Sapatos
e calçados
Dentre as vestimentas que a humanidade adotou,
os sapatos têm seu lugar de destaque. Eles
protegem as extremidades do corpo humano, que suportam todo o peso nas suas
locomoções.
No princípio dos tempos, o homem e a mulher foram lançados
ao Paraíso “in natura”, isto é apenas com a pele de seu corpo e os pelos que
cobrem algumas partes. Exatamente como os cães e gatos que não usam roupas. Diz
a lenda que Adão e Eva, ao cometerem o pecado original, tomaram consciência de
sua nudez e foram se cobrir.
E assim, nasceu a roupa, o abrigo, o agasalho. E com eles,
todos os demais complementos: chapéus, sapatos, luvas, lenços, gravatas...
No começo, folhas de plantas foram usadas mas era necessário
algo mais confortável e quente para vencer o frio das cavernas. E aí, alguém
teve a ideia de aproveitar a pele dos animais que caçavam para comer, para
envolver seu corpo. Durante muitos milênios, o homem se cobriu de peles, por
falta de opção. Depois, alguém descobriu a fiação. Aproveitando pelos de
animais, surgiram os primeiros tecidos rústicos, que foram sendo aperfeiçoados
ao longo dos tempos. Quando descobriram fibras de plantas, a indústria
manufatureira deu um salto na produção de tecidos em larga escala.
E se o corpo carecia de proteção, os pés necessitavam mais
ainda, para suportar o peso do corpo, e protegê-los de bichos rastejantes, dos
impactos do solo, da quentura da terra, dos espinhos e das pedras dos caminhos.
E assim, surgiram os
sapatos, ou calçados. E por falar em pés, acho que Deus os fez desproporcionais
ao corpo do homem. Eles são pequenos demais, para suportarem todo o peso do
corpo. Isso fica evidenciado hoje com o número de pessoas que andam
desajeitadamente, que arrastam uma ou ambas as pernas, que usam bengalas,
cadeiras de rodas e outros aparelhos, porque sentem muitas dores.
Mas, voltando aos sapatos ou calçados, sua história remonta
a mais de 10.000 anos antes de Cristo, no Período Paleolítico, pois foram
descobertas evidências de calçados usados nas tumbas dessa época.

Das fibras vegetais ao couro de animais foi um salto, que
deu mil possibilidades tanto no conforto, como na confecção e proteção dos pés.
Logo surgiram as botas e botinas, cujos saltos foram elevados. Geralmente, os
saltos indicavam a posição social superior de seu usuário. Mesmo nas tumbas dos
faraós, foram descobertos calçados de saltos.
Sobre saltos, há umas curiosidades que valem a pena
mencionar. As cortesãs japonesas usavam saltos altos, como recurso de sedução. Catarina
de Médici no século XVI usava sapatos de saltos para compensar sua altura. E
Luís XV também os usou pela mesma razão. E o Imperador Hiroito do Japão foi
coroado em 1926, com uma plataforma de 30 centímetros de altura.
Na China houve um costume bárbaro que não permitia o
crescimento dos pés das bailarinas da Corte Imperial. Seus pés eram amarrados
para que coubessem nos “sapatos de lótus”, que mediam menos de oito centímetros
de comprimento. As classes altas também
adotaram esse costume, como rito de
passagem, que fez muitas mulheres
ficarem com os pés totalmente deformados. Recentemente, assisti a um
documentário, em que uma chinesa centenária contou o sofrimento, que era
caminhar com os pés metidos nesses pés de lótus. E ela disse que se libertou
deles, ao fugir de um ataque a sua aldeia natal por tropas inimigas, durante a
última Guerra. E disse do alívio que sentiu, mas os pés da infeliz estavam
disformes para sempre, formando uma elipse. Costumes bárbaros, que o homem
inventa para subjugar o seu semelhante.
O costume de padronizar os calçados com números foi adotado
em 1642, pela indústria calçadista da Inglaterra. E os números são padronizados
atualmente em cada país, de acordo com suas tabelas de tamanhos dos pés. Assim,
os números dos calçados brasileiros são diferentes dos americanos, japoneses.

Durante muito tempo, os calçados foram fabricados com couros
de animais, especialmente, couro de vaca.
Hoje, porém há sapatos feitos com peles de cobras, de jacarés, de
peixes, de avestruzes e até de elefantes e hipopótamos.

Roupas e calçados hoje são indispensáveis no dia a dia da
sociedade. Nem sempre foi assim. E a indústria de confecções de roupas e
sapatos funciona a todo vapor, servindo a humanidade com suas últimas criações
e com os empregos que geram.
E analisando toda a história da evolução dos costumes e dos
calçados, podemos afirmar categoricamente que, somos uma geração privilegiada,
que tem à disposição, calçados muito confortáveis ao gosto de cada um.
E viva o progresso!
Cadê os meus chinelos?
Mirandópolis, julho de 2013.
Kimie oku in http://cronicasdekimie.blogspot.com
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