Lojas
de roupas e calçados
Antigamente, as roupas eram todas confeccionadas em casa, ou pelas costureiras e pelos alfaiates.
Os tecidos podem ser feitos de fios naturais retirados do
algodão e do linho. Há também os fios de origem animal, retirados da lã e o fio
de seda retirado do casulo, confeccionado para sua hibernação por uma lagarta
que come folhas de amora.
No Brasil, houve época de cotonicultura, quando as terras
eram adequadas para o cultivo do algodoeiro. Também houve fase de criação do
bicho da seda, que deu o sustento a muita gente.
Quando a nossa região produzia muito algodão, foi instalada
na cidade a Firma Esteves e Cia, que comprava toda a safra de algodão, e a
revendia para as fábricas de fios e tecidos lá na capital.
E quando a seda estava em alta, as Indústrias Matarazzo se
instalaram aqui para comprar os casulos de seda, que eram exportados para os
grandes centros, onde eram transformados em linhas e tecidos de seda.
Quando as Pernambucanas se firmaram na cidade, passaram a
vender tecidos que não desbotavam e a propaganda dizia sempre em “cores firmes”.
O tecido mais comum era de algodão, que era colhido em larga escala na região.
Mais tarde apareceram as sedas, sedas finas e delicadas, que custavam os olhos
da cara. Diziam que era seda do Japão, porque aqui não se produzia ainda.

Com
o advento do prêt-à-porter, isto é roupa pronta para vestir, houve uma
revolução no mundo da moda. As lojas de tecidos tiveram que fechar as portas,
porque todas as pessoas passaram a comprar roupas prontas. Inicialmente, ainda vendiam
tecidos e roupas confeccionadas, mas hoje são raras as lojas que ainda
continuam comercializando tecidos, para as costureiras e para os alfaiates.
E
o que mais me espanta na atualidade é o número de lojas de roupas e calçados,
que são inauguradas todos os dias na cidade. Há lojas para todos os gostos,
desde roupas de dez reais até as de preços astronômicos. E há lojas se
enfileirando, umas atrás das outras, usando a mesma calçada.
Mas,
tudo começou quando Adão e Eva desobedeceram a Deus no Paraíso. Após cometerem
o pecado, tomaram consciência de sua nudez e foram se cobrir com folhas de
plantas. Assim, a humanidade passou a vestir-se, diferenciando dos animais que
usam a própria pele como vestimenta natural.
E
dali pra cá, muita coisa aconteceu: peles de animais foram as primeiras roupas
utilizadas, até descobrirem a tecelagem com lã de carneiro e fios de algodão.
Tudo foi sendo aprimorado, e hoje poucas pessoas mandam confeccionar suas
roupas, com exceção de trajes para cerimônias especiais, como casamentos e
festas sociais. Até para isso existem lojas aqui, que vendem e alugam esse tipo
de trajes. Ainda há na cidade dois alfaiates, que confeccionam ternos sob
medida, um luxo para poucos.
Para
tantas lojas sobreviverem em meio à concorrência geral, é necessário faturar
alto. E acho que vendem muito mesmo, porque
nos últimos tempos, as pessoas vivem de aparência. Cuidam e investem
mais no visual, esquecendo-se muitas vezes de crescer internamente.
Infelizmente.
E
muitas vezes, as pessoas usam as roupas para disfarçar suas protuberâncias,
formadas por excesso de comida. Mas os tecidos sintéticos de hoje grudam no
corpo como uma segunda pele e não disfarçam nada. Pelo contrário, põem-nas em
evidência.
Infelizmente,
percebo que a humanidade vive mais para comer e para se enfeitar. E o mais
deprimente é constatar que, tem gente que insiste em estar na moda, usando as
últimas invenções, que muitas vezes tornam a figura ridícula dentro delas.
Senhoras imensas usando roupas que “derramam” os seios e os pneus fora da
roupa, é extremamente desagradável mirá-las. (Os homens
discretos ficam bastante incomodados, sem ter onde parar o olhar.) Penso sempre
que as pobres não devem ter espelhos em casa, desventuradas... Outras que usam
saltos tão altos, que parecem que estão no quinto andar de um prédio, e andam
desequilibradas, como se fossem desabar à primeira lufada de vento, ou levantar
voo... Mas, gosto é gosto e vamos deixar pra lá.
Essa
história de investir só na aparência está bem de acordo com o momento que
vivemos. As pessoas fazem de tudo para aparecer, seja nos grupos sociais, seja
para estar na “onda”. O sucesso do programa Big Brother diz tudo, e há tantos
discípulos dessas aberrações que a tevê faz questão de pregar.
Percebo
que a cultura brasileira está cada dia mais pobre, sem ídolos para seguir. Tudo
que o povo faz e quer é o imediato, a vantagem instantânea, o lucro.
Infelizmente é ínfima a parcela de nossos brasileiros que investem em si
próprios, para crescer culturalmente.
O
povo vive de disfarces. Pobres disfarces.
O
conteúdo é mais pobre ainda.
Mirandópolis,
maio de 2013.
kimie
oku in cronicasdekimie.blogspot.com
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