segunda-feira, 22 de julho de 2019


    Xadrez
    Confesso que a política me desencantou de vez.
          Tanto a nacional como a local.
      A gente é apenas uma peça de um tabuleiro de xadrez, que meia dúzia de espertalhões manipulam a torto e a direito. Somos apenas peões descartáveis. Não temos nenhum valor de ganho. Os Bispos, as Torres, os Cavalos fazem de tudo para proteger seu Rei ou sua Rainha. E as jogadas sujas ocorrem o tempo todo, para desferir um golpe certeiro nos peões adversários. E ao longo das jogadas, peões vão caindo e são descartados.
       Nunca consegui aprender a jogar xadrez. É um bocado complicado, e eu não gosto de jogos. Nem de cartas, de bingo, nem tômbola... Exige inteligência, raciocínio rápido e certeiro e uma visão antecipada das possibilidades. Sou fraquinha nisso...
       Mas tem gente exímia no jogo de xadrez no tabuleiro da vida. Dá cada salto mortal, se traveste de bispo, sobe na torre e sempre, sempre derruba vários peões para chegar até a sua meta. Sua meta é o xeque mate, derrubando a Rainha e chegar à zona de conforto do Rei. Todos querem morar no palácio e mandar, mandar, mandar. Ser um Rei poderoso e déspota. Palavra de Rei é Lei!
       Atualmente há tantos enxadristas movendo seus cavalos e seus bispos, para esconder jogadas sujas atrás de torres bem fortalecidas... Como nossos políticos não prestam!  Aliás, acho que nunca prestaram, nós é que não sabíamos! Política se tornou o caminho mais rápido para alcançar objetivos vis. E com o aval explícito dos eleitores...
       E é deprimente demais perceber que nós brasileiros acostumamos com esse cenário de jogatinas, que nem nos assustamos mais. Estamos encarando como normal um Ministro tomar uma decisão que vai afetar o país inteiro, em benefício de notórios bandidos. E nem nos revoltamos mais. Acho que perdemos a capacidade de indignação. Eu mesma me assusto com a minha passividade quando tomo conhecimento de barbaridades, que são noticiadas todos os dias pelos meios de comunicação.
       Mesmo assim, lá no fundo da alma, ainda há um desejo sempre acalentado, que insiste em pensar num mundo de paz, de verdade, de bondade.
       Sabia que a Democracia foi inventada para o benefício de todos? Que as eleições deviam escolher os melhores para nos representar e agir em nosso nome? Para uma sociedade justa e igualitária?
Quando foi que permitimos a prostituição da tão decantada Democracia?
       Democracia já era!

      Mirandópolis, julho de 2019.
kimie oku in


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