quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

                                 No fim do arco-íris

    De acordo com uma lenda japonesa, nos dias em que há sol e chuva, no meio da floresta ocorre o casamento das raposas. Elas se vestem como humanos, e realizam a cerimônia com pompa e gala, como convém a um enlace matrimonial. Entretanto, os humanos não devem assistir a essa festa, que é das raposas, bichos ladinos e cheios de artimanhas...
Certo garoto japonês ouviu de sua tutora que, nunca se deve adentrar na floresta em dias de sol e chuva, porque as raposas estariam se casando e era proibido vê-las...  Bastou essa advertência, para despertar a curiosidade do menino.
        Num certo dia bem ensolarado, de repente começou a chover... E o garoto correu para a floresta, para conferir a história da ama. E realmente, ocorria o fato. Raposas vestidas com luxo e andando como humanos sobre duas patas desfilavam no meio da mata, onde chovia mansamente... Havia um acompanhamento musical, com flautas e tambores que marcavam o compasso dos noivos e convidados. O menino intruso, pasmo de ver a beleza da cena, ficou espiando atrás de uma árvore. Mas, o cortejo vinha em sua direção, e ele com medo resolveu fugir... Correu, correu e chegou em casa sem graça, por ter feito algo que lhe fora proibido... O portão da casa estava fechado, e ele chamou pela tutora várias vezes para abri-lo. E ela veio furiosa dizendo que, as raposas estavam muito iradas, por causa da sua intromissão na cerimônia de casamento. E lhe entregou um punhal para praticar o “haraquiri” ou suicídio cortando a barriga...  O menino sem outra alternativa, foi ao local da cerimônia de casamento e, pedindo perdão às raposas praticou o haraquiri... E no mesmo instante, ele se viu transportado para um vale todo florido, emoldurado por um belo arco-íris... Mundo de sonhos...

        Esta é uma lenda japonesa que sempre me encantou, e tive a oportunidade de assistir no filme Sonhos de Akira Kurosawa. Belíssimo.
 Existem mais lendas tão bonitas de outros países, como da Irlanda, cujos duendes vêm periodicamente, buscar as moedas que os aldeões colocam num sapato velho na janela. Esses duendes ouLeprechauns colecionam as moedas num balde, que enterram no fim do arco-íris. Daí , a lenda do pote de ouro no fim do arco-íris, que todo mundo já ouviu falar...
        O arco-íris é um dos fenômenos mais belos da natureza, que sempre me deixou encucada. Há uma explicação científica para sua formação, mas vê-lo surgir de repente num dia qualquer sempre me faz pensar... Como as sete cores vão parar lá no céu?  São palpáveis? Como é feita a graduação das cores, para uma não apagar a outra? Como é possível uma curvatura tão perfeita? E por que, quase sempre aparece um segundo arco, como se fosse a sombra do primeiro?  Perguntas sem respostas... Já li que, tem a ver com o reflexo da luz solar sobre as águas dos rios e mares... Mas, mesmo sendo uma explicação verdadeira, deixa a cabeça da gente cheia de indagações...
        E não há quem não se encante de vê-lo surgir de repente no céu. Muita gente diz que quando ele aparece, os desejos e sonhos das pessoas se realizarão... Quem dera fosse verdade! Cada um interpreta conforme suas aspirações...Já vi arco-íris se formando sobre quedas d’água, sobre cascatas... E fica mais bonito sobre a água branca que vai jorrando do alto. Está realmente comprovado que ele se forma junto às águas. Nunca ouvi falar de arco-íris em desertos... Também já disseram que as cores não existem de per si. Elas se manifestam com a claridade do sol. Se não houvesse a luz do sol, cores não existiriam... Seria um mundo muito triste sem cores...
        De qualquer forma há fatos nesse mundo que são difíceis de explicar. E como disse Shakespeare; “Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia”
       

       
         Mirandópolis, fevereiro de 2015.
        kimie oku in

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