Só para matar saudades...
A publicação do meu antigo texto Reflexões
provocou uma onda de saudade. Amigas que participaram daquele time da AABB me ligaram
e me disseram que havia um outro texto sobre o mesmo assunto.
Procurei nos meus
recortes e achei. E concluí que vale a pena deixar registrado no meu blog todas
essas lembranças, que fizeram parte de minha vida e de muitas amigas.
A Regina, uma das
basqueteiras, que é mais nova do que eu, disse que o nosso time durou dez anos.
Dez anos! Então foi de 1979 a 1989. É que a partir desse ano, passei a
trabalhar fora e a equipe se desmembrou. Que pena! Poderia ter continuado, e o
time talvez existisse até hoje, se a continuidade fosse garantida com adesão de
gente mais nova.
Mas, não importa!
Valeu enquanto durou.
Vou reproduzir o
outro texto, que foi publicado em 18 de abril de 1985, dois anos depois do
anterior.
Reflexões II
Kimie

É por isso que o homem não consegue
viver só – na rotina do dia a dia, na luta contra as dificuldades da vida e nos
momentos de alegria, o homem sempre procura alguém para repartir suas emoções.
Essa busca espontânea de alguém é que
forma os diversos grupos sociais.
Assim também é com o lazer.
Assim também aconteceu conosco...
Há exatamente seis anos, iniciamos o
nosso basquete feminino da AABB de Mirandópolis. Tão desajeitadas éramos então –
dez atletas cuja faixa etária ia dos 25 aos 37 anos. Nem sabíamos bater bola na
quadra, quanto mais encestar! Mas o desejo de lazer, de união era tão forte, que
a persistência nos trouxe até aqui.
Houve muita briga é verdade, muito de “nunca
mais volto nesta droga!”... Mas voltava. Religiosamente às segundas, às quartas
e às sextas-feiras.
Foi assim que marcaram presença entre
nós... Messy a fundadora, Carmen, Zena, Dora, Neuza, Florinda, Ceição,
Alessandra, Dirce, Mariazinha, Nilza, Dalva, Eliana, Alice, Sueli, Kalu,
Denise... Todas devem se lembrar que, por falta de grana jogávamos com bolas
rombudas, que quicavam para o lado errado, bolas carecas que escorregavam das
mãos, bolas cheias de esparadrapos para segurar o ar que teimava em sair... Com
bolas desbeiçadas que não rolavam no chão e se enroscavam na rede. Parávamos a cada três minutos para
retirar os nossos bebês da quadra, aos gritos de “Me dá um tempo para tirar o
Jenner da quadra!” “Cuidado com o meu Leandro!” “Menina, chame o papai para
cuidar da Andressa!” “Olhe o Ricardinho!” “Nenê, vá tomar um sorvete no bar!”
E a criançada aproveitava...
Hoje temos um time mais maduro. Renildes
é a brava capitã. Eloísa, a professora. Regina, a cômica sem igual. Nair e
Neide, as garotas finas que salvam a educação do time. Célia é, sem dúvida a
Hortência do time. Terezinha, o melhor rebote. Eliane a trombuda cestinha. Beth
é a “maria bronquinha”. Lika e Adriana, “os foguetinhos que voam” e fazem
misérias... Estela é a juventude, a garra. Margarete, a super inteligente
Paula, sempre preocupada com a participação de todas. E Kimie sou eu, que não
joga nada mas se diverte à beça! Ah! Sou
a “public relation” do time. Porque sou muito grata a esse grupo pelos momentos
de alegria que proporciona.
O basquete entrou em minha vida e me
ensinou muitas coisas. Aprendi a respeitar as diferenças individuais de cada
ser humano. A enxergar o lado positivo de cada um. A amar as pessoas.
E não há nada mais positivo e
gratificante que, correr numa quadra, disputando uma bola. Lutando, gritando,
brigando e xingando... Fazendo as pazes... Para depois tomar uma geladinha...
E viva o nosso Basquete!
Folha da
Região (Araçatuba) 18/04/85
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