segunda-feira, 20 de maio de 2019


                  No Ginásio

       No Ginásio fui aluna dos maravilhosos Professores: de Latim Francisco de Assis Neves, de Português Dirce Jodas Gardel, de Francês  Dona Florinda, de História  dona Ernestina esposa do Professor de Latim,  de Ciências dona Zena que chamávamos de dona Maisena, de Matemática  seu Osvaldo,  de Inglês uma senhora super fina que  chegava todos os  dias dizendo Good afternoon!, de Geografia Dalva Monteiro Colaferro, que veio a falecer quando eu estava na 3ª série. Era uma moça bonita, alta, elegante e muito competente no ensino da Geografia. Fomos ao seu enterro em Araçatuba e a família ficou muito comovida com aquele bando de alunos, todos uniformizados no velório...  Hoje uma das ruas de nossa cidade leva o seu nome Rua Profª Dalva Monteiro Colaferro.
       Um dia, apareceu um Professor muito elegante e bonito chamado Carlos Roberto Pádua de Assis. Acho que todas as Professoras se apaixonaram por ele, especialmente a dona Dirce. Não só era bonito como muito competente. Viera de Mococa e ensinava Desenho. Ensinava Desenho à mão livre, não o desenho estereotipado. Entendia tudo de Artes. Um dia levou a terceira série à nossa Igreja Matriz para explicar a beleza da construção. Comentou sobre a Arte Sacra, sobre Arte Romana, sobre colunas, mosaicos,  arcos e volutas. Até então ninguém sabia que a nossa Igreja era tão bela. Foi nesse dia que descobri a beleza da Arquitetura. E nunca soube de outros Professores ensinando in loco sobre Artes. Um desperdício!
       No Ginásio tinha pavor de Matemática. Fiquei duas vezes para a Segunda Época, que era a chance para vencer uma matéria, depois de dois meses de estudos nas férias. Tive um Professor que me gritou para baixar noutro centro! E eu nem sabia porquê ele estava tão bravo! E menos ainda o que era um centro!
       Estudei com afinco até a 3ª série no Ginásio Estadual de Mirandópolis. Muitas vezes o trem se atrasava de três a quatro horas para nos levar de volta para Lavínia.  A solução era ir a pé os seis quilômetros... E o bando todo de quarenta alunos se punha a caminhar... Era uma turma barulhenta, sempre uns tirando sarro nos outros... Às vezes conseguíamos caronas nas carrocerias de caminhões, que eram mais baixos que os de hoje. Não havia ônibus para transportar estudantes. A gente tinha que se virar. Às vezes subíamos no barranco quando trombávamos com boiadas... Os bois eram conduzidos pelas estradas, não havia caminhões para transportá-los...
       A quarta série fiz em Lavínia no recém inaugurado Ginásio, que hoje é uma Escola Municipal para os  miúdos.
       Foi no Ginásio, com a Professora Dirce Jodas Gardel que tomei gosto pela Leitura e Redação. Também  só tinha que gostar de escrever pelo tanto de leitura que fazia. Pegava sempre três livros emprestados  para o final de semana, e os devolvia na segunda feira, tendo devorado todos. Conforme fui crescendo aprendi a selecionar as leituras. Infelizmente, a Bibliotecária não sabia orientar nem indicar leituras apropriadas. Então, li de tudo. Cheguei a ler autores estrangeiros tudo misturado com os nacionais.
       Leitura seletiva foi só depois de adulta.
       Mas a descoberta da Biblioteca foi para mim como achar a arca do tesouro.
       Ainda hoje leio muito, mas atualmente mais livros japoneses.

      Mirandópolis, maio de 2019.
      kimie oku in
     http://cronicasdekimie.blogspot.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário