Esses
japoneses ainda meio bichos, meio gentes viviam nas florestas das ilhas e, por
certo devem ter sofrido muito para se protegerem das feras, e das intempéries
como chuva, vento, neves... E o único vestígio de sua passagem foi o cemitério
de conchas fossilizadas, enterradas na terra dos vales onde habitaram.
Esses
humanos dos primórdios dos tempos não eram civilizados, não tinham modos, não
conheciam nada, eram xucros como animais indomáveis e, sua luta diária era
apenas a busca de comida e de proteção.
Muitos
devem ter sido atacados para servirem de pasto para as feras, porque nem
possuíam abrigos para se defenderem delas. E por milênios, a luta pela
sobrevivência continuou.
Pouco
a pouco, descobriram meios de defesa e proteção próprios. E acabaram se
reunindo em grupos ou tribos, para melhor se protegerem. E aí premido pela
necessidade, despontou o homem faber que passou a construir armas para caçadas,
coberturas para seus abrigos, chegando a usar as peles dos animais como
vestimentas para o corpo. E aí, inventaram os vasilhames. E com a descoberta do
fogo tudo mudou.
Devagarinho,
o homem foi sofisticando suas invenções. Cada geração acrescentava novas
descobertas, ou invenções ao arquivo da humanidade. E desde a descoberta do
fogo e da roda, muita coisa se acelerou. Havia mil possibilidades para inventar
e melhorar as descobertas. E veio a máquina, o motor, o avião, o filtro d’água,
o remédio, a panela, a geladeira... E por aí foi...
E chegamos à nossa Era. Era moderna, onde tudo se
cria, se reinventa e se transforma a cada segundo, numa celeridade nunca antes
sonhada. Era da Informática, das Usinas Nucleares, Era Global... Era das Máquinas... Das Aeronaves... Dos Robôs... Do Petróleo... Da Microfibra... Da Fibra Ótica...
Como
é lixo mesmo, as pessoas não têm o cuidado necessário para lidar com ele, e dar
uma destinação cuidadosa e adequada. Muitas donas de casa ao eliminar pelancas
de carnes e ossos de frangos não têm o cuidado de congelá-los para colocar no
lixo. Por que congelar? Para evitar que apodreçam ao sol quente nas lixeiras
atraindo varejeiras, que fazem a festa se multiplicando em milhões... Tão
simples, mas que pode ser adotado por todos que limpam peixes, frangos e outros
animais. Essa medida ajuda a diminuir o mau cheiro e a proliferação de moscas, que tanto
incomodam a gente. E como tem mosca em Mirandópolis!
Felizmente,
em nossa cidade o lixo reciclável está sendo reaproveitado e o recolhimento
está acontecendo. Com isso percebemos que, a quantidade do lixo reciclável é
superior ao do lixo de cozinha e banheiro.
No
Japão, o lixo reciclável tem que ser embalado em sacolas apropriadas: Sacos Azuis
para papel e todos os derivados, como caixas, papelão, livros, cadernos; Sacos
Vermelhos para plásticos, sacolas e garrafas pet; Sacos Verdes para
recolhimento de vidros, espelhos, copos, garrafas; e Sacos Amarelos para
recolher metais como canos, latinhas de cerveja e refrigerante, pregos. Os
cidadãos têm que comprar esses sacos, que são muito caros. O Professor
Kakutani, que deu aulas na Escola Japonesa daqui, nos explicou que, os sacos
são caros para desestimular a população a produzir lixo.
O
povo tem que ser reeducado. Comprar cadernos mais finos, porque esses de dez ou
mais matérias só servem para enriquecer os fabricantes, e os comerciantes que
os vendem. Os pais pagam por algo que os filhos-alunos nem irão usar. E quem paga
mais caro é a Terra que fica cada vez mais deserta de árvores...
Mas,
o que tem a ver os japoneses primitivos que consumiam ostras com a humanidade
de hoje? Tem que eles não conheciam a Civilização da Era Moderna, mas viveram
frugalmente e não destruíram o ambiente em que viveram. Os primitivos só
deixaram restos de ostras, como atestados de sua passagem na Terra. Não
emporcalharam o mundo que pisaram, como fazem hoje os “civilizados”.
Tenho
um amigo em São Paulo, o mirandopolense Jozé Augusto Lisboa que, costuma observar
o chão de asfalto das cidades por onde percorre, para fotografar coisas
inusitadas que lá estão enterrados: pregos, parafusos, moedas, chaveiros,
ferramentas, tampinhas, pedaços de carros, placas e pedaços de pneus, que
atestam a passagem do homem moderno pela Terra. Do homem Civilizado.
E
estou escrevendo isso por estar indignada tanto quanto os meus amigos Isabel e
Dedé, pela falta de consciência de cidadãos mirandopolenses, que jogam seus
lixos, suas imundícies à beira das estradas vicinais. Não acredita? Dê uma
passadinha lá no começo da vicinal que vai para a Usina. A subida logo após a
ponte virou um imenso lixão a céu aberto, por conta de gente irresponsável, que
tem o capricho de levar suas porcarias e seus dejetos e jogá-los lá... De vez em quando, tem também bando de urubus
se banqueteando na imundície. E a chuva vem e traz todas aquelas porcarias que
estão em sacos plásticos, para o corguinho que há na ponte...
E
assim, cidadãos de Mirandópolis estão matando mais um veio d’água, por pura
irresponsabilidade e falta de cidadania. Bando de idiotas! E o duro é que
idiotice não tem cura. Não sabem que matando o corguinho, a mata ciliar também
irá morrer junto, e o calor vai ficar insuportável? Já imaginou o pedaço sem a área verde?
A Prefeitura
poderia colocar uma caçamba no local para recolher esse lixo. Mas, ninguém se
preocupa com o lixo e não gosta de ver seu nome ligado a ele, porque lixo não
dá votos, não é mesmo?
É uma
cadeia de desleixo e irresponsabilidade, que tão facilmente poderia ser
solucionado. Até já ouvi falar que, criaram no município o Departamento de Meio
Ambiente. Então, por que nada foi feito até agora para resolver esse problema?
Sugiro
que o pessoal desse Departamento dê uma circulada na cidade, nas periferias, e
veja quanta coisa tem que ser mudada. Há tanto que fazer!
Ou
isso não é tarefa do Departamento de Proteção ao Meio Ambiente?
Mirandópolis, março de 2014.
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