Colapso motorizado

E se observarmos as casas, podemos
constatar que todas elas dispõem de mais de um veículo, além de uma ou mais
motos.
O sonho de qualquer cidadão é possuir
uma casa confortável e um carro. Entretanto, o preço do combustível fez que o
desejo se estendesse para uma motocicleta também, porque é um veículo mais
barato, que ocupa pouco espaço, além de ser rápido e, sobretudo econômico.
Assim, todas as cidades se
empanturraram de motocicletas.
E cada dia, está ficando mais difícil
para o pedestre caminhar pelas ruas. Parece que em breve, não haverá mais
espaço para os simples mortais, que andam a pé.
Há pouco tempo, constatei como o
trânsito em São Paulo está caótico. Quando o sinal fecha em certas avenidas,
formam-se filas de carros aguardando o verde, por mais de duas quadras. E
quando o sinal é liberado, não dá tempo para os últimos passarem, que o sinal
fica vermelho. Então se aguarda de novo, e assim, perde-se um tempo interminável
nos cruzamentos.
Ouvi de um motorista de táxi, que há
vinte anos vive correndo pelas ruas de São Paulo, que não vai demorar muito
para a cidade parar. O excesso de frota nas ruas vai impossibilitar o ir e vir
de todos. Tudo irá parar, pois cada dia está aumentando o número de carros nas
ruas. E se não houver uma medida definitiva, a cidade entrará em colapso.
Perguntei-lhe então, sobre o Fura-fila, criação de Paulo Maluf para eleger Celso Pita e abandonada após a eleição do mesmo, obra monumental que nunca termina, e que tem o objetivo de tirar os ônibus das ruas para os tornarem aéreos, correndo sobre pistas construídas em elevados. E ele muito experiente, me respondeu que, infelizmente essa obra está chegando com dez anos de atraso. Significa que há dez anos, ela resolveria o estrangulamento do tráfego de São Paulo. Hoje não seria mais solução, apenas um paliativo.
Ainda
ele me chamou a atenção para um fato muito sério, que está ocorrendo nos
bairros. Onde há casas antigas, estão chegando as multinacionais e oferecendo importâncias
que cobrem de dez a vinte vezes o valor real do terreno. Os donos, geralmente
sem muita renda para sobreviver, acabam vendendo e comprando apartamentos para
morar.
E aí é que está a perversidade da
transação. A casa velha é demolida e a empresa poderosa constrói no local, um
prédio de dez andares. Cada andar com dois a quatro apartamentos. E no lugar
onde morava apenas uma família, com dois ou três carros, vêm morar dezenas de
famílias com seus duzentos carros ou
mais. E esses carros irão todos para a rua, e disputarão vagas nas filas, nos
semáforos... E isso está ocorrendo em ritmo acelerado, porque São Paulo passou
a ser a Meca de muita gente desse planeta.
Há uns anos atrás se falava da hora do
rush, que congestionava o trânsito. Hoje, o congestionamento ocorre o dia todo
em vários pontos, não importa se é hora de rush ou não. Só não ocorrem
congestionamentos em dias de feriados e de madrugada. Mas, aí há o perigo dos
assaltos...
Acho que os engenheiros de trânsito devem estar procurando alternativas, para
permitir a circulação regular dos automotores nas ruas. Alternativas que precisam
visar os trens, porque transportam tanta gente de uma vez, e a linhas já estão
lá. E os metrôs, que cada vez mais estão se expandindo no mundo todo. Mas, no
Brasil nada é planejado antecipadamente. Só quando a bomba estoura é que vão
procurar as causas e as soluções.
Já imaginou num dia quentíssimo de
verão em São Paulo, ocorrer uma pane no sistema elétrico e o trânsito parar,
por falta de semáforos? Bastariam alguns minutos para se formarem
congestionamentos quilométricos. Nenhum carro poder se movimentar? Ficar tudo
travado? Norte, Sul, Leste, Oeste sem saída?
Gente gritando histericamente, doentes em
ambulâncias precisando de atendimentos urgentes, partos a meio do caminho, dinheiro
sendo transportado, presos perigosíssimos em gaiolas a caminho de presídios,
gente importante indo para entrevistas no palácio do Governo? Seria o diabo na
casa do terço, hein?
E isso não está longe de acontecer.
Solução? Reduzir a frota de carros nas
ruas. Há que se pensar em outra alternativa, porque mesmo com o rodízio, as
ruas continuam superlotadas, e tudo leva a crer que logo, logo o colapso
ocorrerá.
Pedágio reduziria a frota?
Já imaginou se o colapso do trânsito no
Rio ocorrer no Dia da Abertura da Copa de 2013?
Ou no dia da decisão final da Copa em
São Paulo?
Aí sim, seria o Diabo na casa do
terço.
Mirandópolis, junho de 2013.
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