É Primavera!
Mesmo o Verão chega rapidamente e, invade os
meses reservados para o Outono, e o povo sofre com o calor e o suadouro, que,
deixa todo mundo desconfortável. Parece até que o sol quer nos cozinhar! Verão
por aqui é terrível. Quente demais!
Com a Primavera
é diferente. Os dias ficam luminosos, as tardes ficam longas como as sombras
das árvores. E o perfume das flores invade casas e nossas narinas. Tudo fica
florido, até os matinhos que teimam em nascer nas frestas das calçadas.
Mas,
voltando à Primavera, é um tempo de dias luminosos e tardes preguiçosas, cheios
de chilreio de pássaros, de alados cruzando os ares e de cantorias sem fim. É
tempo de acasalamento, de disputas das fêmeas disponíveis e machos brigando
entre si. Também os humanos se rendem ao amor, e não raro cruzamos com jovens
tão apaixonados, que não conseguem ver o que se passa em volta. Se perdem em
abraços intermináveis e longos beijos, como se estivessem sorvendo o soro da
vida. Esquecem-se de deveres, da família, de se alimentar direito, dos amigos,
porque a vida se resume só naquela cara metade, que tem o poder de transformar
o seu mundo num paraíso, só com um sorriso.
Mistérios
insondáveis do Amor.
De setembro a
dezembro curtimos um tempo agradável, nem muito quente, nem muito frio, com o sol
aquecendo o solo e provocando o desabrochar de flores em todos os cantos. As
borboletas coloridas não param de voar, executando um bailado sem fim sobre as
ramagens floridas. Os arapuás ficam enlouquecidos com a fartura do mel. Sobre os muros debruçam-se pendões de
primaveras, num despropósito de beleza em cores. As acácias soltam os cachos de
ouro como se fossem arandelas perfumadas, enfeitando ruas e jardins graciosamente. O mundo
todo se veste de cores, cores quentes que atraem as abelhas, os beija-flores e
as formigas sugadoras de mel.
E quando vem
a chuva mansa, o ar fica translúcido e se enche de perfume, mas não enfastia
ninguém, porque a natureza é sábia e os perfumes são sempre suaves. As folhas
perdem a opacidade provocada pela poeira, que se dissolve na chuva. As árvores
ficam brilhantes, como se exibissem um traje de gala.
Toda vez que penso em
criatura e Criador, lembro-me de uma história contada nas aulas de Catecismo.
“Jesus Menino brincava com outras crianças. E brincavam com barro, moldando
objetos. Então, Jesus fez uma borboleta de barro. Aí um garotinho disse: Também
sei fazer isso! E fez uma borboleta igualzinha. Mas, Jesus soprou na sua obra e
ela criou vida e saiu voando. E o menino soprou em vão na sua borboleta, e viu
que havia algo misterioso aí.”
E assim é com
todas as coisas criadas. O homem aperfeiçoa tudo e chega aos limites
inimagináveis da criação, mas não consegue passar o sopro da vida. Faz robôs
que substituem o homem em diversas tarefas, mas não consegue dar-lhes vida.

Então, ao
curtirmos esse tempo tão agradável de Primavera, vamos apreciar as flores, que
são umas das mais perfeitas criações de Deus. E cultivá-las, se possível.
Mirandópolis,
setembro de 2013.
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