quinta-feira, 30 de maio de 2019



                                             Aconteceu comigo!
           O ano era 1970.
       Minha sede de trabalho era em Amandaba, a seis quilômetros de casa, mas a pretensão de todo Professor é lecionar na cidade para evitar as despesas de viagem. Então fiz a inscrição para o Concurso de Remoção dos Professores Primários do Estado, esperando que aparecesse alguma vaga para mim na cidade.
       A inscrição era feita na Delegacia de Ensino de Andradina. Constava de um requerimento oficial preenchido pelo candidato e uma lista de vagas de sua preferência. Essa lista era feita de próprio punho em duplicata, e a via carbonada ficava com o requerente, para sua garantia.
  A inscrição era feita no ano anterior e em janeiro ocorriam as trocas. Naquela época eu estava gestante da minha filha, que havia nascido há uns dias. Então, passou uma amiga e me perguntou “porquê eu havia feito a burrada de ir para a 3ª Aliança”. Levei um choque! Como eu teria feito isso? 3ª Aliança dista mais de 20 quilômetros da cidade! Teria eu me enganado nas minhas indicações? Atarantada conferi no Diário Oficial e lá estava “removida para o 3° Grupo Escolar de Roteiro (3ª Aliança)”. Fui conferir a minha lista, mas lá não constava a Escola da Aliança, mas o “3º Grupo Escolar de Mirandópolis”, que mais tarde receberia o nome de Ebe Aurora Fernandes Marcos. Ebe Aurora era uma Escola nova na cidade.
E o mais inacreditável é que a professora da 3ª Aliança tinha sido transferida para a minha vaga em Amandaba, como se tivéssemos feito uma permuta consensual. Permutas aconteciam de fato, mas os Professores interessados deveriam estar de acordo e fazer uma inscrição à parte. E eu nem havia cogitado isso.
Minha vida virou de cabeça para baixo! Com um bebezinho, ainda convalescendo do parto, quase tive um ataque! E nesse ínterim, veio uma colega que trabalhava em Tabajara perguntar-me se de fato eu havia indicado a 3ª Aliança... Porque de direito e pela classificação, ela deveria ir para Amandaba, cuja vaga fora usurpada pela professora da Aliança... E ela dizia que entraria com recurso exigindo seus direitos. Foi o diabo na casa do terço! A moça da Aliança alegava inocência e muito incomodada me perguntou se também entraria com recurso...
Então, no meio daquele dizque dizque, o meu esposo se lembrou do cartão que um Deputado daqui havia lhe oferecido, para alguma necessidade. E aí, ele passou um dia inteiro ligando para o homem que estava em São Paulo, mas nada conseguiu. Naquele tempo não havia Informática... No outro dia o homem estava na cidade. E o Nori foi falar com ele. Depois de tudo exposto, o homem não deu importância ao caso e só disse que se fora publicado no D.O. não havia solução, e nada mais poderia ser feito e que eu aceitasse os fatos...
Mas o pessoal da Escola e os amigos do Nori não concordavam. Munido de todos os documentos necessários, ele foi pra São Paulo para reivindicar a correção. O Processo de Remoção de Professores Primários do Estado estava acontecendo na Secretaria da Educação, na Praça da República ao vivo, porque havia professores presentes fazendo suas escolhas. Quando o Nori apresentou os documentos e a publicação no Diário, a Comissão interrompeu imediatamente os trabalhos, e anunciou a correção de viva voz e ato contínuo, garantiu que a retificação seria publicada no D.O do dia seguinte. E assim foi. Retornei para a minha querida Escola de Amandaba. E a outra para a Aliança.
Mas, até hoje não entendi o que aconteceu.
Ninguém me explicou direito como foi possível isso...
Por quê o Deputado não quis me ajudar?
Havia algum jogo sujo por trás?

      Mirandópolis, maio de 2019.
kimie oku in
http://cronicasdekimie.blogspot.com.br/      

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