Fermina Moreno Rodrigues
Todos nós viemos a esse mundo para cumprir
uma missão. Missão de trabalhar em prol da humanidade, sendo médicos,
nutricionistas, comerciantes, ambulantes, professores, trabalhadores braçais,
políticos...
A senhorinha de hoje não foi nada
disso. Não foi professora, nem enfermeira, nem comerciante... Ela foi apenas
uma doméstica que cuidou de sua família, e de toda a meninada dos vizinhos e
amigos. Tem uma dezena de senhoras e
senhores que, ontem tiveram o privilégio de conviver e serem cuidados por ela,
como se fossem filhos seus. E todos a chamam de tia Fermina.
Fermina Moreno Rodrigues hoje com 95 anos, filha de mãe italiana
e pai espanhol, nasceu em Colina, na região
Norte do nosso Estado. Sua família se mudou para Mirandópolis quando ainda era
criança, mais precisamente lá no Bairro Monte Serrat, onde trabalhou colhendo
café e algodão. Mais tarde, eles se mudaram para a cidade, onde dona Fermina e
suas irmãs Nair, Helena e Santina passaram a trabalhar nas casas de famílias, como
pajens de crianças e domésticas, para ajudar nas despesas da casa.
Dona Fermina casou-se com Francisco Moreno Raduik de origem russa.
Com ele, teve o filho Luís que trabalha como Tecnólogo no Gasoduto em Araçatuba,
e a filha Jane Meire que é a companheira
e protetora de toda hora.
O marido era lavrador e trabalhou muito tempo, como
Administrador da Fazenda Cachoeira e da Fazenda Acácia. A relação com os
patrões Dr. Alípio Marques e dona Lila e com a dona Zilda e seu Mário
Dias Varella se desenvolveu, como se fosse uma relação consanguínea. Até hoje,
dona Fermina e seus filhos têm contato com os descendentes dos antigos patrões. Ela cuidou de
todos os filhos deles. Nessas fazendas, dona Fermina trabalhou como doméstica,
cozinhando, lavando e costurando para as senhoras.
Em 1985, após longos anos doente com
problemas no coração, seu Francisco faleceu deixando-a sozinha. Dona Fermina morou
sozinha por anos e anos aqui em Mirandópolis. Quando morava sozinha, dona
Fermina alugava os quartos da casa para moças que trabalhavam, e assim
conseguia melhorar os rendimentos. Mas os antigos patrões Dona Lila, Doutor
Alípio, dona Zilda e seu Mário sempre estiveram
presentes em sua vida, cuidando dela, e a levando para passeios na capital.
Jane Meire e o esposo
Francisco Ernesto Chossani moravam em
Foz do Iguaçu, onde como Técnico
Especialista em Desenho, ajudou a partir
de 1975 nos projetos da construção da Usina de Itaipu. Após longos anos na
Usina, seu Francisco aposentou-se e vieram morar em Mirandópolis.
Dona Fermina trabalhou muito em sua
vida. Cozinhava para os patrões num dia, e no outro muitas vezes precisava
cozinhar para vinte, trinta convidados. Sua especialidade era fazer carneiro
recheado, macarronada, feijoada. E fez muitos doces, como o doce de leite que
derretia na boca. E tudo isso ela fazia
enquanto cuidava de seus dois filhos e
do bem estar dos filhos dos patrões.
Um dia, conduzidas por seu Mário
Varella e sua filha Jane conheceram a Ciranda, que hoje tem dezesseis anos de
existência. Esse grupo reúne idosos, para
conversar e cantar com outros idosos solitários. O objetivo é espantar a
solidão de quem vive sozinho. E dona Fermina se identificou tanto com o grupo
que, nunca mais parou de participar.
Além disso, dona Fermina participa do
grupo de Folia dos Reis, com quem viaja
para vários encontros em outras cidades.
Dona Fermina gosta muito de gente. Gosta
de estar rodeada de amigos, e de contar causos ocorridos ao longo de sua vida. Vive
cercada de pessoas, que ela cuidou quando crianças, que têm por ela
verdadeira paixão. É muito respeitada e
admirada na Ciranda e na Folia de Reis. Dona
Fermina não estudou, não tem diplomas, não se tornou médica, professora,
vereadora, comerciante nem uma especialista em nada. Mas foi uma mulher que
veio ao mundo para servir. Serviu como esposa, como mãe, como avó, bisavó e tataravó. Mas o que a
destaca mais que tudo é que, ela foi um pouco mãe, professora, médica, administradora,
cuidadora e enfermeira de muitas crianças que viveram ao seu redor.
Hoje com 95 anos, mora com a filha Jane e o genro Francisco e
vive uma vida tranquila, sempre rodeada de pessoas que a amam de verdade.
Por uma vida recheada de trabalho, por tudo que ensinou, por todas as pessoas que
cuidou, por uma longa vida servindo ao próximo, podemos afirmar que dona
Fermina Moreno Rodrigues é gente de fibra!
Mirandópolis, 12 de maio de 2026.
Kimie Oku in
http://cronicasdekimie.blogspot.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário