despontarem da terra, as hortas e os pomares respirarão
aliviados depois desse banho caprichado que Deus mandou. E as roças não se
perderão mais. Porque as roças de feijão e milho se perderam totalmente,
onerando os pobres agricultores com grandes perdas.
Os pecuaristas e os lavradores se encherão
de esperanças para a nova etapa que se inicia. E todos agradecerão a bendita
chuva que veio dar novo alento a suas vidas. Mesmo os comerciantes que nada
vendiam ultimamente, ficarão contentes porque receberão os atrasados e novas
vendas irão ocorrer, com certeza.
Então que a chuva não vá embora, que ela
permaneça por aqui regando os campos que foram duramente castigados, e
garantindo a continuidade da vida dos animais e das plantas.
Sem chuva, não há vida.
Então, bendita seja!
E obrigada, Deus!
Mirandópolis, agosto de 2018.
kimie oku in
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