Lírios e Palmas
Às vésperas de terminar o ano, o corredor
de casa foi enfeitado com belos lírios amarelos e umas palmas vermelhas.
Beleza natural sem brilhos, diferente das
árvores de Natal que ficam pisca piscando sem parar e, ostentando uma artificialidade
nada natural. Que desgastam os olhos de quem passa e as vê.
Nessa época de festas quando o consumismo
toma conta de todos, os criadores de coisas para vender se superam. E as lojas
ficam lotadas de bugigangas inacreditáveis... Antigamente, a árvore era apenas
um ramo de pinheiro com algumas bolas coloridas. Hoje tudo é absurdamente
diferente, vazio e pobre. Os penduricalhos são os mais variados desde bolas que
não se quebram até papais noéis totalmente despersonalizados, embrulhados em
pedaços de papel vermelho e branco. Tem árvores para todos os maus gostos e
para todos os bolsos... E haja mau gosto!
Desde que o Dia das Mães, das Crianças e o
Natal se tornaram o gatilho de vendas polpudas enchendo os bolsos de
comerciantes, essas datas perderam a graça e o encanto. Comércio elevado à
décima potência, e cultivado por toda a humanidade...
Felizmente neste ano, o face book não
ficou lotado de mensagens cheias de
brilho, que irritavam os olhos de quem tentasse comunicar-se com amigos. Porque
no ano passado, foi um exagero que encheu as medidas. Essa mania de gostar de
brilho deve refletir a vontade do sujeito apagado que quer brilhar a qualquer
custo... Pobreza...
Daí os meus amigos dirão: O que isso tudo
tem a ver com lírios e palmas? Tem a ver
com a beleza natural que Deus concedeu a todas as coisas, que não precisam de
brilho para aparecer.
Nós estamos esquecendo das coisas simples
e belas que há nesse mundo. Esquecendo da natureza e criando cores totalmente
artificiais, misturando o verde com o vermelho, com o amarelo e inventando
nomes como salmão, verde piscina, azul ultramarino e outros que tais...
Inventando flores de papel, de seda, de plástico e substituindo as verdadeiras...
Deixando de apreciar o belo e o real para cultivar coisas irreais e falsas, como
se fossem o supra sumo de consumismo.
O ser humano está se tornando um fantoche
da própria criatividade levada ao extremo.
Eu sei e tenho absoluta certeza que quando
a nossa geração passar, não haverá jardins nas casas, não haverá vasos de
flores nas varandas, não haverá caminhos com gramados rodeando pés de capitães
e lírios... Flores não dão lucro, dão trabalho. E as novas gerações não têm
tempo para essas ocupações. Correndo atrás de din din...
E o mundo será um lugar triste para se
morar...
Sem flores, não haverá abelhas, não haverá
borboletas, não haverá colibris... Não haverá cantos de passarinhos, nem o seu
voejar, nem ninhos nas árvores...
Por isso, fico encantada ao ver os lírios
florindo, as palmas se abrindo em todo o seu esplendor. Enfeitando um cantinho,
um corredor, uma janela com seu talhe elegante, com suas cores exuberantes, totalmente
mudas, absorvendo o calor e o brilho do sol.
E bom Natal com lírios e palmas floridas!
Mirandópolis, 24 de dezembro de 2017.
kimie oku in
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