MIL DECIBÉIS
Na sociedade dos civilizados, é preciso lembrar sempre que, o direito de um cidadão finda onde começa o de outro, ou que a nossa liberdade termina onde começa a do próximo.

Neste final de semana, tivemos um incômodo que chegou ao paroxismo, por conta de uns jovens, que cismaram que a nossa pacata cidade é terra de ninguém. Ligaram um som a mil decibéis e nem se preocuparam com a vizinhança.
O som era tão alto que, provocou mal estar a todos os moradores do bairro. A cabeça parecia explodir, o coração acelerava, e provocou um tremendo estresse. E os loucos que se acharam no direito de nos atormentar, não conheciam limites. Acredito que não estavam normais. Por horas e horas, esses garotos atormentaram a vizinhança, com a loucura de seu som e nenhuma autoridade tomou providência.
O bairro é ocupado por moradores idosos e aposentados, e todos são pacíficos, que não causam problemas a ninguém. E justo aqui, aterrissaram esses meninos, órfãos de educação, para fazer graça à custa de sofrimento de alheios. Foi exatamente a reprodução de um filme de terror.
Gostaria de saber se se reproduzisse esse show lá nas suas casas, seus santos familiares agüentariam. O som era tão irritante, que despertava até instintos assassinos, nos pacatos cidadãos locais. Nessas horas, há o risco de alguém perder o juízo e sair atirando, para acabar com o que lhe perturba.
Ora, sabemos que o nosso ouvido é um órgão delicado que suporta o som ou o barulho, até um certo limite. Além desse limite, há o perigo de se romper o tímpano, de causar sangramento, e como conseqüência a danificação irremediável da audição. Ninguém merece. A pessoa fica surda de vez.
E parece que era essa a intenção dos garotos. Mesmo porque, se eles consideram normal o volume de seu som naquelas alturas, devem todos eles, ter problemas de audição.
Mas, nós moradores locais não merecemos passar por isso. E como somos civilizados, demos uma colher de chá, para ver se eles abaixavam o volume. Que nada, mais e mais se divertiram atormentando a todos, sem limites. Alguém teve que pedir providência das autoridades. E não venham dizer que somos extremistas, que sabemos muito bem de nossos direitos.
E os carros de som que passam todos os dias, fazendo as propagandas de promoções das lojas? Deveria haver um limite para o volume, para se evitar a poluição sonora, porque esta também faz muito mal à saúde. Mas, ninguém se importa. Ignorância ou omissão das autoridades?
Entretanto, os carros funerários que passam comunicando o falecimento de pessoas, o fazem de forma respeitosa, com volume aceitável, e a cidade toda fica sabendo quem faleceu e, quando será o funeral. Então pra quê, aquela gritaria desvairada para dizer que aqui ou ali, há uma venda especial de mercadorias? Os lojistas não se dão conta que, o próprio anúncio é um desrespeito aos seus prováveis clientes?
E os jovens que se acham no direito de ligar o som do carro no volume máximo, em frente à casa da gente e pensam que agradam... Ora, cada pessoa gosta de um tipo de música, e ninguém é obrigado a curtir o que não gosta. Para tudo há um limite. É assim que funciona a sociedade.
Quem não consegue respeitar as normas da boa vizinhança, que vá morar numa ilha deserta. Lá, ninguém se incomodará com os seus excessos e tampouco será barrado por alguém.
Enquanto isso, gostaria que as autoridades acordassem para o problema do som em volume máximo, que carros de publicidade, igrejas “em nome de Deus”, e jovens enlouquecidos executam num desrespeito total aos cidadãos dessa pequena cidade.
Que realmente parece ser terra de ninguém.
Sem nenhuma autoridade.
Mirandópolis, 6 de fevereiro de 2012.
kimie oku
(kimieoku@hotmail.com)
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