segunda-feira, 27 de abril de 2015

                               Outono chegou!



 Estamos em pleno Outono, a estação mais suave do  ano.  Começou em 20 de março e vai até 21 de junho.
     A Primavera é a mais bela estação, sem dúvida, por causa da natureza que se veste de cores variadas, animando o olhar das pessoas. Verão é a estação quente, do calor insuportável, de sede constante, de suor que tanto incomoda e, nos faz procurar sombra ao dar um passo na rua. Inverno é tempo de frio, dos agasalhos, das botas, das meias...
     E Outono? 
    Ensinamos aos alunos que Outono é a estação sazonal dos pomares, e que podemos nessa época saborear frutas variadas. Acho porém que estávamos errados. No Brasil, a frutificação ocorre o ano todo, porque temos vastas regiões onde o clima varia, a quantidade de chuva é diferente e o solo é propício. Então, quando as frutas acabam na região Oeste do Estado de São Paulo, outras regiões oferecem as  mesmas, cuja safra terminou aqui. É o caso das mangas e uvas...
Independentemente de ser Outono ou não, no Brasil podemos consumir frutas saborosas durante o ano todo, embora elas custem mais, se importadas.
Como nosso país está localizado na região tropical do planeta, não ocorre o belo koyô, que é a coloração das folhas das árvores quando o Outono vem chegando. As árvores ficam coloridas de amarelo, dourado e vermelho por causa da baixa iluminação da época. Isso ocorre nos países frios da Europa e da Ásia. As folhas das árvores se colorem totalmente e, passam a impressão que estão floridas, mas não, são as folhas que ficam avermelhadas.
   O Outono porém, é uma época de iluminação mais suave, de menos calor e convida as pessoas para uma boa leitura, uma caminhada em locais arborizados... É nessa época que começamos a tirar os agasalhos dos armários, por conta do friozinho que vem anunciando a chegada do Inverno. As madrugadas esfriam e às vezes, precisamos usar mantas leves...
É no Outono que faço meus artesanatos para os Bazares promocionais da cidade, os cachecóis e coletes  de lã para crianças, as toucas para o Hospital de Barretos. Nessa época mais fresca é possível trabalhar com fios de lã.
No Outono, os dias são luminosos, mas os raios solares não são ardentes como no Verão. É agradável andar pelas ruas no período da manhã. Tomar um cafezinho na casa de amigos, conversar com os vizinhos nas calçadas, espiar vitrines das lojas...
Gosto demais de cutucar a terra, de replantar mudas, de podar roseiras, de adubar os vasos... De combater pragas e ervas daninhas. De fotografar as flores... Todos os dias há uma flor nova desabrochando!
Há uns anos, vi um filme japonês “Outono Prematuro”, que é uma lição de vida. Os protagonistas vivem um dia a dia agitado, preocupados com o trabalho, e se esquecem de viver, de curtir a família, de olhar ao redor, de ouvir o canto dos pássaros, de ver as folhas das árvores mudando de cores... E em meio a esse turbilhão de cidade grande, de repente o chefe da família fica muito doente. Doente e sem cura... E aí tudo muda. Todos param e percebem que ninguém estava vivendo direito, que haviam esquecido o verdadeiro sentido da vida. E então, todos se empenham em proporcionar ao doente e a si mesmos, um tempo de paz, de vivência esquecida. Interrompem tudo e vão para uma casa de campo. Em meio à paisagem maravilhosa, passam as horas rindo e conversando, enquanto as folhas das árvores vão se transformando de douradas para vermelhas. E no silêncio das longas tardes, ouve-se o cantar dos passarinhos... E embalado pelos risos dos familiares, pelo arrulhar dos pombos, o doente parte... Suavemente.
Imagino que, a nossa trajetória aqui na terra também esteja dividida em quatro estações: a Primavera compreende a fase que vai do nascimento até os vinte e cinco anos, tempo de formação; o Verão vai dos vinte e cinco aos cinquenta anos, tempo de trabalho e produção; Outono já é tempo de ir parando, de passar as responsabilidades para os mais novos, e vai dos cinquenta aos setenta e cinco anos; e Inverno é tempo de aposentadoria, de preparar-se para a partida final... Mas, é muito triste viver o Inverno da vida, porque a maioria de nós nem saúde tem mais nessa  época, e não pode viver plenamente. Nessa altura da vida, as articulações não funcionam direito, os órgãos dos sentidos vão perdendo suas acuidades e a memória, oh! a memória só consegue resgatar coisas e fatos dos tempos antigos, que não interessam a ninguém...


Então, é melhor viver pouco mas viver plenamente, enxergando, escutando, falando, sentindo, rindo e andando com as próprias pernas...
Por tudo isso, é melhor partir no Outono da vida.
Eu particularmente não quero esperar o Inverno.
Por isso Carpe Diem!

Mirandópolis, abril de 2015.

Um comentário:

  1. O melhor mesmo é partir no outono; vc tem razáo.......O inverno é muito triste........

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