Cirandando
no céu
Estive ausente uma
semana, por conta de problemas pessoais.
Ao
voltar, constatei que fiquei mais pobre. Mais pobre de amigos, porque numa
semana de apenas sete dias, três amigos foram embora. Deixaram a vida terrena,
para irem morar na casa do Senhor.
É
verdade que eram pessoas idosas, acima de oitenta anos de vida bem vivida, mas não deixa de provocar
uma imensa tristeza, o fato de nunca
mais podermos usufruir de suas companhias. Porque é tão gratificante ver um
amigo, trocar ideias, ouvir suas queixas sobre a saúde, sobre o salário
curtinho, e outras coisas mais que fazem parte da existência de todos nós.
Eu
sabia que a vida do nosso grande mestre Walter Víctor Sperandio estava por um
fio, por causa da saúde precária. Viver
para ele já se tornara um grande fardo. Não conseguir falar e se fazer entender
era doloroso demais para ele e para os que o cercavam. E a consciência do
próprio estado o entristecia muito.
Um
dos momentos mais emocionantes que vivi foi quando ele foi ao Encontro da
Ciranda. Lembro-me que os amigos
admiradores seus o carregaram na cadeira até dentro do salão, onde curtiu a
roda da Ciranda. Já estava cambaleante, mas ainda conseguia falar e chegou até
a declamar uns versos.
Até
o fim, continuou sendo aquele homem gentil de sempre. Numa das últimas vezes
que o visitei, ele conseguiu falar e eu consegui entender: “Desculpe por não te
acompanhar até a porta” (Não conseguia nem caminhar mais, mas jamais perderia a
classe!) Walter Víctor Sperandio...

Já
no fim da vida, quando estava sozinho, após a partida de sua querida dona Luisinha,
ele participou de encontros da Ciranda. Tinha um prazer, um gosto particular de
comparecer e dizia que, gostaria que os encontros ocorressem mais vezes ao mês.
Enquanto a saúde lhe permitiu, compareceu e participou da Ciranda com muita
alegria, onde era bastante estimado por todos. Ele foi feliz enquanto viveu
entre nós. Jorge Cury...
Hoje há tanta gente trabalhando na sociedade
local, que não fossem as reprimendas e os conselhos dele, teriam tido destinos
diversos, de muito sofrimento. Todos se tornaram cidadãos trabalhadores e
honestos. E isso é uma obra humanitária
que nem sempre aparece.
Trabalhei
por mais de uma década sob sua chefia e aprendi a respeitá-lo. Mesmo ocupando o
cargo máximo na escola, reconhecia suas limitações na parte pedagógica e
confessava isso de público, o que mais o engrandecia pela humildade.
Mesmo
tendo sido educado num regime meio autoritário da época, aos poucos foi se
adaptando e aceitando as mudanças da modernidade, sem criar conflitos. Foi um Educador na essência da palavra. Sempre
lhe tive muito respeito. Aristides Florindo...
Walter
Víctor Sperandio, Professor, Artista Plástico, Projetista de obras fantásticas
que deixou para a posteridade,
Jorge
Cury, Funcionário Público que participou da formação e da educação de várias
gerações de mirandopolenses, e curtiu a vida até o fim com alegria e
simplicidade,
Aristides
Florindo, Educador que ajudou muitas crianças e jovens a evitarem os
descaminhos da vida,
Suas
vidas permeadas de trabalho, de dedicação, de persistência não foram em vão. Seus
nomes sempre serão lembrados com reverência...
E
desejo de coração, que agora estejam cirandando no céu.
Numa
roda de anjos...
Mirandópolis,
abril de 2013.
kimie
oku in cronicasdekimie.blogspot.com
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