sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


                TARDES   DE   DOMINGO

      Há em nossa cidade muitos artistas anônimos, que tocam uma viola, um teclado, um acordeon, um saxe.
        São pessoas que gostam de música e, aprenderam sozinhos a tirar um som, porque não puderam freqüentar conservatórios musicais, por falta de recursos.
      Nas sessões do Sarau Cultural Biblioteca, que vem ocorrendo há mais de dois anos, sob a batuta do Fred, muitos desses artistas têm se apresentado, e mostrado seus talentos.
      A música é um presente maravilhoso. E acredito que não haja no mundo, uma única pessoa que não goste de música. Música caipira,  folclórica, erudita, gospel, gregoriana, funk, balada,  rock, new wave... há música para todos os gostos.
        Fico imaginando como os primeiros viventes descobriram o som. Alguém deve ter tropeçado  acidentalmente numa cabaça, que fez um som estranho..... depois, ao lançar pedras nos rios para caçar seus alimentos, deve ter ficado maravilhado com o sibilar das mesmas..... e ainda ao ouvir o canto dos pássaros, começou a imitá-los para atrair e, fazer deles uma refeição.....
     E o som do vento nas árvores, o som da chuva tamborilando... da água  caindo nas cascatas.....tudo isso deve ter sido uma descoberta fantástica.
        Acho que começaram a tirar os primeiros sons de canudos de bambu, brincando... soprando, soprando...
    E assim, pouco a pouco, surgiu a música produzida pelos homens, que tanto nos encanta.
     Há uma flauta antiga de bambu, que produz sons inimitáveis. Sons belos e tristes que fazem doer a alma. Sons de “shakuhachis”, hoje muito em moda no  Japão. 
    É um pedaço de bambu, cujos sons imitam os barulhos da natureza – o canto dos pássaros, o canto das ondas do mar, o canto do vento, o canto das tempestades de areia. Quando ouço um shakuhachi, me vem a certeza de que, a  música se originou do sopro de um pedaço de bambu. Não consigo  atinar com outra origem.
        Daí pra cá, quanta evolução!
      Surgiram os poderosos berrantes para conduzir boiadas, as flautas doces, as  gaitas, os saxofones, todos movidos a sopro.
      A música pode também  ser produzida por percussão. Os tan-tans  de antigas tribos deram origem aos tambores, pandeiros e atabaques. Nasceram da necessidade de comunicação à distância, entre os habitantes de imensas florestas.
   Berimbaus, kotôs, violinos, shamisens e harpas produzem música fina, pela vibração das cordas. Existem orquestras só de cordas, que se compõem de violinos, violas e violoncelos. Produzem  sons maravilhosos.
    E ainda, a música pode ser produzida apenas apertando-se  teclas de acordeon, órgão e pianos, cujo mecanismo sonoro é o mesmo dos instrumentos de corda.
     Hoje a tecnologia já produz sons com instrumentos elétricos, como teclados,  guitarras e pianos. Não têm a pureza de um instrumento manual, porque vibram mais.
       Mesmo assim, música é música. E é sempre bem vinda.
       E como possuímos uns talentos esquecidos, já sugeri a alguns que  se unam e formem grupos de violeiros, sanfoneiros, pandeiristas e flautistas.
   E sugeri também a algumas autoridades locais, que  aproveitem esses  artistas, para animar as tardes de domingo na avenida. Já imaginaram? Todas as tardes de domingo com encontros musicais na avenida... Música a céu aberto, enchendo os ares com o som das sanfonas, das violas e dos pandeiros.
    Tenho a certeza absoluta que, uma multidão compareceria,  pelo prazer de ouvir e cantar junto, velhas canções. Atrairia jovens, crianças e idosos, porque o gosto pela arte não tem idade. E quem sabe, encheria a alma e a cabeça de jovens, que  não têm ocupação....  e quem sabe, quantos talentos não revelaria?
   A música abre um mundo de possibilidades. Ela poderá transformar a nossa pequena cidade, num centro de encontros musicais. Imagino jovens daqui dedilhando guitarras e encantando a multidão.
   Imagino as violas resgatando velhas canções, do nosso cancioneiro. Imagino os atabaques  e os berimbaus trazendo os sons da África,  da Bahia, do Nordeste...
    Imagino as tardes de domingos, repletas de música na avenida. Movimentando a cidade em torno da arte musical. E o povo curtindo, gratuitamente...   Seria uma festa!
      Seria fantástico!
      Quem adotaria essa ideia?
                    
                      Mirandópolis, julho de 2011.
                                           Kimie oku
                                    (kimieoku@hotmail.com)

Um comentário:

  1. Kimie; gostei muito da ideia de reunir os nossos musicos anonimos. Boa ideia. Tomare que de certo essa ideia. Parabéns mais uma vez....

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