No princípio dos tempos era cada um por si. Cada ser humano,
meio gente, meio bicho procurava o que comer para matar a fome no meio da
selva, onde vivia.
É claro que as
frutas eram o seu objetivo maior, porque estavam disponíveis e fáceis de
colher. Mas, a necessidade orgânica fê-lo procurar por outras fontes, como
ostras, peixes e pequenos animais, porque sentia falta de proteínas.
Daí, o homem
passou a ser caçador e pescador. Restos de civilizações antigas comprovam como
o homem consumiu ostras em profusão, e por onde passou deixou cemitérios desses
bichos. Ainda hoje
existem tribos nas profundezas das imensas florestas do mundo, que vivem da
caça e da pesca. Mesmo no Brasil, ainda há tribos que não têm contato com
outras civilizações e vivem dos produtos colhidos na selva.
Conheci há uns
anos atrás, certo pedreiro que havia trabalhado
em Mato Grosso do Sul por meses e meses, construindo a sede de uma
fazenda. Muitos índios da redondeza trabalharam na obra. E esses índios
programaram um churrasco no final da construção. Disseram que iam caçar sempre,
para reservar a carne para a festa. E o pedreiro começou a ficar encucado, pois
os índios não dispunham de geladeira...
Quando chegou o dia, ele foi ao local da festa e descobriu que realmente, os amigos haviam caçado muitos bichos, como tatus, capivaras e macacos, que estavam dentro de um enorme cocho para ser assado. Mas, ele ficou bastante incomodado porque, as carnes estavam conservadas em mel, puro mel de abelha, sem sal. E ele não conseguiu comer aquelas carnes...
Quando chegou o dia, ele foi ao local da festa e descobriu que realmente, os amigos haviam caçado muitos bichos, como tatus, capivaras e macacos, que estavam dentro de um enorme cocho para ser assado. Mas, ele ficou bastante incomodado porque, as carnes estavam conservadas em mel, puro mel de abelha, sem sal. E ele não conseguiu comer aquelas carnes...
Mas, toda a
humanidade tem como prioridade a comida. E por ela, todos batalham, pelejam,
suam, se empenham pra valer. Se não comer, morre. É preciso comer, e dar de
comer à prole. Então, o jeito é aguentar o tranco e passar a vida toda
trabalhando, para garantir as provisões da família.
Por séculos e
séculos, a humanidade procurou saciar a fome com o suor de seu trabalho,
plantando e colhendo os frutos de suas plantações. A sociedade era
essencialmente agrícola. Mesmo os mais primitivos cultivavam inhames e milho,
que lhes garantia o básico do dia a dia.
Em 1760 com a
Revolução Industrial na Inglaterra, o homem começou a perder terreno para as
máquinas, que passaram a produzir objetos de consumo em série, nas linhas de
montagem. E a sociedade rural se transformou em urbana, com o êxodo, inchando
as cidades. E da noite para o dia, formou-se um exército de mão de obra
excedente, que fez despencar o salário dos trabalhadores.
Era o advento do Capitalismo.
Até meados de 1800, a jornada de trabalho
era de 12 a
16 horas por dia, incluindo mulheres e crianças.
Isso
incomodava tanto que, o Papa Leão XIII na Encíclica “Rerum Novarum” de 1891 aconselhou
aos dirigentes da sociedade que “a jornada não excedesse a força do
trabalhador, e lhe garantisse repouso proporcional ao tempo dedicado ao
trabalho.”
Mas, demorou
muito para se por em prática tal medida, justamente porque havia sempre muitos
operários disponíveis sobrando, que poderiam ser explorados. O Capitalismo traz
no seu bojo essa tragédia para o trabalhador: a concorrência de mão de obra,
que hoje se estende até para a mão de obra especializada, tornando-a barata e
descartável.

Em homenagem a
essas heroínas, foi instituído o Dia Internacional da Mulher, que é comemorado
no mundo todo no dia 8 de março.
Em 1917 na
Rússia, outras mulheres operárias da indústria têxtil iniciaram um imenso
protesto contra a fome, que assolava o país, e contra a Guerra. Isso foi o
estopim para a Revolução Russa de 1917. Essa Revolução derrubou o governo
absolutista do Czar Nicolau II, e mais tarde deu origem à União Soviética, o 1º
país socialista do mundo.
A mulher no
trabalho conseguiu melhorar as condições dos operários, mesmo à custa de
autoimolação em prol da sociedade. E de lá para cá, muita coisa mudou.
Licença-maternidade, licença-saúde, direito à hora de amamentação, licença
paterna para cuidar da esposa e do bebê recém- nascido, licença-prêmio,
aposentadoria especial para as mulheres, aposentadoria por tempo de serviço... E
o 13º salário.
O décimo
terceiro salário foi concedido como uma premiação ao trabalhador que cumprisse os doze
meses de obrigações no ano. Na verdade, não é prêmio, não! É a compensação
irrisória pelo salário mal pago pelo patrão, pela empresa, pelo salário que é
reduzido mesmo.
.

Mesmo sendo
pequeno, o 13º salário alivia (e como!) a vida do trabalhador, pendurado em
dívidas. A maioria consegue com sacrifícios acertar suas contas no final de
ano, para começar tudo de novo.
E a partir de
novembro, todo o comércio é invadido por consumidores, que durante o ano todo
sonharam adquirir algo novo, e que só o 13º salário lhes possibilitou comprar.
E é agradável
ver as pessoas realizando seus sonhos, que antigamente eram somente de
crianças. Hoje, os adultos compram carros novos, reformam suas casas, trocam os
computadores, a televisão, adquirem terrenos para construir a casa própria. E
sempre com a ajudazinha do 13º, que vem engordar as poupanças feitas com
sacrifício, ao longo dos meses...
Fico
conjeturando na possibilidade de a humanidade um dia despertar e, proporcionar
mais benefícios à população, com um salário justo, com respeito e cuidados para
todos viverem melhor.
Deixariam de existir
a classe dos opulentos, que tudo têm e a classe dos descamisados, dos famintos.
Haveria apenas
uma classe de gente trabalhadora, que em conjunto com as empresas, produziriam
o que é necessário e dividiriam os benefícios, de forma que não haveria os insatisfeitos,
os revoltados, os explorados.
Se a
humanidade tem cérebro para pensar, um dia tem que chegar à conclusão que, a
harmonia do conviver só será possível quando houver o reconhecimento do que é justo
e, que a divisão equitativa dos benefícios só trará vantagens para toda a sociedade.
Será que algum
dia isso acontecerá?
Ou será apenas
uma utopia?
Mirandópolis,
dezembro de 2012.
kimie oku
in“cronicasdekimie.blogspot.com”
in“cronicasdekimie.blogspot.com”
Nenhum comentário:
Postar um comentário