sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

         CIRANDA   -  Rachel, Rachel

       Era o décimo encontro da Ciranda.
    O dia estava luminoso e a temperatura agradável. A chácara estava linda, cercada pela bela mata ciliar, com algumas árvores exibindo flores aqui e ali. E bois gordos pastando no campo verde.
     Cheguei e percebi que já havia um grupo de cirandeiros. Após os abraços, descobri que o dono da casa estava ausente.
    Fiquei decepcionada. Sem a sua companhia agradável, não teríamos também o sanfoneiro para animar a  tarde.
      A novidade do dia  foi a presença de cinco  convidadas, que os familiares trouxeram para conhecer a Ciranda. E isso foi motivo de apresentações e reencontros muito animados.
     Após a primeira rodada de lanche, o pessoal ensaiou a cantoria. Mas nada dava certo. Havia grupos que  destoavam e acabaram separando-se. O violeiro Squinca e o pandeirista Orozino tentaram acompanhar uma turma, e depois a outra.
       Mas, nada dava certo.
      O Squinca   “- Tá muito destoado, esse violeiro  lerdo  não consegue  tampar  as falhas. Sem sanfona, não dá.”
       Desistiu, assim como o Orozino.
     A tarde não prometia. E servimos doces. E tiramos fotos, para não deixar a peteca cair.
       Nisso, chegou a Rachel. Rachel de Campos Sperandio.
    A professora bonita e sempre jovem, que tem uma alegria contagiante de viver. Como sempre, chegou dizendo que, só  ficaria um pouquinho. Tinha que voltar logo para casa, porque o querido esposo Walter não quisera vir. Ela queria ficar, mas tinha que ir...
       Após os cumprimentos, ela estava regendo o  coral, cantando a plenos pulmões. Cantando e encantando a todos, com sua alegria e sua demonstração de dança de gafieira, samba, puladinho.... e quando o coral ia desanimando, ela bradava : “-Vamos de Saudades da minha terra!” E aí, a cantoria pegava. E seguiram: Casinha branca, Cana verde, Canoeiro, Cavalo preto, Menino da porteira, Beijinho doce...
       Desafinação? Desarmonia?
       Ninguém notou. A alegria, a comunhão de estar junto numa roda cantando  e rindo, supria tudo. Era só alegria.
    Rachel, já beirando os oitenta anos de vida, é uma fortaleza de mulher. Ela dá o tom de festa em qualquer ambiente, a qualquer reunião. É que dentro dela mora uma criança, uma molequinha alegre, que precisa extravasar todo o entusiasmo de viver.
    Um dia, Rachel me pediu que lhe escrevesse uma crônica, quando tiver partido. E aqui estou escrevendo, porque você está viva, exuberantemente viva, Rachel!  Viva como ninguém!  E você é uma inspiração para todos os cirandeiros.
      Se toda a humanidade possuísse um tico da sua alegria, viver seria uma festa. Não haveria solidão, tristeza. Você tem energia para driblar as lembranças tristes, e viver o momento com alegria.
    “Carpe diem” é o seu lema e o seu jeito de ser só faz irradiar felicidade para todos.
       A tarde do décimo encontro foi salva pela Rachel.
       Todos os cirandeiros  voltaram de alma mais leve, para suas casas. E gratificados.
        Que Deus a abençoe, Rachel!


            
         Mirandópolis, 26 de julho de 2011.
                  kimie oku                            
               (kimieoku@hotmail.com)

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